Publicação

Erosão do solo em áreas de matos de montanha: efeito do fogo controlado

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:Atualmente um dos maiores problemas ambientais ao nível do globo é a perda de solo por erosão. O agente erosivo pode provocar perdas significativas de nutrientes e matéria orgânica, principalmente quando a superfície do solo suporta um reduzido coberto vegetal. Em Portugal, o fogo controlado é uma prática comumente utilizada na gestão da disponibilidade de combustível e consequente redução do risco de incêndio. Contudo, esta prática remove em grande parte a cobertura vegetal, deixando o solo mais exposto aos processos erosivos. Neste sentido, o presente trabalho tem como objetivo avaliar o efeito do fogo controlado na erosão hídrica em áreas de matos do Parque Natural de Montesinho, NE Portugal. Após o fogo controlado, foram instaladas oito microparcelas de erosão de 4 m2 cada (4 × 1 m), para avaliação da perda de solo e do escoamento superficial na área queimada. Os resultados englobam 19 meses de ensaio (março de 2021 a novembro de 2022), perfazendo um total de 10 colheitas. Até à sexta colheita, inclusive, todas as microparcelas mantiveram-se com o solo original. A partir desta colheita foram criados 4 tratamentos, representados pela adição de três tipos de condicionadores do solo nas microparcelas (Tecnossolo, poliacrilamida, composto de bagaço de azeitona) e a testemunha (solo original), com 2 repetições por tratamento. O volume de água de escoamento e a perda de solo foram obtidos através de cálculos que englobaram o escoamento, os sedimentos transportados em suspensão no escoamento e os sedimentos depositados no dispositivo frontal das microparcelas de erosão (colocação de uma peça metálica que permitiu a recolha dos sedimentos transportados). Até à sexta colheita (todas as microparcelas com solo original exposto aos agentes erosivos), a perda de solo total foi de 92,1 g m-2, o escoamento superficial total foi de 8,4 mm, traduzindo-se num coeficiente de escoamento de 3,6%. Após a sétima colheita, a perda de solo total foi de 33,1 g m-2 para o solo original, 63,4 g m-2 para o tratamento com tecnossolo, 59,4 g m2 para a poliacrilamida e 64,8 g m-2 para o composto. Os valores de escoamento e coeficiente de escoamento foram, respectivamente de 1,9 mm e 2,3% para o solo original, 0,8 mm e 1,0% para o tecnossolo, 1,6 mm e 1,8% para a poliacrilamida e 2,1 mm e 2,5% para o composto. Para avaliação das perdas de C e N, os sedimentos foram separados em 4 classes de tamanho (<0,2 mm, 0,2-0,5 mm, 0,5-2 mm, >2 mm) e analisadas em laboratórios as concentrações de C e N. A baixa precipitação total, durante o período de ensaio, ocasionou baixos valores de escoamento e, portanto, baixos valores de perda de solo, de C e de N.
Autores principais:Alves, Leonardo Kipper
Assunto:Perda de solo Escoamento superficial Nutrientes Portugal
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Instituto Politécnico de Bragança
Idioma:português
Origem:Biblioteca Digital do IPB
Descrição
Resumo:Atualmente um dos maiores problemas ambientais ao nível do globo é a perda de solo por erosão. O agente erosivo pode provocar perdas significativas de nutrientes e matéria orgânica, principalmente quando a superfície do solo suporta um reduzido coberto vegetal. Em Portugal, o fogo controlado é uma prática comumente utilizada na gestão da disponibilidade de combustível e consequente redução do risco de incêndio. Contudo, esta prática remove em grande parte a cobertura vegetal, deixando o solo mais exposto aos processos erosivos. Neste sentido, o presente trabalho tem como objetivo avaliar o efeito do fogo controlado na erosão hídrica em áreas de matos do Parque Natural de Montesinho, NE Portugal. Após o fogo controlado, foram instaladas oito microparcelas de erosão de 4 m2 cada (4 × 1 m), para avaliação da perda de solo e do escoamento superficial na área queimada. Os resultados englobam 19 meses de ensaio (março de 2021 a novembro de 2022), perfazendo um total de 10 colheitas. Até à sexta colheita, inclusive, todas as microparcelas mantiveram-se com o solo original. A partir desta colheita foram criados 4 tratamentos, representados pela adição de três tipos de condicionadores do solo nas microparcelas (Tecnossolo, poliacrilamida, composto de bagaço de azeitona) e a testemunha (solo original), com 2 repetições por tratamento. O volume de água de escoamento e a perda de solo foram obtidos através de cálculos que englobaram o escoamento, os sedimentos transportados em suspensão no escoamento e os sedimentos depositados no dispositivo frontal das microparcelas de erosão (colocação de uma peça metálica que permitiu a recolha dos sedimentos transportados). Até à sexta colheita (todas as microparcelas com solo original exposto aos agentes erosivos), a perda de solo total foi de 92,1 g m-2, o escoamento superficial total foi de 8,4 mm, traduzindo-se num coeficiente de escoamento de 3,6%. Após a sétima colheita, a perda de solo total foi de 33,1 g m-2 para o solo original, 63,4 g m-2 para o tratamento com tecnossolo, 59,4 g m2 para a poliacrilamida e 64,8 g m-2 para o composto. Os valores de escoamento e coeficiente de escoamento foram, respectivamente de 1,9 mm e 2,3% para o solo original, 0,8 mm e 1,0% para o tecnossolo, 1,6 mm e 1,8% para a poliacrilamida e 2,1 mm e 2,5% para o composto. Para avaliação das perdas de C e N, os sedimentos foram separados em 4 classes de tamanho (<0,2 mm, 0,2-0,5 mm, 0,5-2 mm, >2 mm) e analisadas em laboratórios as concentrações de C e N. A baixa precipitação total, durante o período de ensaio, ocasionou baixos valores de escoamento e, portanto, baixos valores de perda de solo, de C e de N.