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Conhecimento tradicional, agroecossistemas e atividades alternativas em meio rural. Estudo de caso no Parâmio, Trás-os-Montes, Portugal

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Trás-os-Montes, em particular o território do Parque Natural de Montesinho no distrito de Bragança, caracteriza-se pela diversidade da flora e vegetação, bem patente nos contrastes sazonais da paisagem natural, moldada pela atividade humana desde épocas ancestrais e associada a uma agricultura familiar baseada na produção diversificada. Vários estudos etnobotânicos realizados na região mostram que as plantas aromáticas e medicinais (PAM) têm larga tradição e que os residentes em meios rurais detêm mais conhecimentos sobre espécies, práticas e usos. O surgimento de novos contextos socioeconómicos e a alteração dos costumes e estilos de vida rural e urbano condicionam, por um lado, a transmissão de saberes e a manutenção de um rico património cultural associado ao uso destas espécies, mas por outro, despertam em certas camadas da população o interesse pela natureza e o ambiente e a procura de novas experiências enquadradas em atividades de lazer. Este trabalho desenvolve-se na interface da Etnobotânica, Agroecologia e Turismo de Natureza tendo como objetivo principal a identificação de habitats, espécies relevantes, saberes e práticas relacionados com o uso e a gestão desses recursos naturais e a integração desta informação para promover atividades de educação ambiental. Recorrendo a metodologias etnográficas realizou-se um levantamento de PAM e do conhecimento tradicional (saberes e práticas) relacionado com o seu uso na freguesia do Parâmio. No total foram mencionadas 42 espécies, pertencentes a 27 famílias botânicas. As labiadas são a família com mais espécies referidas e a cidreira foi a espécie mais citada. Com o intuito de avaliar também o grau de conhecimento da população sobre este tema foram realizadas entrevistas formais na cidade de Bragança. Os resultados da inquirição mostram que 93% dos informantes sabem o que são PAM e são capazes de nomear pelo menos uma espécie. Contudo, apenas 67% reconhecem a planta no campo. Reunindo toda a informação, identificaram-se habitats preferenciais de ocorrência, selecionaram-se percursos pedestres e rotas de saberes que foram marcados sobre imagens retiradas do Google Earth Pro e ensaiados durante atividades realizadas na aldeia de Maçãs.
Autores principais:Ribeiro, Lúcia Marisa Maia
Assunto:Conhecimento etnobotânico PAM Turismo de natureza Património biocultural
Ano:2013
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Instituto Politécnico de Bragança
Idioma:português
Origem:Biblioteca Digital do IPB
Descrição
Resumo:Trás-os-Montes, em particular o território do Parque Natural de Montesinho no distrito de Bragança, caracteriza-se pela diversidade da flora e vegetação, bem patente nos contrastes sazonais da paisagem natural, moldada pela atividade humana desde épocas ancestrais e associada a uma agricultura familiar baseada na produção diversificada. Vários estudos etnobotânicos realizados na região mostram que as plantas aromáticas e medicinais (PAM) têm larga tradição e que os residentes em meios rurais detêm mais conhecimentos sobre espécies, práticas e usos. O surgimento de novos contextos socioeconómicos e a alteração dos costumes e estilos de vida rural e urbano condicionam, por um lado, a transmissão de saberes e a manutenção de um rico património cultural associado ao uso destas espécies, mas por outro, despertam em certas camadas da população o interesse pela natureza e o ambiente e a procura de novas experiências enquadradas em atividades de lazer. Este trabalho desenvolve-se na interface da Etnobotânica, Agroecologia e Turismo de Natureza tendo como objetivo principal a identificação de habitats, espécies relevantes, saberes e práticas relacionados com o uso e a gestão desses recursos naturais e a integração desta informação para promover atividades de educação ambiental. Recorrendo a metodologias etnográficas realizou-se um levantamento de PAM e do conhecimento tradicional (saberes e práticas) relacionado com o seu uso na freguesia do Parâmio. No total foram mencionadas 42 espécies, pertencentes a 27 famílias botânicas. As labiadas são a família com mais espécies referidas e a cidreira foi a espécie mais citada. Com o intuito de avaliar também o grau de conhecimento da população sobre este tema foram realizadas entrevistas formais na cidade de Bragança. Os resultados da inquirição mostram que 93% dos informantes sabem o que são PAM e são capazes de nomear pelo menos uma espécie. Contudo, apenas 67% reconhecem a planta no campo. Reunindo toda a informação, identificaram-se habitats preferenciais de ocorrência, selecionaram-se percursos pedestres e rotas de saberes que foram marcados sobre imagens retiradas do Google Earth Pro e ensaiados durante atividades realizadas na aldeia de Maçãs.