Publicação
Impacto do planeamento estratégico na eficácia organizacional das instituições portuguesas
| Resumo: | Este trabalho de investigação tem por objectivo geral avaliar o impacto que processo de planeamento estratégico pode, eventualmente, ter na eficácia organizacional das instituições portuguesas de ensino superior agrário. Para perseguir tal objectivo, fez-se o enquadramento teórico do tema que revelou a inexistência de consensos relativamente aos conceitos estudados. Por essa razão, para fazer a construção teórica acerca da eficácia organizacional e do planeamento estratégico foi necessário recorrer ao uso de bases teóricas já existentes que permitissem pôr alguma ordem na confusão existente. Assim, às quatro dimensões de eficácia organizacional que podem encontrar-se no Modelo dos Valores Competitivos, nomeadamente, a dimensão burocrática, a dimensão humana, a dimensão sistémica e a dimensão racional; juntou-se uma nova dimensão que se apelidou de política. Posteriormente, o estudo da eficácia organizacional no contexto do ensino superior agrário revelou que, devido ao seu carácter multi-dimensional, a sua avaliação deveria ser feita à custa de nove critérios de eficácia que podem ser agrupados em três domínios, designadamente, o domínio académico interno, o domínio da adaptação externa e o domínio da motivação. O estudo teórico acerca da estratégia e do planeamento estratégico foi organizado tendo em conta duas dimensões, designadamente, a dimensão prescritiva e a dimensão descritiva. Mas, à semelhança do conceito de eficácia organizacional, pareceu adequado acrescentar uma nova dimensão que se designou de integrativa. O estudo do planeamento estratégico no contexto do objecto deste estudo, ou seja, do ensino superior agrário revelou a quase inexistência de trabalhos de investigação. Por essa razão, optou-se por construir um modelo teórico de planeamento estratégico que, na medida do possível, integrasse os contributos das dez escolas de formação da estratégia. A base teórica ampliada viria a permitir a construção de um inquérito a ser administrado, directamente, através do correio electrónico aos gestores de topo das universidades e dos institutos politécnicos; e, aos dirigentes das unidades orgânicas que, nas instituições estudadas, estão vocacionadas para o ensino das ciências agrárias. Apesar dos inquiridos possuírem agendas sobrecarregadas, a sua participação no estudo foi excelente, traduzindo-se numa taxa de resposta de 62,5%. A avaliação da eficácia organizacional revela que muito, ainda, há a fazer no ensino superior agrário uma vez que os níveis de eficácia nos diferentes domínios são, globalmente, sofríveis. Apesar disso, o critério da qualidade obtém uma classificação elevada. De igual modo, os aspectos comportamentais característicos da dimensão das relações humanas e da dimensão dos objectivos racionais foram mais valorizados pelos gestores de topo das instituições de ambos subsistemas. Pelo contrário, nas unidades orgânicas, os níveis de eficácia elevados devem-se, segundo os seus dirigentes, ao critério da qualidade; ao critério racional e ao critério burocrático. Nestas instituições, o planeamento estratégico aspira à definição de alternativas estratégicas deliberadas na linha das escolas prescritivas. As estratégias emergentes não têm lugar nas organizações/unidades orgânicas, possivelmente, porque, apesar da complexidade da envolvente ser alta, a estabilidade é, igualmente, alta. No entanto, este panorama está a mudar uma vez que a estabilidade de que o sector gozava está, actualmente, a ser posta em causa devido a factores de vária ordem, nomeadamente, a diminuição real do financiamento, a diminuição da procura e a adaptação das formações ministradas no quadro da declaração de Bolonha. A adaptação das organizações estudadas ao meio ambiente externo passa, por isso, pela descentralização do poder que lhes conferirá maior flexibilidade. Por essa via, as estratégias emergentes poderão irromper a partir de acções não planeadas. O output do modelo de regressão logística binária (logit) obtido a partir dos dados da amostra dos gestores de topo permitiu definir um modelo de planeamento estratégico para o ensino superior agrário português bastante amputado face ao modelo de planeamento estratégico proposto. De facto, das nove fases propostas apenas quatro integram o modelo final. Trata-se da definição de objectivos, da análise externa, do padrão de referência e do processo de orçamentação. Destas, apenas as três últimas têm um contributo positivo para a eficácia das organizações objecto do estudo. |
|---|---|
| Autores principais: | Fernandes, António |
| Assunto: | Gestão pública Eficácia organizacional Planeamento estratégico Ensino Superior Ciências agrárias |
| Ano: | 2006 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Instituto Politécnico de Bragança |
| Idioma: | português |
| Origem: | Biblioteca Digital do IPB |
| Resumo: | Este trabalho de investigação tem por objectivo geral avaliar o impacto que processo de planeamento estratégico pode, eventualmente, ter na eficácia organizacional das instituições portuguesas de ensino superior agrário. Para perseguir tal objectivo, fez-se o enquadramento teórico do tema que revelou a inexistência de consensos relativamente aos conceitos estudados. Por essa razão, para fazer a construção teórica acerca da eficácia organizacional e do planeamento estratégico foi necessário recorrer ao uso de bases teóricas já existentes que permitissem pôr alguma ordem na confusão existente. Assim, às quatro dimensões de eficácia organizacional que podem encontrar-se no Modelo dos Valores Competitivos, nomeadamente, a dimensão burocrática, a dimensão humana, a dimensão sistémica e a dimensão racional; juntou-se uma nova dimensão que se apelidou de política. Posteriormente, o estudo da eficácia organizacional no contexto do ensino superior agrário revelou que, devido ao seu carácter multi-dimensional, a sua avaliação deveria ser feita à custa de nove critérios de eficácia que podem ser agrupados em três domínios, designadamente, o domínio académico interno, o domínio da adaptação externa e o domínio da motivação. O estudo teórico acerca da estratégia e do planeamento estratégico foi organizado tendo em conta duas dimensões, designadamente, a dimensão prescritiva e a dimensão descritiva. Mas, à semelhança do conceito de eficácia organizacional, pareceu adequado acrescentar uma nova dimensão que se designou de integrativa. O estudo do planeamento estratégico no contexto do objecto deste estudo, ou seja, do ensino superior agrário revelou a quase inexistência de trabalhos de investigação. Por essa razão, optou-se por construir um modelo teórico de planeamento estratégico que, na medida do possível, integrasse os contributos das dez escolas de formação da estratégia. A base teórica ampliada viria a permitir a construção de um inquérito a ser administrado, directamente, através do correio electrónico aos gestores de topo das universidades e dos institutos politécnicos; e, aos dirigentes das unidades orgânicas que, nas instituições estudadas, estão vocacionadas para o ensino das ciências agrárias. Apesar dos inquiridos possuírem agendas sobrecarregadas, a sua participação no estudo foi excelente, traduzindo-se numa taxa de resposta de 62,5%. A avaliação da eficácia organizacional revela que muito, ainda, há a fazer no ensino superior agrário uma vez que os níveis de eficácia nos diferentes domínios são, globalmente, sofríveis. Apesar disso, o critério da qualidade obtém uma classificação elevada. De igual modo, os aspectos comportamentais característicos da dimensão das relações humanas e da dimensão dos objectivos racionais foram mais valorizados pelos gestores de topo das instituições de ambos subsistemas. Pelo contrário, nas unidades orgânicas, os níveis de eficácia elevados devem-se, segundo os seus dirigentes, ao critério da qualidade; ao critério racional e ao critério burocrático. Nestas instituições, o planeamento estratégico aspira à definição de alternativas estratégicas deliberadas na linha das escolas prescritivas. As estratégias emergentes não têm lugar nas organizações/unidades orgânicas, possivelmente, porque, apesar da complexidade da envolvente ser alta, a estabilidade é, igualmente, alta. No entanto, este panorama está a mudar uma vez que a estabilidade de que o sector gozava está, actualmente, a ser posta em causa devido a factores de vária ordem, nomeadamente, a diminuição real do financiamento, a diminuição da procura e a adaptação das formações ministradas no quadro da declaração de Bolonha. A adaptação das organizações estudadas ao meio ambiente externo passa, por isso, pela descentralização do poder que lhes conferirá maior flexibilidade. Por essa via, as estratégias emergentes poderão irromper a partir de acções não planeadas. O output do modelo de regressão logística binária (logit) obtido a partir dos dados da amostra dos gestores de topo permitiu definir um modelo de planeamento estratégico para o ensino superior agrário português bastante amputado face ao modelo de planeamento estratégico proposto. De facto, das nove fases propostas apenas quatro integram o modelo final. Trata-se da definição de objectivos, da análise externa, do padrão de referência e do processo de orçamentação. Destas, apenas as três últimas têm um contributo positivo para a eficácia das organizações objecto do estudo. |
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