Publicação
Principais pragas e auxiliares associados à amendoeira no Planalto Mirandês
| Resumo: | A amendoeira é uma árvore tipicamente mediterrânica. Em Portugal, Trás – os Montes é uma das principais zonas produtoras de amêndoa. Nesta região o conhecimento acerca da biologia das pragas e artropodofauna da cultura é escasso. Assim, com o presente trabalho pretendeu-se estudar o ciclo biológico dos insectos: Monosteira unicostata (Mulsant & Rey, 1852), Anarsia lineatella Zell, Grapholita molesta (Busck), Cossus cossus (L.) e Zeuzera pyrina (L.), que atacam a amendoeira, bem como identificar os principais grupos de artrópodes associados à cultura. O estudo decorreu de Abril a Setembro de 2007 e Abril a Outubro de 2008 num amendoal de Vilarinho dos Galegos (Mogadouro) onde, com periodicidade semanal, se procedeu à contagem e registo do número de lepidópteros adultos (A. lineatella, G. molesta, C. cossus e Z. pyrina) capturados em armadilha com feromona. Para o estudo de M. unicostata (em estado imaturo), procedeu-se semanal ou quinzenalmente à recolha de 20 folhas em 20 árvores para observação da existência de ovos, ninfas e adultos bem como do número de folhas com estragos visíveis. Paralelamente e com periodicidade quinzenal foi realizada a técnica das pancadas em 25 árvores escolhidas aleatoriamente na parcela para recolha de adultos de M. unicostata e dos artrópodes associados à cultura. O material recolhido foi separado e os artrópodes capturados foram contados e identificados até à ordem, família ou espécie. Os resultados obtidos apresentaram uma tendência similar em ambos os anos em estudo. Assim, no que se refere a M. unicostata, há ocorrência de posturas durante todo o período de amostragem com maior incidência durante o mês de Junho e Julho. O máximo de ninfas observadas ocorreu na primeira e segunda semanas de Agosto, em 2007 e 2008 respectivamente; por outro lado, os adultos registaram um maior número no final de Julho/início de Agosto de ambos os anos. O número de folhas com estragos provocados pelo insecto foi aumentando ao longo do tempo e atingiu cerca de 60 % das folhas o que indica a grande importância desta praga na região. Quanto à praga A. lineatella, encontra-se presente de Abril a Outubro e o número médio de capturas semanais foi máximo em Junho de 2007 e em Julho de 2008, onde se registaram capturas médias de 20 e 17 adultos respectivamente. Relativamente a G. molesta, o número médio de capturas semanais foi máximo em finais de Abril de 2007, com capturas de 5 adultos, e no início de Maio de 2008 com capturas médias de 9 adultos ix por semana. A presença de adultos Z. pyrina e C. cossus foi muito reduzida ou mesmo ausente, sendo que em 2007 não ocorreram capturas de Z. pyrina e em 2008 apenas foi capturado um exemplar. No que respeita a C. cossus, em 2007 capturou-se um adulto enquanto em 2008 se capturaram três exemplares. Os resultados obtidos mostram ainda uma grande diversidade de artrópodes. Obteve-se um total de 2784 e 2328 indivíduos, respectivamente em 2007 e 2008 representados pelos taxa: Araneae, Coccinelidae, Outros Coleoptera, Diptera, Formicidae, Heteroptera, Neuroptera, Dermaptera, Hymenoptera, Psocopera e Plecoptera. As aranhas foram o grupo com maior número de capturas em ambos os anos, com 38,9% em 2007 e 31,4% em 2008. Seguiram-se os outros coleópteros com 17,2% e 16,3% do total de indivíduos recolhidos, os dípteros com 14,6% e 10,7%, os psocópteros com 9,7% e 20,9% e os himenópteros com 8,3% e 11,9% à excepção das formigas, estas com 3,7% e 1,3%. Em ambos os anos, os coccinelídeos surgiram em número considerável (3,4% e 3,7%), identificando-se quinze espécies pertencentes a esta família. Os neurópteros representam 1,5% e 1,9% do total de indivíduos, os heterópteros (excepto M. unicostata) com 1,6% e 1,3%. Os restantes grupos com menos importância representam menos de 1% em ambos os anos. Este trabalho permitiu, desta forma, perceber a bio-ecologia das principais pragas da amendoeira e a diversidade e abundância de artrópodes associados à cultura. |
|---|---|
| Autores principais: | Pereira, Susana |
| Ano: | 2009 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Instituto Politécnico de Bragança |
| Idioma: | português |
| Origem: | Biblioteca Digital do IPB |
| Resumo: | A amendoeira é uma árvore tipicamente mediterrânica. Em Portugal, Trás – os Montes é uma das principais zonas produtoras de amêndoa. Nesta região o conhecimento acerca da biologia das pragas e artropodofauna da cultura é escasso. Assim, com o presente trabalho pretendeu-se estudar o ciclo biológico dos insectos: Monosteira unicostata (Mulsant & Rey, 1852), Anarsia lineatella Zell, Grapholita molesta (Busck), Cossus cossus (L.) e Zeuzera pyrina (L.), que atacam a amendoeira, bem como identificar os principais grupos de artrópodes associados à cultura. O estudo decorreu de Abril a Setembro de 2007 e Abril a Outubro de 2008 num amendoal de Vilarinho dos Galegos (Mogadouro) onde, com periodicidade semanal, se procedeu à contagem e registo do número de lepidópteros adultos (A. lineatella, G. molesta, C. cossus e Z. pyrina) capturados em armadilha com feromona. Para o estudo de M. unicostata (em estado imaturo), procedeu-se semanal ou quinzenalmente à recolha de 20 folhas em 20 árvores para observação da existência de ovos, ninfas e adultos bem como do número de folhas com estragos visíveis. Paralelamente e com periodicidade quinzenal foi realizada a técnica das pancadas em 25 árvores escolhidas aleatoriamente na parcela para recolha de adultos de M. unicostata e dos artrópodes associados à cultura. O material recolhido foi separado e os artrópodes capturados foram contados e identificados até à ordem, família ou espécie. Os resultados obtidos apresentaram uma tendência similar em ambos os anos em estudo. Assim, no que se refere a M. unicostata, há ocorrência de posturas durante todo o período de amostragem com maior incidência durante o mês de Junho e Julho. O máximo de ninfas observadas ocorreu na primeira e segunda semanas de Agosto, em 2007 e 2008 respectivamente; por outro lado, os adultos registaram um maior número no final de Julho/início de Agosto de ambos os anos. O número de folhas com estragos provocados pelo insecto foi aumentando ao longo do tempo e atingiu cerca de 60 % das folhas o que indica a grande importância desta praga na região. Quanto à praga A. lineatella, encontra-se presente de Abril a Outubro e o número médio de capturas semanais foi máximo em Junho de 2007 e em Julho de 2008, onde se registaram capturas médias de 20 e 17 adultos respectivamente. Relativamente a G. molesta, o número médio de capturas semanais foi máximo em finais de Abril de 2007, com capturas de 5 adultos, e no início de Maio de 2008 com capturas médias de 9 adultos ix por semana. A presença de adultos Z. pyrina e C. cossus foi muito reduzida ou mesmo ausente, sendo que em 2007 não ocorreram capturas de Z. pyrina e em 2008 apenas foi capturado um exemplar. No que respeita a C. cossus, em 2007 capturou-se um adulto enquanto em 2008 se capturaram três exemplares. Os resultados obtidos mostram ainda uma grande diversidade de artrópodes. Obteve-se um total de 2784 e 2328 indivíduos, respectivamente em 2007 e 2008 representados pelos taxa: Araneae, Coccinelidae, Outros Coleoptera, Diptera, Formicidae, Heteroptera, Neuroptera, Dermaptera, Hymenoptera, Psocopera e Plecoptera. As aranhas foram o grupo com maior número de capturas em ambos os anos, com 38,9% em 2007 e 31,4% em 2008. Seguiram-se os outros coleópteros com 17,2% e 16,3% do total de indivíduos recolhidos, os dípteros com 14,6% e 10,7%, os psocópteros com 9,7% e 20,9% e os himenópteros com 8,3% e 11,9% à excepção das formigas, estas com 3,7% e 1,3%. Em ambos os anos, os coccinelídeos surgiram em número considerável (3,4% e 3,7%), identificando-se quinze espécies pertencentes a esta família. Os neurópteros representam 1,5% e 1,9% do total de indivíduos, os heterópteros (excepto M. unicostata) com 1,6% e 1,3%. Os restantes grupos com menos importância representam menos de 1% em ambos os anos. Este trabalho permitiu, desta forma, perceber a bio-ecologia das principais pragas da amendoeira e a diversidade e abundância de artrópodes associados à cultura. |
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