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O nível de stresse nos Enfermeiros dos Cuidados Continuados dos distritos de Bragança e Vila Real

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A enfermagem é uma profissão desgastante, já que implica interagir com a pessoa em situação de crise e de sofrimento. Devido à sobrecarga e ao stresse enfrentado, a qualidade deste relacionamento pode estar comprometida, interferindo na qualidade dos cuidados prestados. Esta investigação teve como objetivos conhecer as caraterísticas sóciodemográficas dos enfermeiros que exercem funções nas Unidades de Cuidados Continuados dos distritos de Bragança e Vila Real; verificar se os enfermeiros consideram as suas situações de vida como stressantes; analisar as relações existentes entre as variáveis sóciodemográficas dos enfermeiros e a sua perceção em relação a situações de vida stressantes; delinear estratégias/intervenções por forma a prevenir e/ou reduzir os níveis de stresse dos Enfermeiros que trabalham nas Unidades de Continuados dos distritos de Bragança e Vila Real. Trata-se de um estudo quantitativo, transversal e observacional. De um total de 166 enfermeiros a exercer funções nas Unidades de Cuidados Continuados dos distritos de Bragança e Vila Real, 131 responderam ao questionário. Para a recolha dos dados, que decorreu no período de março de 2011 a novembro 2012, aplicou-se a “Escala de Percepção de Stresse” de Pais-Ribeiro e Marques (2009). Do total dos inquiridos, 51,91% (68) eram dos distritos de Vila Real e 48,1% (63) eram de Bragança. Os enfermeiros tinham idades compreendidas entre os 22 e os 54 anos, sendo a maioria do género feminino (77,9%). Constatou-se que o maior número de enfermeiros se concentra nas Unidades de Média e Longa Duração (44,3%; 58), seguindo-se-lhe a Unidade de Longa duração (34,4%; 45), a Unidade de Convalescença e Paliativos (18,3%; 24) e, por fim, a Unidade de Média Duração (3,1%; 4). Quanto à natureza do vínculo, (50,38%; 66) enfermeiros encontram-se a contrato, (45,04%; 59) fazem parte dos quadros dos respetivos locais de trabalho e (4,58%; 6) apresentam outro tipo de vínculo (recibos verdes). Do total dos enfermeiros a trabalhar nas Unidades de Cuidados Continuados, (48,8%; 60) residem na localidade onde trabalham e os restantes (54,2%; 71), residem fora do meio onde laboram. Relativamente à situação conjugal observa-se o seguinte: (54,2%; 71) enfermeiros são solteiros, (43,51%; 57) casados/união de facto e (2,29%; 3) separados/divorciados. Os enfermeiros registaram um nível de stresse moderado (Média=34,2; DP=4,96). A distribuição dos inquiridos pelo nível de stresse foi o seguinte: 33,6% (44) manifestaram um nível de stresse reduzido; 65,7% (86) mostraram ter um nível moderado de stresse e 0,8% (1) registaram um nível elevado de stresse. Apesar de não se terem registado diferenças estatisticamente significativas (p-value>0,05) no nível de stresse global tendo em conta o distrito, a situação de deslocado, o género, a idade, a situação conjugal, o vínculo profissional e a tipologia de Unidade de Cuidados Continuados, foram os enfermeiros do distrito de Vila Real, os deslocados, os homens, os mais novos, os que não são casados ou vivem em união de facto, os contratados e os que trabalham nas Unidades de Convalescença e Paliativos os que registaram níveis de stresse ligeiramente mais baixos. Pode concluir-se, que a profissão de enfermagem é stressante e deve ser reconhecida como tal. Perante esta constatação, existe a necessidade de discutir e implementar medidas preventivas e minimizadoras de stresse nos locais de trabalho, por forma a obter uma saúde individual e coletiva da equipa de enfermagem. A qualidade dos cuidados prestados depende da condição física e emocional da pessoa que cuida.
Autores principais:Morais, Cristina Alexandra Sacras
Assunto:Enfermeiro Cuidados continuados Stress Escala de percepção de stress
Ano:2013
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Instituto Politécnico de Bragança
Idioma:português
Origem:Biblioteca Digital do IPB
Descrição
Resumo:A enfermagem é uma profissão desgastante, já que implica interagir com a pessoa em situação de crise e de sofrimento. Devido à sobrecarga e ao stresse enfrentado, a qualidade deste relacionamento pode estar comprometida, interferindo na qualidade dos cuidados prestados. Esta investigação teve como objetivos conhecer as caraterísticas sóciodemográficas dos enfermeiros que exercem funções nas Unidades de Cuidados Continuados dos distritos de Bragança e Vila Real; verificar se os enfermeiros consideram as suas situações de vida como stressantes; analisar as relações existentes entre as variáveis sóciodemográficas dos enfermeiros e a sua perceção em relação a situações de vida stressantes; delinear estratégias/intervenções por forma a prevenir e/ou reduzir os níveis de stresse dos Enfermeiros que trabalham nas Unidades de Continuados dos distritos de Bragança e Vila Real. Trata-se de um estudo quantitativo, transversal e observacional. De um total de 166 enfermeiros a exercer funções nas Unidades de Cuidados Continuados dos distritos de Bragança e Vila Real, 131 responderam ao questionário. Para a recolha dos dados, que decorreu no período de março de 2011 a novembro 2012, aplicou-se a “Escala de Percepção de Stresse” de Pais-Ribeiro e Marques (2009). Do total dos inquiridos, 51,91% (68) eram dos distritos de Vila Real e 48,1% (63) eram de Bragança. Os enfermeiros tinham idades compreendidas entre os 22 e os 54 anos, sendo a maioria do género feminino (77,9%). Constatou-se que o maior número de enfermeiros se concentra nas Unidades de Média e Longa Duração (44,3%; 58), seguindo-se-lhe a Unidade de Longa duração (34,4%; 45), a Unidade de Convalescença e Paliativos (18,3%; 24) e, por fim, a Unidade de Média Duração (3,1%; 4). Quanto à natureza do vínculo, (50,38%; 66) enfermeiros encontram-se a contrato, (45,04%; 59) fazem parte dos quadros dos respetivos locais de trabalho e (4,58%; 6) apresentam outro tipo de vínculo (recibos verdes). Do total dos enfermeiros a trabalhar nas Unidades de Cuidados Continuados, (48,8%; 60) residem na localidade onde trabalham e os restantes (54,2%; 71), residem fora do meio onde laboram. Relativamente à situação conjugal observa-se o seguinte: (54,2%; 71) enfermeiros são solteiros, (43,51%; 57) casados/união de facto e (2,29%; 3) separados/divorciados. Os enfermeiros registaram um nível de stresse moderado (Média=34,2; DP=4,96). A distribuição dos inquiridos pelo nível de stresse foi o seguinte: 33,6% (44) manifestaram um nível de stresse reduzido; 65,7% (86) mostraram ter um nível moderado de stresse e 0,8% (1) registaram um nível elevado de stresse. Apesar de não se terem registado diferenças estatisticamente significativas (p-value>0,05) no nível de stresse global tendo em conta o distrito, a situação de deslocado, o género, a idade, a situação conjugal, o vínculo profissional e a tipologia de Unidade de Cuidados Continuados, foram os enfermeiros do distrito de Vila Real, os deslocados, os homens, os mais novos, os que não são casados ou vivem em união de facto, os contratados e os que trabalham nas Unidades de Convalescença e Paliativos os que registaram níveis de stresse ligeiramente mais baixos. Pode concluir-se, que a profissão de enfermagem é stressante e deve ser reconhecida como tal. Perante esta constatação, existe a necessidade de discutir e implementar medidas preventivas e minimizadoras de stresse nos locais de trabalho, por forma a obter uma saúde individual e coletiva da equipa de enfermagem. A qualidade dos cuidados prestados depende da condição física e emocional da pessoa que cuida.