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Estudo da prevalência da síndrome metabólica e da contribuição relativa dos seus componentes em indivíduos adultos do distrito de Bragança

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A compreensão do fator de ponderação de cada componente na alteração do estado da Síndrome Metabólica (SM) pode ajudar a prever a sua progressão para as doenças cardiovasculares (DCV) e metabólicas. Por outro lado, sabe-se que a prevalência de SM na população portuguesa é elevada, no entanto o último relatório epidemiológico realizado em Portugal reporta-se a 2017, sendo, por isso, necessário uma atualização destes dados. Objetivos: (1) caracterizar a prevalência do SM e dos seus componentes numa subpopulação portuguesa adulta e idosa do distrito de Bragança, de acordo com a idade e o sexo; (2) desenvolver um modelo confirmatório, por análise de modelos de equações estruturais (MEE), para descrever e explicar o efeito direto e indireto de cada componente na alteração do estado de SM na população em estudo. Métodos: Realizou-se uma análise observacional, retrospetiva e transversal com base nos registos clínicos de pacientes de dois centros de saúde primários (CSP) do distrito de Bragança, recolhidos entre Janeiro de 2019 e Dezembro de 2020. A amostra de estudo incluiu um total de 6570 indivíduos, com idades compreendidas entre 18 – 102 anos, concretamente 3865 mulheres (57,37 ± 18,67 anos) e 2705 homens (59,97 ± 16,76 anos). A SM foi definida de acordo com a definição harmonizada (HARM2009/JIS), tendo-se realizada uma regressão logística binária para analisar a prevalência da síndrome de acordo com sexo e da idade. Adicionalmente, procedeu-se a uma abordagem de MEE e a uma ANOVA bidirecional (idade × composição corporal) para comparar a contribuição relativa de cada componente em indivíduos com SM (n = 3581). Resultados: A prevalência de SM no distrito de Bragança foi de 54,51%. A prevalência de SM foi mais elevada nos homens (61,63%) do que nas mulheres (49,52%). Os homens têm 1,53 (95% OR: 1,37 – 1,72; p <0,001) vezes maior probabilidade de vir a desenvolver SM em comparação com as mulheres. O risco de SM aumenta com a idade (OR: 2,68 – 42,57; p <0,001), observando-se um declínio a partir dos oitenta anos (OR: 27,84, 95% IC: 19,19 – 40,38; p <0,001). Os homens apresentaram maior prevalência de excesso de peso (48,50%) e obesidade (28,06%), enquanto as mulheres apresentam maior prevalência de obesidade abdominal (62,07%). O perímetro da cintura (PC) (β = 0,189 – 0,373, p <0,001), a glicose em XX jejum (GJ) (β = 0,168 – 0,199, p <0,001) e a pressão arterial sistólica (PAS) (β = 0,140 – 0,162, p <0,001) apresentaram o maior efeito direto na alteração do estado de SM na população geral e em ambos os sexos. Além disso, a pressão arterial diastólica (PAD), os triglicéridos (TG) e o colesterol de lipoproteínas de alta densidade (HDL-c) exibiram o efeito mais baixo e/ou sem significativo estatístico. Adicionalmente, a idade e a composição corporal apresentaram um efeito indireto na alteração do estado de SM. Conclusões: O presente estudo observou uma elevada prevalência de SM numa subpopulação portuguesa do distrito de Bragança, apresentando um aumento quase linear ao longo da idade para ambos os sexos com um declínio a partir dos oitenta anos. Adicionalmente, a atual investigação fornece o primeiro modelo multivariado para prever a contribuição relativa de cada componente na alteração do estado de SM, especificamente numa população específica de adultos e idosos portugueses.
Autores principais:Teixeira, José Eduardo
Assunto:Síndrome metabólica Prevalência regional Modelação multivariada Doenças cardiovasculares Saúde pública
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Instituto Politécnico de Bragança
Idioma:português
Origem:Biblioteca Digital do IPB
Descrição
Resumo:A compreensão do fator de ponderação de cada componente na alteração do estado da Síndrome Metabólica (SM) pode ajudar a prever a sua progressão para as doenças cardiovasculares (DCV) e metabólicas. Por outro lado, sabe-se que a prevalência de SM na população portuguesa é elevada, no entanto o último relatório epidemiológico realizado em Portugal reporta-se a 2017, sendo, por isso, necessário uma atualização destes dados. Objetivos: (1) caracterizar a prevalência do SM e dos seus componentes numa subpopulação portuguesa adulta e idosa do distrito de Bragança, de acordo com a idade e o sexo; (2) desenvolver um modelo confirmatório, por análise de modelos de equações estruturais (MEE), para descrever e explicar o efeito direto e indireto de cada componente na alteração do estado de SM na população em estudo. Métodos: Realizou-se uma análise observacional, retrospetiva e transversal com base nos registos clínicos de pacientes de dois centros de saúde primários (CSP) do distrito de Bragança, recolhidos entre Janeiro de 2019 e Dezembro de 2020. A amostra de estudo incluiu um total de 6570 indivíduos, com idades compreendidas entre 18 – 102 anos, concretamente 3865 mulheres (57,37 ± 18,67 anos) e 2705 homens (59,97 ± 16,76 anos). A SM foi definida de acordo com a definição harmonizada (HARM2009/JIS), tendo-se realizada uma regressão logística binária para analisar a prevalência da síndrome de acordo com sexo e da idade. Adicionalmente, procedeu-se a uma abordagem de MEE e a uma ANOVA bidirecional (idade × composição corporal) para comparar a contribuição relativa de cada componente em indivíduos com SM (n = 3581). Resultados: A prevalência de SM no distrito de Bragança foi de 54,51%. A prevalência de SM foi mais elevada nos homens (61,63%) do que nas mulheres (49,52%). Os homens têm 1,53 (95% OR: 1,37 – 1,72; p <0,001) vezes maior probabilidade de vir a desenvolver SM em comparação com as mulheres. O risco de SM aumenta com a idade (OR: 2,68 – 42,57; p <0,001), observando-se um declínio a partir dos oitenta anos (OR: 27,84, 95% IC: 19,19 – 40,38; p <0,001). Os homens apresentaram maior prevalência de excesso de peso (48,50%) e obesidade (28,06%), enquanto as mulheres apresentam maior prevalência de obesidade abdominal (62,07%). O perímetro da cintura (PC) (β = 0,189 – 0,373, p <0,001), a glicose em XX jejum (GJ) (β = 0,168 – 0,199, p <0,001) e a pressão arterial sistólica (PAS) (β = 0,140 – 0,162, p <0,001) apresentaram o maior efeito direto na alteração do estado de SM na população geral e em ambos os sexos. Além disso, a pressão arterial diastólica (PAD), os triglicéridos (TG) e o colesterol de lipoproteínas de alta densidade (HDL-c) exibiram o efeito mais baixo e/ou sem significativo estatístico. Adicionalmente, a idade e a composição corporal apresentaram um efeito indireto na alteração do estado de SM. Conclusões: O presente estudo observou uma elevada prevalência de SM numa subpopulação portuguesa do distrito de Bragança, apresentando um aumento quase linear ao longo da idade para ambos os sexos com um declínio a partir dos oitenta anos. Adicionalmente, a atual investigação fornece o primeiro modelo multivariado para prever a contribuição relativa de cada componente na alteração do estado de SM, especificamente numa população específica de adultos e idosos portugueses.