Publicação
Estudo da estabilidade e atividade biológica de bagaço de uva (Merlot) após simulação da digestão gastrointestinal e fermentação colónica
| Resumo: | A produção de vinho representa hoje em dia uma das maiores atividades agroindustriais a nível mundial. Como consequência gera uma enorme quantidade de subprodutos (bagaço e borras) que representam por vezes até 30% das uvas vinificadas, sendo a maioria completamente descartados sem tratamento adequado e/ou outras finalidades [1-4]. O bagaço de uva representa, por isso, um abundante e acessível subproduto industrial que contém uma grande variedade de compostos bioativos, nomeadamente fenólicos, que têm sido relacionados com benefícios para a saúde do consumidor [l]. O objetivo deste estudo foi mimetizar a digestão gastrointestinal e a fermentação colónica de bagaço de uva de Merlot, de forma a avaliar uma possível redução do conteúdo em fitoquímicos, correlacionando o perfil de compostos fenólicos com as suas atividades biológicas. Assim, foram caracterizados três extratos de bagaço (inicial, digerido e fermentado) relativamente ao seu conteúdo em compostos fenólicos antociânicos e não antociânicos por HPLC-DAD-ESI/MS. Além disso, foi também a valiado o seu potencial antioxidante, antibacteriano e citotóxico para células tumorais e não-tumorais. Os compostos fenólicos mais abundantes identificados nas três amostras estudadas foram um dímero de (epi)catequina tipo B, (+)-catequina e (-)-epicatequina. Foram identificados vinte compostos fenólicos não antociânicos na amostra inicial (66 mg/g de extrato), tendo sido significativamente reduzidos para 11 compostos após digestão invitro. Foram identificadas cinco antocianinas, no entanto, as quantidades diminuíram imenso após digestão e fermentação. Pelos resultados obtidos podemos concluir que o processo de digestão in vitro promoveu drásticas reduções qualitativas e quantitativas no perfil de compostos fenólicos no extrato micial de bagaço de uvas Merlot. Tais alterações podem estar relacionadas com a diminuição de algumas bioatividades do extrato, como é o caso das propriedades antioxidantes e antibacterianas, embora não de forma diretamente proporcional. No entanto, a fermentação colónica teve um efeito positivo sobre o potencial citoóxico do extrato em linhas celulares tumorais humanas. Há ainda um conhecimento muito escasso sobre a estabilidade dos compostos fenólicos de Bagaço de uva e propriedades bioativas durante a digestão gastrointestinal e fermentação colónica, no entanto, os resultados obtidos poderão ser de grande utilidade para o desenvolvimento de novos suplementos nutracêuticos e produtos alimentares funcionalizados. |
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| Autores principais: | Corrêa, Rúbia C.G. |
| Outros Autores: | Haminiuk, Charles Windson Isidoro; Barros, Lillian; Dias, Maria Inês; Calhelha, Ricardo C.; Kato-Schwartz, Camila Gabriel; Correa, Vanesa G.; Peralta, Rosane M.; Ferreira, Isabel C.F.R. |
| Assunto: | Bagaço de uva Merlot |
| Ano: | 2018 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | documento de conferência |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Instituto Politécnico de Bragança |
| Idioma: | português |
| Origem: | Biblioteca Digital do IPB |
| Resumo: | A produção de vinho representa hoje em dia uma das maiores atividades agroindustriais a nível mundial. Como consequência gera uma enorme quantidade de subprodutos (bagaço e borras) que representam por vezes até 30% das uvas vinificadas, sendo a maioria completamente descartados sem tratamento adequado e/ou outras finalidades [1-4]. O bagaço de uva representa, por isso, um abundante e acessível subproduto industrial que contém uma grande variedade de compostos bioativos, nomeadamente fenólicos, que têm sido relacionados com benefícios para a saúde do consumidor [l]. O objetivo deste estudo foi mimetizar a digestão gastrointestinal e a fermentação colónica de bagaço de uva de Merlot, de forma a avaliar uma possível redução do conteúdo em fitoquímicos, correlacionando o perfil de compostos fenólicos com as suas atividades biológicas. Assim, foram caracterizados três extratos de bagaço (inicial, digerido e fermentado) relativamente ao seu conteúdo em compostos fenólicos antociânicos e não antociânicos por HPLC-DAD-ESI/MS. Além disso, foi também a valiado o seu potencial antioxidante, antibacteriano e citotóxico para células tumorais e não-tumorais. Os compostos fenólicos mais abundantes identificados nas três amostras estudadas foram um dímero de (epi)catequina tipo B, (+)-catequina e (-)-epicatequina. Foram identificados vinte compostos fenólicos não antociânicos na amostra inicial (66 mg/g de extrato), tendo sido significativamente reduzidos para 11 compostos após digestão invitro. Foram identificadas cinco antocianinas, no entanto, as quantidades diminuíram imenso após digestão e fermentação. Pelos resultados obtidos podemos concluir que o processo de digestão in vitro promoveu drásticas reduções qualitativas e quantitativas no perfil de compostos fenólicos no extrato micial de bagaço de uvas Merlot. Tais alterações podem estar relacionadas com a diminuição de algumas bioatividades do extrato, como é o caso das propriedades antioxidantes e antibacterianas, embora não de forma diretamente proporcional. No entanto, a fermentação colónica teve um efeito positivo sobre o potencial citoóxico do extrato em linhas celulares tumorais humanas. Há ainda um conhecimento muito escasso sobre a estabilidade dos compostos fenólicos de Bagaço de uva e propriedades bioativas durante a digestão gastrointestinal e fermentação colónica, no entanto, os resultados obtidos poderão ser de grande utilidade para o desenvolvimento de novos suplementos nutracêuticos e produtos alimentares funcionalizados. |
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