Publicação
Avaliação da capacidade funcional de extratos de Ruscus aculeatus L
| Resumo: | As plantas, utilizadas pelos seres humanos pelas suas capacidades aromáticas, alimentares e medicinais, são fonte de uma grande diversidade de compostos naturais. Deste modo, e também devido à intensificação da procura de substâncias naturais biologicamente ativas, o interesse da utilização de produtos naturais tem vindo a aumentar substancialmente. Contudo, as plantas têm na sua composição misturas complexas de componentes químicos que apresentam diversas ações biológicas e farmacológicas, pelo que a sua aplicação para fins medicinais carece ainda de muita investigação e experimentação, nomeadamente de ensaios clínicos, que aprovem a sua utilização terapêutica. Ruscus aculeatus L. (família botânica Asparagaceae), é uma espécie utilizada na medicina tradicional, em diversas partes do mundo. As partes aéreas são utilizadas principalmente como diuréticos e a parte subterrânea pode ser utilizada para vários fins, como por exemplo, no tratamento de distúrbios do sistema urinário e como laxante. Na presente dissertação, a parte aérea e, as raízes e rizomas de R. aculeatus L., foram caracterizados quimicamente no que se refere ao conteúdo em compostos fenólicos e propriedades bioativas. Para tal, foram preparados extratos distintos, aquosos (infusões e decocções) e hidroalcoólicos das 2 partes mencionadas da planta. O perfil fenólico de cada extrato foi avaliado por HPLC-DAD-ESI/MS e foram também analisados relativamente às suas bioatividades (atividade antioxidante, citotóxica, anti-inflamatória e antibacteriana). O potencial antioxidante foi avaliado através de dois ensaios celulares distintos: inibição da peroxidação lipídica em tecidos cerebrais de porco (TBARS) e inibição da hemólise oxidativa (OxHILA). As propriedades citotóxicas dos extratos foram avaliadas em quatro linhas celulares tumorais humanas: HeLa (carcionama cervical), NCI H460 (carcinoma de pulmão), MCF-7 (carcinoma da mama) e HepG2 (carcinoma hepatocelular); por sua vez, a citotoxicidade em células não tumorais foi avaliada numa cultura de células não tumorais: PLP2 (cultura primária de células de fígado de porco). A atividade anti-inflamatória foi avaliada utilizando uma linha celular de macrófagos de rato RAW 264.7. A atividade antibacteriana foi avaliada através da técnica de microdiluição, juntamente com o método colorimétrico de deteção rápida com cloreto de p-iodonitrotetrazólio (INT). Através da análise do perfil fenólico dos extratos de R. aculeatus, nove compostos fenólicos foram detetados nos diferentes extratos. O extrato hidroalcoólico da parte aérea apresentou os teores mais elevados em compostos fenólicos, seguido dos extratos aquosos. A apigenina-C-hexósido-C-pentósido isómero II foi o composto maioritário nos extratos aquosos e, no extrato hidroalcoólico foi a quercetina-O-desoxihexósido-hexósido seguida da apigenina-C-hexósido-C-pentósido isómero II. No que diz respeito às bioatividades dos extratos, os resultados apresentaram diferenças significativas consoante o tipo de extrato. No ensaio de TBARS, o extrato hidroalcoólico, foi o que apresentou melhor atividade tanto o da parte aérea como o das raízes e rizomas. No ensaio de OxHILA, os extratos que revelaram melhor atividade para a parte aérea e, para as raízes e rizomas foram a infusão e o hidroalcoólico, respetivamente. Os extratos aquosos da parte aérea e apenas a infusão do extrato de raízes e rizomas, não apresentaram toxicidade em células de fígado de porco saudáveis, enquanto os extratos hidroalcoólicos da parte aérea e raiz e rizoma, bem como a decocção da raiz e rizoma, apresentaram toxicidade contra esta linha celular. O extrato hidroalcoólico da parte aérea foi o que apresentou resultado efetivo na inibição de 50% da produção de óxido nítrico. Nos extratos aquosos, apenas a decocção das raízes e rizoma apresentou atividade anti-inflamatória. No ensaio da avaliação da atividade antibacteriana, a decocção da parte aérea foi efetiva contra a estirpe MRSA – Staphylococcus aureus resistente à meticilina. O presente trabalho permitiu comprovar o potencial biológico associado a esta espécie, em particular às suas bioatividades. |
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| Autores principais: | Rodrigues, Joana P.B. |
| Assunto: | Ruscus aculeatus L. Gilbardeira Falso-azevinho Parte aérea de Ruscus Raízes e rizomas de Ruscus Bioatividades |
| Ano: | 2020 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso restrito |
| Instituição associada: | Instituto Politécnico de Bragança |
| Idioma: | português |
| Origem: | Biblioteca Digital do IPB |
| Resumo: | As plantas, utilizadas pelos seres humanos pelas suas capacidades aromáticas, alimentares e medicinais, são fonte de uma grande diversidade de compostos naturais. Deste modo, e também devido à intensificação da procura de substâncias naturais biologicamente ativas, o interesse da utilização de produtos naturais tem vindo a aumentar substancialmente. Contudo, as plantas têm na sua composição misturas complexas de componentes químicos que apresentam diversas ações biológicas e farmacológicas, pelo que a sua aplicação para fins medicinais carece ainda de muita investigação e experimentação, nomeadamente de ensaios clínicos, que aprovem a sua utilização terapêutica. Ruscus aculeatus L. (família botânica Asparagaceae), é uma espécie utilizada na medicina tradicional, em diversas partes do mundo. As partes aéreas são utilizadas principalmente como diuréticos e a parte subterrânea pode ser utilizada para vários fins, como por exemplo, no tratamento de distúrbios do sistema urinário e como laxante. Na presente dissertação, a parte aérea e, as raízes e rizomas de R. aculeatus L., foram caracterizados quimicamente no que se refere ao conteúdo em compostos fenólicos e propriedades bioativas. Para tal, foram preparados extratos distintos, aquosos (infusões e decocções) e hidroalcoólicos das 2 partes mencionadas da planta. O perfil fenólico de cada extrato foi avaliado por HPLC-DAD-ESI/MS e foram também analisados relativamente às suas bioatividades (atividade antioxidante, citotóxica, anti-inflamatória e antibacteriana). O potencial antioxidante foi avaliado através de dois ensaios celulares distintos: inibição da peroxidação lipídica em tecidos cerebrais de porco (TBARS) e inibição da hemólise oxidativa (OxHILA). As propriedades citotóxicas dos extratos foram avaliadas em quatro linhas celulares tumorais humanas: HeLa (carcionama cervical), NCI H460 (carcinoma de pulmão), MCF-7 (carcinoma da mama) e HepG2 (carcinoma hepatocelular); por sua vez, a citotoxicidade em células não tumorais foi avaliada numa cultura de células não tumorais: PLP2 (cultura primária de células de fígado de porco). A atividade anti-inflamatória foi avaliada utilizando uma linha celular de macrófagos de rato RAW 264.7. A atividade antibacteriana foi avaliada através da técnica de microdiluição, juntamente com o método colorimétrico de deteção rápida com cloreto de p-iodonitrotetrazólio (INT). Através da análise do perfil fenólico dos extratos de R. aculeatus, nove compostos fenólicos foram detetados nos diferentes extratos. O extrato hidroalcoólico da parte aérea apresentou os teores mais elevados em compostos fenólicos, seguido dos extratos aquosos. A apigenina-C-hexósido-C-pentósido isómero II foi o composto maioritário nos extratos aquosos e, no extrato hidroalcoólico foi a quercetina-O-desoxihexósido-hexósido seguida da apigenina-C-hexósido-C-pentósido isómero II. No que diz respeito às bioatividades dos extratos, os resultados apresentaram diferenças significativas consoante o tipo de extrato. No ensaio de TBARS, o extrato hidroalcoólico, foi o que apresentou melhor atividade tanto o da parte aérea como o das raízes e rizomas. No ensaio de OxHILA, os extratos que revelaram melhor atividade para a parte aérea e, para as raízes e rizomas foram a infusão e o hidroalcoólico, respetivamente. Os extratos aquosos da parte aérea e apenas a infusão do extrato de raízes e rizomas, não apresentaram toxicidade em células de fígado de porco saudáveis, enquanto os extratos hidroalcoólicos da parte aérea e raiz e rizoma, bem como a decocção da raiz e rizoma, apresentaram toxicidade contra esta linha celular. O extrato hidroalcoólico da parte aérea foi o que apresentou resultado efetivo na inibição de 50% da produção de óxido nítrico. Nos extratos aquosos, apenas a decocção das raízes e rizoma apresentou atividade anti-inflamatória. No ensaio da avaliação da atividade antibacteriana, a decocção da parte aérea foi efetiva contra a estirpe MRSA – Staphylococcus aureus resistente à meticilina. O presente trabalho permitiu comprovar o potencial biológico associado a esta espécie, em particular às suas bioatividades. |
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