Publicação

Aplicabilidade das microalgas no tratamento das águas ruças

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:Um dos maiores problemas da indústria de produção de azeite está relacionado com a produção em grandes quantidades de águas ruças, resultantes do processamento do azeite. A produção de azeite a nível mundial encontra-se centralizada na bacia do Mediterrâneo, sendo Portugal um dos dez maiores produtores. As águas ruças representam um problema ambiental onde a sua descarga direta em ambientes aquáticos e terrestes pode originar eutrofização dos cursos de água e solos inférteis, no entanto a nível industrial ainda não foi estabelecido um sistema de tratamento eficiente e economicamente viável. O problema deste efluente deve-se à sua composição química, caracterizada por uma elevada carga orgânica, associada a elevados teores de compostos fenólicos e pH ácido, assim como um cheiro característico e coloração escura. Neste contexto, este trabalho pretende avaliar o potencial das microalgas na diminuição de compostos fenólicos e aumento do pH, nas águas ruças. Para tal, testou-se o efeito da Chlorella vulgaris imobilizada na biorremediação de águas ruças de duas e três fases, em culturas batch. A eficácia do processo foi também avaliada pela fitotoxicidade, em ensaios de germinação e crescimento da Lactuca sativa. Além disso, otimizou-se o processo pela utilização de 2º ciclo e 2º tratamento, pela utilização de inóculos preadaptados, pela redução do tempo de cultura e pela otimização do tipo de reator. Em função do screening de crescimento em meio sólido, os ensaios em batch foram efetuados com águas ruças de duas fases à diluição de 35%, 50% e 60% e no caso das águas ruças de três fases a diluição de 20%, em meio Walne modificado. Estes ensaios foram desenvolvidos à temperatura ambiente, com iluminação natural e aerificação contínua. A otimização do reator foi feita por utilização de uma coluna de bolhas. Os resultados obtidos permitiram concluir que a C. vulgaris tem a capacidade de remover os compostos fenólicos e neutralizar o efluente, observando-se uma redução do teor de fenóis entre 20% a 43% no efluente de três fases e de 53% a 73% no efluente duas fases. Em termos fitotóxicos conclui-se que a microalga consegue reduzir a toxicidade das águas ruças, tendo a capacidade de degradar os compostos fenólicos que inibem a germinação e crescimento da L. sativa.
Autores principais:Martins, Bruna da Silva
Assunto:Água ruça Biorremediação Chlorella vulgaris Compostos fenólicos Fitotoxicidade Lactuca sativa
Ano:2014
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Instituto Politécnico de Bragança
Idioma:português
Origem:Biblioteca Digital do IPB
Descrição
Resumo:Um dos maiores problemas da indústria de produção de azeite está relacionado com a produção em grandes quantidades de águas ruças, resultantes do processamento do azeite. A produção de azeite a nível mundial encontra-se centralizada na bacia do Mediterrâneo, sendo Portugal um dos dez maiores produtores. As águas ruças representam um problema ambiental onde a sua descarga direta em ambientes aquáticos e terrestes pode originar eutrofização dos cursos de água e solos inférteis, no entanto a nível industrial ainda não foi estabelecido um sistema de tratamento eficiente e economicamente viável. O problema deste efluente deve-se à sua composição química, caracterizada por uma elevada carga orgânica, associada a elevados teores de compostos fenólicos e pH ácido, assim como um cheiro característico e coloração escura. Neste contexto, este trabalho pretende avaliar o potencial das microalgas na diminuição de compostos fenólicos e aumento do pH, nas águas ruças. Para tal, testou-se o efeito da Chlorella vulgaris imobilizada na biorremediação de águas ruças de duas e três fases, em culturas batch. A eficácia do processo foi também avaliada pela fitotoxicidade, em ensaios de germinação e crescimento da Lactuca sativa. Além disso, otimizou-se o processo pela utilização de 2º ciclo e 2º tratamento, pela utilização de inóculos preadaptados, pela redução do tempo de cultura e pela otimização do tipo de reator. Em função do screening de crescimento em meio sólido, os ensaios em batch foram efetuados com águas ruças de duas fases à diluição de 35%, 50% e 60% e no caso das águas ruças de três fases a diluição de 20%, em meio Walne modificado. Estes ensaios foram desenvolvidos à temperatura ambiente, com iluminação natural e aerificação contínua. A otimização do reator foi feita por utilização de uma coluna de bolhas. Os resultados obtidos permitiram concluir que a C. vulgaris tem a capacidade de remover os compostos fenólicos e neutralizar o efluente, observando-se uma redução do teor de fenóis entre 20% a 43% no efluente de três fases e de 53% a 73% no efluente duas fases. Em termos fitotóxicos conclui-se que a microalga consegue reduzir a toxicidade das águas ruças, tendo a capacidade de degradar os compostos fenólicos que inibem a germinação e crescimento da L. sativa.