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Escola, comunidade e família: Visão dos professores das escolas rurais de gestão comunitária na Guiné-Bissau

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A relação da escola com a família e a comunidade é uma das temáticas mais debatidas e discutidas no âmbito da investigação em educação. Este assunto torna-se ainda mais pertinente quando falamos dos países em desenvolvimento, em que as escolas nas comunidades assumem uma importante resposta no acesso à educação. Na Guiné-Bissau, a maior parte da população vive em zonas rurais, mas apenas menos de metade dos recursos alocados à educação são distribuídos por essas zonas. Apesar da educação ser reconhecida como um direito fundamental e ser assumida como tendo um papel central no desenvolvimento do país, o atual sistema educativo tem uma baixa qualidade, que se traduz, entre outros aspetos, em fracos resultados de aprendizagem. Este estudo tem como finalidade conhecer a visão que os professores têm acerca da relação da escola com a comunidade e a família. Foram auscultados trinta professores do 1.º ciclo do ensino básico de 17 escolas rurais de gestão comunitária, na região leste da Guiné-Bissau. Para recolha de dados recorreu-se a um questionário de caracterização pessoal e profissional e a entrevistas aos professores, realizadas em grupo focal. Os resultados evidenciam que os professores valorizam as relações da escola com a comunidade e com as famílias e reconhecem a importância da comunidade na gestão da escola. No entanto, identificam alguns constrangimentos, principalmente na falta de compromisso que as comunidades têm na gestão financeira da escola. Algumas escolas demonstram ter uma participação ativa da comunidade, enquanto outras não demonstram nenhum interesse em assumir o seu papel. Os professores revelam que a comunidade, apesar de valorizar a escola como infraestrutura, não se interessa pela qualidade do ensino que as crianças recebem e, algumas vezes, prejudicam o funcionamento da escola. Para concluir, destacamos o papel que as escolas assumem como resposta às necessidades educativas das crianças destas comunidades. Estas, por sua vez, devem assumir o seu papel na relação com as escolas e os professores e deverão entender a importância que a comunidade assume na escola. Torna-se necessário concertar esforços, entre as ONG e outras instituições, para que haja uma maior articulação e definição de papéis dos diferentes intervenientes e se deem passos largos no caminho que é necessário fazer para se alcançar uma educação de qualidade para todos.
Autores principais:Dias, Filipe
Outros Autores:Rodrigues, Maria José
Assunto:escolas comunitárias comunidade famílias Guiné-Bissau
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:comunicação em conferência
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Instituto Politécnico de Bragança
Idioma:português
Origem:Biblioteca Digital do IPB
Descrição
Resumo:A relação da escola com a família e a comunidade é uma das temáticas mais debatidas e discutidas no âmbito da investigação em educação. Este assunto torna-se ainda mais pertinente quando falamos dos países em desenvolvimento, em que as escolas nas comunidades assumem uma importante resposta no acesso à educação. Na Guiné-Bissau, a maior parte da população vive em zonas rurais, mas apenas menos de metade dos recursos alocados à educação são distribuídos por essas zonas. Apesar da educação ser reconhecida como um direito fundamental e ser assumida como tendo um papel central no desenvolvimento do país, o atual sistema educativo tem uma baixa qualidade, que se traduz, entre outros aspetos, em fracos resultados de aprendizagem. Este estudo tem como finalidade conhecer a visão que os professores têm acerca da relação da escola com a comunidade e a família. Foram auscultados trinta professores do 1.º ciclo do ensino básico de 17 escolas rurais de gestão comunitária, na região leste da Guiné-Bissau. Para recolha de dados recorreu-se a um questionário de caracterização pessoal e profissional e a entrevistas aos professores, realizadas em grupo focal. Os resultados evidenciam que os professores valorizam as relações da escola com a comunidade e com as famílias e reconhecem a importância da comunidade na gestão da escola. No entanto, identificam alguns constrangimentos, principalmente na falta de compromisso que as comunidades têm na gestão financeira da escola. Algumas escolas demonstram ter uma participação ativa da comunidade, enquanto outras não demonstram nenhum interesse em assumir o seu papel. Os professores revelam que a comunidade, apesar de valorizar a escola como infraestrutura, não se interessa pela qualidade do ensino que as crianças recebem e, algumas vezes, prejudicam o funcionamento da escola. Para concluir, destacamos o papel que as escolas assumem como resposta às necessidades educativas das crianças destas comunidades. Estas, por sua vez, devem assumir o seu papel na relação com as escolas e os professores e deverão entender a importância que a comunidade assume na escola. Torna-se necessário concertar esforços, entre as ONG e outras instituições, para que haja uma maior articulação e definição de papéis dos diferentes intervenientes e se deem passos largos no caminho que é necessário fazer para se alcançar uma educação de qualidade para todos.