Publicação
Intervenções interdependentes de enfermagem como indicadores sensíveis de qualidade - cuidados em ventilação mecânica não invasiva
| Resumo: | Durante os estágios, para aquisição de competências enquanto enfermeira especialista em Enfermagem Médico-cirúrgica, na vertente do doente crítico, o planeamento dos cuidados de enfermagem à pessoa em situação crítica, consubstanciado numa metodologia científica inerente ao processo de enfermagem, permitiu sustentar o processo de tomada de decisão e a implementação das intervenções, incorporando na prática os conhecimentos teóricos baseados em evidência científica. Após a identificação das necessidades, prescrevem-se intervenções de enfermagem de forma a detetar precocemente complicações e problemas potenciais e resolver ou minorar problemas reais identificados, mediante um paradigma de atuação preciso, concreto eficiente e em tempo útil, por exemplo, na “apropriada implementação de medidas de suporte avançado de vida” e na “gestão adequada de protocolos terapêuticos complexos” (OE, 2017). O enfermeiro possui formação humana, técnica e científica adequada para a prestação de cuidados em todo o contexto, particularmente em situação de elevada complexidade que lhe permita atuar de forma interdependente. Neste domínio, as competências específicas do enfermeiro especialista em Enfermagem Medico Cirúrgica na vertente da pessoa em situação critica, estão regulamentadas e publicadas em Diário da República a 16 de julho de 2018, pelo regulamento 429/2018, pa.19359. Para a OE (2015) a melhoria contínua dos cuidados implica a qualidade dos cuidados. A avaliação da qualidade dos cuidados de enfermagem pretende determinar o cumprimento das orientações estabelecidas pelos enfermeiros e a utilização dessa análise para tomar decisões acerca das mudanças que devem ser implementadas nos cuidados. No ano de 2001, a OE devido à necessidade de criar sistemas de qualidade para a profissão, definiu os “Padrões de Qualidade dos Cuidados de Enfermagem”, sendo um referencial que regula e orienta o exercício profissional. Nos padrões de qualidade foram definidos seis enunciados descritivos de qualidade do exercício profissional dos enfermeiros – satisfação dos clientes, promoção da saúde, prevenção de complicações, bem-estar e autocuidado, readaptação funcional e organização dos cuidados de enfermagem, que pretendem ser um instrumento que clarifica o papel do enfermeiro junto das pessoas, dos demais profissionais e dos políticos (OE, 2001). No domínio da melhoria contínua da qualidade, das competências comuns do enfermeiro especialista, o enfermeiro deve “desenvolver práticas de qualidade, gerindo e colaborando em programas de melhorias contínua.”. Os projetos de melhoria contínua da qualidade dos cuidados de enfermagem envolvem o planeamento e implementação de ações, visando a melhoria de forma a oferecer cuidados de enfermagem que atendam as expetativas da pessoa. As Intervenções Interdependentes de Enfermagem (IIE) e os constrangimentos na Ventilação Mecânica não Invasiva (VMNI) ao doente crítico, são essenciais para a segurança dos cuidados e qualidade em saúde. Sendo assim, são legalmente reconhecidas ao enfermeiro dois tipos de intervenções: autónomas e interdependentes, segundo (OE/REPE, 2015). As intervenções interdependentes referem-se a uma atuação de complementaridade funcional relativamente aos demais profissionais de saúde, intervenções essas realizadas pelos enfermeiros de acordo com as respetivas qualificações profissionais, em conjunto com outros técnicos, para atingir um objetivo comum, e são decorrentes de planos de ação previamente definidos pelas equipas multidisciplinares onde estão integrados as prescrições ou orientações previamente formalizadas. No que concerne à tomada de decisão do enfermeiro, também o REPE, é perentório em afirmar, que os cuidados de enfermagem se caracterizam pela presença e estabelecimento de uma relação de ajuda com o utente (abordagem sistémica e sistemática), cuja interação é objetivamente documentada, em processo de enfermagem, mediante a aplicação de metodologia científica (OE, 2015). O objetivo, da presente investigação, é identificar as IIE ao doente crítico com VMNI, que pela sua consistência executória, se assumem, como Indicadores de processo Sensíveis de Qualidade (IPSQ) aos cuidados, e a sua relação com as variáveis sociodemográficas e profissionais. Os indicadores que aqui se colocam em estudo, são os de processo, porque a literatura atual (Migote, 2022) menciona que através da análise de indicadores de estrutura e processo, se pode aceder à monitorização aprofundada dos resultados de saúde, razão que torna pertinente a relação em estudo. Na metodologia, foi desenvolvido um estudo exploratório, quantitativo descritivo, a partir da análise às respostas a um questionário elaborado com base em pesquisa bibliográfica com evidencia científica para o efeito, numa amostra de 76 enfermeiros, de urgência e medicina intensiva, maioritariamente, do sexo feminino (82,9%), com idades entre 36 e 45 anos (51,3%). As IIE ao doente crítico com VMNI, que pela sua consistência executória, se assumem, como ISQ aos cuidados, são: “doente é monitorizado segundo as recomendações” e “(...) é informado e pedida a sua colaboração” e os constrangimentos mais sentidos foram: “presença de secreções excessivas (...)”, “a ocorrência de PCR é contraindicação” e “o nível de consciência do doente influencia o sucesso (...)”. Foram verificadas relações estatisticamente significativas entre: a IIE “recurso à sedação” e o tempo de serviço, e o constrangimento “nível de consciência” e as varáveis: formação específica e tempo de serviço. Reafirma-se a importância de um protocolo de atuação na VMNI, para uniformização de cuidados. |
|---|---|
| Autores principais: | Fernandes, Andreia Filipa Fidalgo |
| Assunto: | Intervenções interdependentes VMNI Constrangimentos ISQ Competências |
| Ano: | 2022 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Instituto Politécnico de Bragança |
| Idioma: | português |
| Origem: | Biblioteca Digital do IPB |
| Resumo: | Durante os estágios, para aquisição de competências enquanto enfermeira especialista em Enfermagem Médico-cirúrgica, na vertente do doente crítico, o planeamento dos cuidados de enfermagem à pessoa em situação crítica, consubstanciado numa metodologia científica inerente ao processo de enfermagem, permitiu sustentar o processo de tomada de decisão e a implementação das intervenções, incorporando na prática os conhecimentos teóricos baseados em evidência científica. Após a identificação das necessidades, prescrevem-se intervenções de enfermagem de forma a detetar precocemente complicações e problemas potenciais e resolver ou minorar problemas reais identificados, mediante um paradigma de atuação preciso, concreto eficiente e em tempo útil, por exemplo, na “apropriada implementação de medidas de suporte avançado de vida” e na “gestão adequada de protocolos terapêuticos complexos” (OE, 2017). O enfermeiro possui formação humana, técnica e científica adequada para a prestação de cuidados em todo o contexto, particularmente em situação de elevada complexidade que lhe permita atuar de forma interdependente. Neste domínio, as competências específicas do enfermeiro especialista em Enfermagem Medico Cirúrgica na vertente da pessoa em situação critica, estão regulamentadas e publicadas em Diário da República a 16 de julho de 2018, pelo regulamento 429/2018, pa.19359. Para a OE (2015) a melhoria contínua dos cuidados implica a qualidade dos cuidados. A avaliação da qualidade dos cuidados de enfermagem pretende determinar o cumprimento das orientações estabelecidas pelos enfermeiros e a utilização dessa análise para tomar decisões acerca das mudanças que devem ser implementadas nos cuidados. No ano de 2001, a OE devido à necessidade de criar sistemas de qualidade para a profissão, definiu os “Padrões de Qualidade dos Cuidados de Enfermagem”, sendo um referencial que regula e orienta o exercício profissional. Nos padrões de qualidade foram definidos seis enunciados descritivos de qualidade do exercício profissional dos enfermeiros – satisfação dos clientes, promoção da saúde, prevenção de complicações, bem-estar e autocuidado, readaptação funcional e organização dos cuidados de enfermagem, que pretendem ser um instrumento que clarifica o papel do enfermeiro junto das pessoas, dos demais profissionais e dos políticos (OE, 2001). No domínio da melhoria contínua da qualidade, das competências comuns do enfermeiro especialista, o enfermeiro deve “desenvolver práticas de qualidade, gerindo e colaborando em programas de melhorias contínua.”. Os projetos de melhoria contínua da qualidade dos cuidados de enfermagem envolvem o planeamento e implementação de ações, visando a melhoria de forma a oferecer cuidados de enfermagem que atendam as expetativas da pessoa. As Intervenções Interdependentes de Enfermagem (IIE) e os constrangimentos na Ventilação Mecânica não Invasiva (VMNI) ao doente crítico, são essenciais para a segurança dos cuidados e qualidade em saúde. Sendo assim, são legalmente reconhecidas ao enfermeiro dois tipos de intervenções: autónomas e interdependentes, segundo (OE/REPE, 2015). As intervenções interdependentes referem-se a uma atuação de complementaridade funcional relativamente aos demais profissionais de saúde, intervenções essas realizadas pelos enfermeiros de acordo com as respetivas qualificações profissionais, em conjunto com outros técnicos, para atingir um objetivo comum, e são decorrentes de planos de ação previamente definidos pelas equipas multidisciplinares onde estão integrados as prescrições ou orientações previamente formalizadas. No que concerne à tomada de decisão do enfermeiro, também o REPE, é perentório em afirmar, que os cuidados de enfermagem se caracterizam pela presença e estabelecimento de uma relação de ajuda com o utente (abordagem sistémica e sistemática), cuja interação é objetivamente documentada, em processo de enfermagem, mediante a aplicação de metodologia científica (OE, 2015). O objetivo, da presente investigação, é identificar as IIE ao doente crítico com VMNI, que pela sua consistência executória, se assumem, como Indicadores de processo Sensíveis de Qualidade (IPSQ) aos cuidados, e a sua relação com as variáveis sociodemográficas e profissionais. Os indicadores que aqui se colocam em estudo, são os de processo, porque a literatura atual (Migote, 2022) menciona que através da análise de indicadores de estrutura e processo, se pode aceder à monitorização aprofundada dos resultados de saúde, razão que torna pertinente a relação em estudo. Na metodologia, foi desenvolvido um estudo exploratório, quantitativo descritivo, a partir da análise às respostas a um questionário elaborado com base em pesquisa bibliográfica com evidencia científica para o efeito, numa amostra de 76 enfermeiros, de urgência e medicina intensiva, maioritariamente, do sexo feminino (82,9%), com idades entre 36 e 45 anos (51,3%). As IIE ao doente crítico com VMNI, que pela sua consistência executória, se assumem, como ISQ aos cuidados, são: “doente é monitorizado segundo as recomendações” e “(...) é informado e pedida a sua colaboração” e os constrangimentos mais sentidos foram: “presença de secreções excessivas (...)”, “a ocorrência de PCR é contraindicação” e “o nível de consciência do doente influencia o sucesso (...)”. Foram verificadas relações estatisticamente significativas entre: a IIE “recurso à sedação” e o tempo de serviço, e o constrangimento “nível de consciência” e as varáveis: formação específica e tempo de serviço. Reafirma-se a importância de um protocolo de atuação na VMNI, para uniformização de cuidados. |
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