Publicação
Caracterização química e propriedades bioativas de resíduos industriais da produção de óleo de noz (Juglans regia L.)
| Resumo: | As borras obtidas na produção de óleo de noz podem ser consideradas como um dos principais subprodutos desta indústria, sendo atualmente reaproveitados como fertilizante ou na alimentação animal [1]. Neste sentido, tendo por objetivo final a valorização deste subproduto, este trabalho consistiu na caracterização química e avaliação da bioatividade das borras geradas na produção de óleo de noz. As borras industriais foram analisadas no que respeita o teor em açúcares livres e tocoferóis usando cromatografia líquida acoplada a detetores de índice de refração (HPLC-RI) e de fluorescência (HPLC-FL), respetivamente. Os ácidos gordos foram determinados por cromatografia gasosa com deteção de ionização de chama (GC-FID), os ácidos orgânicos por cromatografia líquida ultrarrápida acoplada a um detetor de díodos (UPLC-DAD) e os compostos fenólicos por HPLC com deteção DAD e espectrometria de massa (HPLC-DAD-ESI-MS/MS). Adicionalmente, avaliou-se a atividade antioxidante e antimicrobiana do extrato hidroetanólico obtido a partir das borras. A atividade antioxidante foi determinada através de três ensaios in vitro (inibição da peroxidação lipídica por substâncias reativas ao ácido tiobarbitúrico (TBARS) em homogeneizados cerebrais, e atividade antioxidante celular (CAA)) e a atividade antimicrobiana pelo método de microdiluição contra um painel de bactérias e fungos. As borras de nozes apresentaram uma predominância em ácidos gordos polinsaturados, sendo o ácido linoleico o maioritário, apresentando um teor superior a 55%. Em relação aos tocoferóis, foram observadas as isoformas α, γ e δ, sendo o γ-tocoferol o composto predominante (89 mg/100 g). Apenas a sacarose foi identificada no que concerne os açucares livres, e o ácido quinico foi o maioritário (1,06 mg/100 g) entre os cinco ácidos orgânicos identificados. No que respeita a composição fenólica do extrato, observou-se uma predominância de derivados da catequina (flavan-3-ois) e taninos hidrolisáveis. O extrato das borras de nozes demonstrou interessante atividade antioxidante, apresentando ótimos valores de EC50 (TBARS: 32,84 g/mL) e % de inibição (CAA: 90%). Contudo, o extrato não apresentou atividade significativa contra as bactérias e fungos testados. Os resultados deste trabalho demonstram o potencial deste resíduo industrial dada a sua elevada atividade antioxidante e composição em nutrientes e compostos bioativos, podendo o mesmo ser futuramente explorado através da sua incorporação em produtos alimentares, agregando valor à cadeia produtiva de óleo de noz. |
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| Autores principais: | Sprea, Rafael M. |
| Outros Autores: | Finimundy, Tiane C.; Pinela, José; Calhelha, Ricardo C.; Pires, Tânia C.S.; Amaral, Joana S.; Prieto Lage, Miguel A.; Barros, Lillian |
| Assunto: | Óleo de noz Juglans regia L. Research Subject Categories::TECHNOLOGY::Chemical engineering::Food technology |
| Ano: | 2022 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | documento de conferência |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Instituto Politécnico de Bragança |
| Idioma: | português |
| Origem: | Biblioteca Digital do IPB |
| Resumo: | As borras obtidas na produção de óleo de noz podem ser consideradas como um dos principais subprodutos desta indústria, sendo atualmente reaproveitados como fertilizante ou na alimentação animal [1]. Neste sentido, tendo por objetivo final a valorização deste subproduto, este trabalho consistiu na caracterização química e avaliação da bioatividade das borras geradas na produção de óleo de noz. As borras industriais foram analisadas no que respeita o teor em açúcares livres e tocoferóis usando cromatografia líquida acoplada a detetores de índice de refração (HPLC-RI) e de fluorescência (HPLC-FL), respetivamente. Os ácidos gordos foram determinados por cromatografia gasosa com deteção de ionização de chama (GC-FID), os ácidos orgânicos por cromatografia líquida ultrarrápida acoplada a um detetor de díodos (UPLC-DAD) e os compostos fenólicos por HPLC com deteção DAD e espectrometria de massa (HPLC-DAD-ESI-MS/MS). Adicionalmente, avaliou-se a atividade antioxidante e antimicrobiana do extrato hidroetanólico obtido a partir das borras. A atividade antioxidante foi determinada através de três ensaios in vitro (inibição da peroxidação lipídica por substâncias reativas ao ácido tiobarbitúrico (TBARS) em homogeneizados cerebrais, e atividade antioxidante celular (CAA)) e a atividade antimicrobiana pelo método de microdiluição contra um painel de bactérias e fungos. As borras de nozes apresentaram uma predominância em ácidos gordos polinsaturados, sendo o ácido linoleico o maioritário, apresentando um teor superior a 55%. Em relação aos tocoferóis, foram observadas as isoformas α, γ e δ, sendo o γ-tocoferol o composto predominante (89 mg/100 g). Apenas a sacarose foi identificada no que concerne os açucares livres, e o ácido quinico foi o maioritário (1,06 mg/100 g) entre os cinco ácidos orgânicos identificados. No que respeita a composição fenólica do extrato, observou-se uma predominância de derivados da catequina (flavan-3-ois) e taninos hidrolisáveis. O extrato das borras de nozes demonstrou interessante atividade antioxidante, apresentando ótimos valores de EC50 (TBARS: 32,84 g/mL) e % de inibição (CAA: 90%). Contudo, o extrato não apresentou atividade significativa contra as bactérias e fungos testados. Os resultados deste trabalho demonstram o potencial deste resíduo industrial dada a sua elevada atividade antioxidante e composição em nutrientes e compostos bioativos, podendo o mesmo ser futuramente explorado através da sua incorporação em produtos alimentares, agregando valor à cadeia produtiva de óleo de noz. |
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