Publicação
Podridão da castanha em Trás-os-Montes: caracterização morfológica, ecofisiológica e molecular do agente causal Gnomoniopsis smithogilvyi
| Resumo: | A castanha europeia (fruto de Castanea sativa Mill.) é um alimento muito nutritivo, e em Trás-os-Montes, Portugal, este fruto é amplamente produzido, consumido e comercializado. Devido as características nutricionais e de humidade, as castanhas são altamente propícias ao desenvolvimento de fungos deteriorantes, que resultam em grandes perdas na qualidade dos frutos, sendo este o principal problema pós-colheita associado à castanha armazenada. Na última década, o fungo Gnomoniopsis smithogilvyi tem emergido preocupantemente em diversos países produtores de castanha como agente causal da podridão castanha, e atualmente é considerado um dos principais agentes fúngicos causadores de podridão. O presente estudo é pioneiro na caracterização e identificação deste agente fúngico e da respectiva doença, em Portugal e em variedades de castanha portuguesas. Este conhecimento é de maior importância e urgência para os produtores, comerciantes e indústrias do setor deste fruto, para otimizar a prevenção e o controle deste problema. Os objetivos desse trabalho foram: i) Caracterizar morfológica, ecofisiológica e molecularmente os isolados portugueses de G. smithogilvyi; ii) Caracterizar a doença causada por este agente e determinar a patogenicidade e a virulência deste fungo em três variedades portuguesas de castanha (Judia, Longal e Martaínha); iii) Estudar a efetividade do uso de Trichoderma viridescens como um agente de biocontrole contra o patógeno G. smithogilvyi. As variedades de castanha portuguesas não mostraram resistência ou tolerância a infeção por este fungo, entre si, sendo altamente suscetíveis quando previamente feridas e inoculadas artificialmente, com 100% de infeção e apodrecimento. Porém quando os frutos estavam sadios e bem formados, sua casca foi eficiente no combate a infeção pelo patógeno externo. Confirmou-se a existência de G. smithogilvyi endofítico nas castanhas portuguesas, distribuído aparentemente de forma igual entre as variedades. Verificou-se que os isolados portugueses de G. smithogilvyi apresentam elevada semelhança morfológica, ecofisiológica e molecular com os isolados do fungo de outros países. G. smithogilvyi sofreu redução de crescimento significativa nos testes de biocontrole feitos com T. viridescens em meio PDA, comparado aos controles sem o uso de T. viridescens. No entanto, esse efeito não foi significativo em meio à base de castanha, verificando-se assim uma grande adaptação do fungo ao substrato castanha, o que deixa antever que a redução ou eliminação da podridão castanha será difícil de obter. |
|---|---|
| Autores principais: | Possamai, Guilherme |
| Assunto: | Podridão castanha Gnomoniopsis smithogilvyi Castanea sativa Biocontrole Trichoderma viridescens Fungos |
| Ano: | 2020 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Instituto Politécnico de Bragança |
| Idioma: | português |
| Origem: | Biblioteca Digital do IPB |
| Resumo: | A castanha europeia (fruto de Castanea sativa Mill.) é um alimento muito nutritivo, e em Trás-os-Montes, Portugal, este fruto é amplamente produzido, consumido e comercializado. Devido as características nutricionais e de humidade, as castanhas são altamente propícias ao desenvolvimento de fungos deteriorantes, que resultam em grandes perdas na qualidade dos frutos, sendo este o principal problema pós-colheita associado à castanha armazenada. Na última década, o fungo Gnomoniopsis smithogilvyi tem emergido preocupantemente em diversos países produtores de castanha como agente causal da podridão castanha, e atualmente é considerado um dos principais agentes fúngicos causadores de podridão. O presente estudo é pioneiro na caracterização e identificação deste agente fúngico e da respectiva doença, em Portugal e em variedades de castanha portuguesas. Este conhecimento é de maior importância e urgência para os produtores, comerciantes e indústrias do setor deste fruto, para otimizar a prevenção e o controle deste problema. Os objetivos desse trabalho foram: i) Caracterizar morfológica, ecofisiológica e molecularmente os isolados portugueses de G. smithogilvyi; ii) Caracterizar a doença causada por este agente e determinar a patogenicidade e a virulência deste fungo em três variedades portuguesas de castanha (Judia, Longal e Martaínha); iii) Estudar a efetividade do uso de Trichoderma viridescens como um agente de biocontrole contra o patógeno G. smithogilvyi. As variedades de castanha portuguesas não mostraram resistência ou tolerância a infeção por este fungo, entre si, sendo altamente suscetíveis quando previamente feridas e inoculadas artificialmente, com 100% de infeção e apodrecimento. Porém quando os frutos estavam sadios e bem formados, sua casca foi eficiente no combate a infeção pelo patógeno externo. Confirmou-se a existência de G. smithogilvyi endofítico nas castanhas portuguesas, distribuído aparentemente de forma igual entre as variedades. Verificou-se que os isolados portugueses de G. smithogilvyi apresentam elevada semelhança morfológica, ecofisiológica e molecular com os isolados do fungo de outros países. G. smithogilvyi sofreu redução de crescimento significativa nos testes de biocontrole feitos com T. viridescens em meio PDA, comparado aos controles sem o uso de T. viridescens. No entanto, esse efeito não foi significativo em meio à base de castanha, verificando-se assim uma grande adaptação do fungo ao substrato castanha, o que deixa antever que a redução ou eliminação da podridão castanha será difícil de obter. |
|---|