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Fatores de atratividade para a fixação de jovens médicos: (velhos) dilemas entre o interior e o litoral

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Nas últimas décadas tem-se assistido a uma degradação dos recursos humanos no setor da saúde, levando a que uma das questões políticas fundamentais se preocupe com a má distribuição dos médicos pelas diversas zonas geográficas. Perante estas problemáticas, é comum os governos definirem políticas de incentivos para atrair médicos para as zonas mais carenciadas. No entanto, segundo Holte, Kjaer, Abelsen e Olsen (2015), estas políticas nem sempre alcançam os resultados pretendidos. O seu sucesso depende do processo de desenvolvimento e implementação. Os responsáveis pela formulação destas políticas públicas devem considerar, de forma ponderada, quais os objetivos políticos, os mecanismos de influência e os grupos de médicos alvo, com o intuito de maximizar o seu impacto (Holte et al., 2015; Ono, Schoenstein, & Buchan, 2014). Neste sentido, esta dissertação pretende obter resposta para a seguinte questão de investigação: Quais os fatores de atratividade para a fixação dos médicos internos de formação específica em zonas carenciadas, especificamente na Unidade Local de Saúde no Nordeste, E.P.E. (ULSNE)? O pressuposto principal visa compreender quais os fatores de atratividade, intrínsecos e extrínsecos, para a fixação dos médicos internos, que se encontram a frequentar a formação especializada, nesta zona carenciada, de modo a perceber o que os motivaria, após o término da especialidade, a nela permanecer para o exercício da prática médica. Com a resposta a esta questão de investigação pretende-se contribuir para o desenvolvimento e implementação de políticas públicas mais adequadas para corrigir os desequilíbrios da distribuição geográfica dos médicos. A estratégia de investigação adotada segue um paradigma interpretativista, apresentando uma abordagem qualitativa de um estudo de caso, sendo utilizada a técnica de entrevista, realizada a médicos internos de formação específica da ULSNE. A informação recolhida através da realização das entrevistas permitiu verificar os pressupostos assumidos e averiguar que fatores intrínsecos (e.g., origem/educação rural) e extrínsecos (e.g., sistema de apoio à família e incentivos financeiros) contribuem para a escolha, por parte dos médicos internos de formação específica da ULSNE, da zona para a prática médica. Permitiu verificar, também, o impacto reduzido que os incentivos atribuídos pelo Governo apresentam relativamente à decisão dos médicos internos em permanecer na ULSNE, ou noutra zona carenciada, mostrando a necessidade de reformulação da política de incentivos.
Autores principais:Mesquita, Sofia Alexandra Lourenço
Assunto:Fatores de atratividade Fixação de médicos Incentivos Zonas carenciadas
Ano:2019
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Instituto Politécnico de Bragança
Idioma:português
Origem:Biblioteca Digital do IPB
Descrição
Resumo:Nas últimas décadas tem-se assistido a uma degradação dos recursos humanos no setor da saúde, levando a que uma das questões políticas fundamentais se preocupe com a má distribuição dos médicos pelas diversas zonas geográficas. Perante estas problemáticas, é comum os governos definirem políticas de incentivos para atrair médicos para as zonas mais carenciadas. No entanto, segundo Holte, Kjaer, Abelsen e Olsen (2015), estas políticas nem sempre alcançam os resultados pretendidos. O seu sucesso depende do processo de desenvolvimento e implementação. Os responsáveis pela formulação destas políticas públicas devem considerar, de forma ponderada, quais os objetivos políticos, os mecanismos de influência e os grupos de médicos alvo, com o intuito de maximizar o seu impacto (Holte et al., 2015; Ono, Schoenstein, & Buchan, 2014). Neste sentido, esta dissertação pretende obter resposta para a seguinte questão de investigação: Quais os fatores de atratividade para a fixação dos médicos internos de formação específica em zonas carenciadas, especificamente na Unidade Local de Saúde no Nordeste, E.P.E. (ULSNE)? O pressuposto principal visa compreender quais os fatores de atratividade, intrínsecos e extrínsecos, para a fixação dos médicos internos, que se encontram a frequentar a formação especializada, nesta zona carenciada, de modo a perceber o que os motivaria, após o término da especialidade, a nela permanecer para o exercício da prática médica. Com a resposta a esta questão de investigação pretende-se contribuir para o desenvolvimento e implementação de políticas públicas mais adequadas para corrigir os desequilíbrios da distribuição geográfica dos médicos. A estratégia de investigação adotada segue um paradigma interpretativista, apresentando uma abordagem qualitativa de um estudo de caso, sendo utilizada a técnica de entrevista, realizada a médicos internos de formação específica da ULSNE. A informação recolhida através da realização das entrevistas permitiu verificar os pressupostos assumidos e averiguar que fatores intrínsecos (e.g., origem/educação rural) e extrínsecos (e.g., sistema de apoio à família e incentivos financeiros) contribuem para a escolha, por parte dos médicos internos de formação específica da ULSNE, da zona para a prática médica. Permitiu verificar, também, o impacto reduzido que os incentivos atribuídos pelo Governo apresentam relativamente à decisão dos médicos internos em permanecer na ULSNE, ou noutra zona carenciada, mostrando a necessidade de reformulação da política de incentivos.