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Processo de comercialização e transformação da castanha de caju na Guiné-Bissau de 2017 a 2021 desafios e oportunidades

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Resumo:A indústria da castanha de caju na Guiné-Bissau é fundamental para economia e a sociedade do país, representando uma das principais fontes de rendimento para os agricultores e para a exportação. Entre 2017 e 2021, o setor enfrentou desafios na produção, comercialização e transformação, com a maior parte da castanha de caju a ser exportada in natura, o que gera perda de valor económico. A cadeia produtiva da castanha de caju envolve várias etapas, desde o cultivo tradicional até ao seu processamento, o que limita a agregação de valor ao produto e das receitas para o país. A dependência da castanha de caju como principal produto de exportação, que representa cerca de 90% das receitas de exportação, torna a economia do país vulnerável às flutuações do mercado internacional. O setor apresenta dificuldades estruturais, como baixa mecanização, insuficiência de infraestruturas e falta de capacitação técnica, além de uma forte presença de operadores estrangeiros na comercialização. No âmbito das políticas públicas, a Guiné-Bissau tem implementado iniciativas para promover a comercialização e transformação da castanha de caju. Destacam-se programas de apoio à capacitação de agricultores e operadores locais, bem como na criação de centros de agregação e processamento, visando incentivar a transformação local do produto. Contudo, essas políticas ainda se mostram pouco eficazes devido à insuficiência de recursos, à falta de uma estratégia de diversificação e ao pouco investimento na modernização da indústria. A ausência de uma política coordenada de incentivo à transformação, que gere valor agregado, tem limitado o desenvolvimento sustentável do setor. A análise de custos realizada demonstra que a transformação local da castanha de caju é economicamente viável, apresentando uma margem de lucro significativamente superior à obtida na exportação em bruto. Os resultados da análise de sensibilidade reforçam esta conclusão, revelando que, mesmo em cenários adversos de variação de preços ou de custos operacionais, a industrialização do produto mantém-se vantajosa do ponto de vista económico. Estes dados sustentam a necessidade de reorientar as políticas públicas para o incentivo à transformação local, com foco na criação de condições estruturais, financeiras e logísticas que promovam a valorização interna da castanha de caju. Embora o mercado global da castanha de caju esteja em crescimento, a modernização do processamento e uma política de incentivo à transformação local poderiam ampliar a rentabilidade, reduzir a dependência de exportação da castanha in natura e promover o desenvolvimento socioeconómico do país. A adoção das políticas públicas mais estruturadas e sustentáveis é essencial para fortalecer a cadeia produtiva e garantir uma participação mais significativa na cadeia de valor.
Autores principais:Cassamá, Idrissa
Assunto:Comercialização Processamento Castanha de caju Políticas públicas Guiné- Bissau
Ano:2025
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Instituto Politécnico de Bragança
Idioma:português
Origem:Biblioteca Digital do IPB
Descrição
Resumo:A indústria da castanha de caju na Guiné-Bissau é fundamental para economia e a sociedade do país, representando uma das principais fontes de rendimento para os agricultores e para a exportação. Entre 2017 e 2021, o setor enfrentou desafios na produção, comercialização e transformação, com a maior parte da castanha de caju a ser exportada in natura, o que gera perda de valor económico. A cadeia produtiva da castanha de caju envolve várias etapas, desde o cultivo tradicional até ao seu processamento, o que limita a agregação de valor ao produto e das receitas para o país. A dependência da castanha de caju como principal produto de exportação, que representa cerca de 90% das receitas de exportação, torna a economia do país vulnerável às flutuações do mercado internacional. O setor apresenta dificuldades estruturais, como baixa mecanização, insuficiência de infraestruturas e falta de capacitação técnica, além de uma forte presença de operadores estrangeiros na comercialização. No âmbito das políticas públicas, a Guiné-Bissau tem implementado iniciativas para promover a comercialização e transformação da castanha de caju. Destacam-se programas de apoio à capacitação de agricultores e operadores locais, bem como na criação de centros de agregação e processamento, visando incentivar a transformação local do produto. Contudo, essas políticas ainda se mostram pouco eficazes devido à insuficiência de recursos, à falta de uma estratégia de diversificação e ao pouco investimento na modernização da indústria. A ausência de uma política coordenada de incentivo à transformação, que gere valor agregado, tem limitado o desenvolvimento sustentável do setor. A análise de custos realizada demonstra que a transformação local da castanha de caju é economicamente viável, apresentando uma margem de lucro significativamente superior à obtida na exportação em bruto. Os resultados da análise de sensibilidade reforçam esta conclusão, revelando que, mesmo em cenários adversos de variação de preços ou de custos operacionais, a industrialização do produto mantém-se vantajosa do ponto de vista económico. Estes dados sustentam a necessidade de reorientar as políticas públicas para o incentivo à transformação local, com foco na criação de condições estruturais, financeiras e logísticas que promovam a valorização interna da castanha de caju. Embora o mercado global da castanha de caju esteja em crescimento, a modernização do processamento e uma política de incentivo à transformação local poderiam ampliar a rentabilidade, reduzir a dependência de exportação da castanha in natura e promover o desenvolvimento socioeconómico do país. A adoção das políticas públicas mais estruturadas e sustentáveis é essencial para fortalecer a cadeia produtiva e garantir uma participação mais significativa na cadeia de valor.