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Avaliação do efeito da salinidade e do azoto na composição nutricional, química e bioativa de cultivares de manjericão

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Resumo:As plantas aromáticas e medicinais são usadas desde tempos imemoriais pelo ser humano e hoje em dia têm uma importância acrescida devido às suas propriedades bioativas e sensoriais. O Ocimum basilicum L., vulgarmente conhecido por manjericão, é uma planta usada tradicionalmente tanto pela medicina como pela culinária, especialmente na zona do Mediterrâneo e Índia, o que levou ao desenvolvimento de novas cultivares de elevado interesse nestas áreas. A qualidade do solo tem vindo a diminuir, nomeadamente no que diz respeito à quantidade de sais presentes bem como ao excesso de adubação para atingir determinado fim. Este problema, de difícil solução, assenta no custo/benefício para os produtores no momento de escolher as melhores práticas de cultivo. Assim, é imperativo avaliar as cultivares e as taxas de salinidade/adubação de modo a obter plantas com elevada qualidade em condições menos propícias ao seu natural desenvolvimento. O presente trabalho tem como objetivo avaliar o efeito da salinidade e do nitrogénio, veiculada na água de rega, na composição proximal (lípidos, proteínas, cinzas, hidratos de carbono e valor energético), composição química (açúcares livres, tocoferóis, ácidos orgânicos, ácidos gordos e compostos fenólicos) e bioatividades (atividade antioxidante e antimicrobiana) de quatro cultivares de O. basilicum. Os teores de lípidos, cinzas e glúcidos aumentaram com a salinidade na cultivar ‘Dark-opal’, enquanto que o valor energético foi afetado negativamente. Os açúcares livres (totais e individuais) aumentaram com as condições de salinidade (S2) na cultivar ‘Basilico-rosso’, enquanto que os ácidos orgânicos e tocoferóis diminuíram em todas as cultivares. Os ácidos gordos maioritários foram os ácidos α-linolénico, linoleico e palmítico sem variações significativas com o aumento da salinidade, e os polifenóis mais abundantes foram os ácidos sagerínico e o eriodictiol-O-malonilhexósido. Por fim, os extratos de manjericão apresentaram atividade antioxidante moderada e atividade antifúngica elevada. Em conclusão, verificou-se que os efeitos da salinidade, na composição química e nas propriedades bioativas, dependem do genótipo das cultivares testadas. Verificou-se uma interação genótipo × N significativa para a maioria dos parâmetros químicos medidos. Os teores de tocoferóis foram elevados nas folhas das plantas fertirrigadas com 200 ppm de N e inferiores nas que receberam 600 ppm de N, especialmente nas cultivares ‘Dark-opal’ e ‘Red-basil’. Os ácidos gordos polinsaturados (PUFA) foram os ácidos gordos maioritários, e a ‘Red-basil’ apresentou a relação mais baixa n-6 (ómega 6)/n-3 (ómega 3) (0,29) e, portanto, o melhor perfil de ácidos gordos. Os ácidos fenólicos, flavonoides e compostos fenólicos totais foram elevados no ‘Red-basil’ e ‘Dark-opal’ (em média 25 mg/g de extrato), inferiores nas amostras ‘Mitikas’ e, diminuíram com o aumento da concentração de N. Do mesmo modo, a atividade antioxidante foi elevada nas cultivares ‘Dark-opal’ e ‘Red-basil’ fertirrigados com 200 ppm de N, e verificou-se que todos os extratos testados tiveram atividade antibacteriana e antifúngica elevada. Em conclusão, o perfil químico e bioativo do manjericão foi significativamente influenciado tanto pelo genótipo como pela concentração de N. O manjericão de cor púrpura apresentou o melhor perfil químico, e as concentrações moderadas de N podem proporcionar o melhor equilíbrio entre rendimento, valor nutricional e bioatividade para a espécie.
Autores principais:Cruz, Luís Royer Oliveira
Assunto:Ocimum basilicum L. Salinidade Fertilização com nitrogénio Composição química Propriedades bioativas
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Instituto Politécnico de Bragança
Idioma:português
Origem:Biblioteca Digital do IPB
Descrição
Resumo:As plantas aromáticas e medicinais são usadas desde tempos imemoriais pelo ser humano e hoje em dia têm uma importância acrescida devido às suas propriedades bioativas e sensoriais. O Ocimum basilicum L., vulgarmente conhecido por manjericão, é uma planta usada tradicionalmente tanto pela medicina como pela culinária, especialmente na zona do Mediterrâneo e Índia, o que levou ao desenvolvimento de novas cultivares de elevado interesse nestas áreas. A qualidade do solo tem vindo a diminuir, nomeadamente no que diz respeito à quantidade de sais presentes bem como ao excesso de adubação para atingir determinado fim. Este problema, de difícil solução, assenta no custo/benefício para os produtores no momento de escolher as melhores práticas de cultivo. Assim, é imperativo avaliar as cultivares e as taxas de salinidade/adubação de modo a obter plantas com elevada qualidade em condições menos propícias ao seu natural desenvolvimento. O presente trabalho tem como objetivo avaliar o efeito da salinidade e do nitrogénio, veiculada na água de rega, na composição proximal (lípidos, proteínas, cinzas, hidratos de carbono e valor energético), composição química (açúcares livres, tocoferóis, ácidos orgânicos, ácidos gordos e compostos fenólicos) e bioatividades (atividade antioxidante e antimicrobiana) de quatro cultivares de O. basilicum. Os teores de lípidos, cinzas e glúcidos aumentaram com a salinidade na cultivar ‘Dark-opal’, enquanto que o valor energético foi afetado negativamente. Os açúcares livres (totais e individuais) aumentaram com as condições de salinidade (S2) na cultivar ‘Basilico-rosso’, enquanto que os ácidos orgânicos e tocoferóis diminuíram em todas as cultivares. Os ácidos gordos maioritários foram os ácidos α-linolénico, linoleico e palmítico sem variações significativas com o aumento da salinidade, e os polifenóis mais abundantes foram os ácidos sagerínico e o eriodictiol-O-malonilhexósido. Por fim, os extratos de manjericão apresentaram atividade antioxidante moderada e atividade antifúngica elevada. Em conclusão, verificou-se que os efeitos da salinidade, na composição química e nas propriedades bioativas, dependem do genótipo das cultivares testadas. Verificou-se uma interação genótipo × N significativa para a maioria dos parâmetros químicos medidos. Os teores de tocoferóis foram elevados nas folhas das plantas fertirrigadas com 200 ppm de N e inferiores nas que receberam 600 ppm de N, especialmente nas cultivares ‘Dark-opal’ e ‘Red-basil’. Os ácidos gordos polinsaturados (PUFA) foram os ácidos gordos maioritários, e a ‘Red-basil’ apresentou a relação mais baixa n-6 (ómega 6)/n-3 (ómega 3) (0,29) e, portanto, o melhor perfil de ácidos gordos. Os ácidos fenólicos, flavonoides e compostos fenólicos totais foram elevados no ‘Red-basil’ e ‘Dark-opal’ (em média 25 mg/g de extrato), inferiores nas amostras ‘Mitikas’ e, diminuíram com o aumento da concentração de N. Do mesmo modo, a atividade antioxidante foi elevada nas cultivares ‘Dark-opal’ e ‘Red-basil’ fertirrigados com 200 ppm de N, e verificou-se que todos os extratos testados tiveram atividade antibacteriana e antifúngica elevada. Em conclusão, o perfil químico e bioativo do manjericão foi significativamente influenciado tanto pelo genótipo como pela concentração de N. O manjericão de cor púrpura apresentou o melhor perfil químico, e as concentrações moderadas de N podem proporcionar o melhor equilíbrio entre rendimento, valor nutricional e bioatividade para a espécie.