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Fenologia da Nosemose tipo C (Nosema ceranae) em colônias de abelha ibérica (Apis mellifera iberiensis): relação com a força da colônia

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Resumo:A abelha melífera (Apis mellifera L.) é um importante inseto para o equilíbrio dos ecossistemas, uma vez que promove a polinização de inúmeras espécies vegetais. Porém, as abelhas melíferas nas últimas décadas têm sofrido um grande declínio por diversos fatores, sendo um deles as doenças como Nosemose do tipo C (Nosema ceranae) e a Varroose (Varroa destructor) que têm vindo a propagar-se muito devido ao mercado apícola. Com isso, o principal objetivo do presente trabalho é investigar a relação entre a N. ceranae e a força da colônia, incluindo também avaliação das condições ambientais. Adicionalmente caracterizou-se molecularmente as colônias com o uso do marcador molecular, DNA mitocondrial (mtDNA), através da sequenciação da região intrergénica tRNAleu-cox2. A coleta de abelhas para a análise das taxas de infeção de Nosemose, tal como a avaliação das variáveis da força da colônia (número de quadros cobertos com abelhas adultas, número de quadros com criação, compactação da criação no quadro central, e taxa de infestação de V. destructor), realizou-se com uma periodicidade de dois meses, entre fevereiro a outubro 2018. Parâmetros como peso da colônia e condições ambientais (velocidade do vento, temperatura, precipitação e umidade relativa do ar), bem como monitoramento das condições internas (temperatura e umidade) foram registrados diariamente através de uma estação meteorológica vinculada às balanças automáticas e sensores higrotérmicos, respectivamente. Além disso, foi estimada também a produção de mel das colônias. A correlação entre a força da colônia e taxa de infeção de Nosemose foi estimada através de uma análise de trilha usando um programa estatístico (GENES). Os resultados da caracterização molecular revelaram que 8 das colônias pertecem à linhagem C e 4 pertencem à linhagem M. Em relação à força da colônia, observou-se que, no verão, o número de quadros cobertos com abelhas adultas atingiu uma média de 15 por colônia, e no inverno esse número diminuiu para 7. O mesmo padrão foi observado para as variáveis número de quadros com criação e compactação da criação. Os pesos mostraram um aumento considerável de abril a agosto (estação ativa), com uma média de 37 kg de mel por colmeia. A monitoração interna das colônias mostrou um padrão de estabilidade maior para a temperatura e umidade, de abril a agosto, que coincide com a estação ativa. Em relação às doenças, não foi observado nenhum padrão de infestação de V. destructor. Porém, altas taxas de varroose ocorreram mesmo após o tratamento para algumas colônias (6 de 12). A taxa de infeção da Nosemose tipo C apresentou um padrão sazonal, com pico no início da primavera (80%) e outro menor no outono (52%). Os resultados da análise de trilha explicaram apenas 19% da taxa de infeção por N. ceranae. As variáveis da força da colônia, assim como a varroose, não demonstraram alta associação com a taxa de infeção por N. ceranae. Este estudo foi útil para compreender e determinar os níveis de infeção de N. ceranae nas colônias do nordeste de Portugal, contribuindo para um melhor conhecimento do comportamento deste microsporídio ao longo de um ano.
Autores principais:Ramos Junior, Milton Dias
Assunto:Abelha melífera Doenças Dinâmica populacional Relações Análise de trilha Produção de mel
Ano:2019
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Instituto Politécnico de Bragança
Idioma:português
Origem:Biblioteca Digital do IPB
Descrição
Resumo:A abelha melífera (Apis mellifera L.) é um importante inseto para o equilíbrio dos ecossistemas, uma vez que promove a polinização de inúmeras espécies vegetais. Porém, as abelhas melíferas nas últimas décadas têm sofrido um grande declínio por diversos fatores, sendo um deles as doenças como Nosemose do tipo C (Nosema ceranae) e a Varroose (Varroa destructor) que têm vindo a propagar-se muito devido ao mercado apícola. Com isso, o principal objetivo do presente trabalho é investigar a relação entre a N. ceranae e a força da colônia, incluindo também avaliação das condições ambientais. Adicionalmente caracterizou-se molecularmente as colônias com o uso do marcador molecular, DNA mitocondrial (mtDNA), através da sequenciação da região intrergénica tRNAleu-cox2. A coleta de abelhas para a análise das taxas de infeção de Nosemose, tal como a avaliação das variáveis da força da colônia (número de quadros cobertos com abelhas adultas, número de quadros com criação, compactação da criação no quadro central, e taxa de infestação de V. destructor), realizou-se com uma periodicidade de dois meses, entre fevereiro a outubro 2018. Parâmetros como peso da colônia e condições ambientais (velocidade do vento, temperatura, precipitação e umidade relativa do ar), bem como monitoramento das condições internas (temperatura e umidade) foram registrados diariamente através de uma estação meteorológica vinculada às balanças automáticas e sensores higrotérmicos, respectivamente. Além disso, foi estimada também a produção de mel das colônias. A correlação entre a força da colônia e taxa de infeção de Nosemose foi estimada através de uma análise de trilha usando um programa estatístico (GENES). Os resultados da caracterização molecular revelaram que 8 das colônias pertecem à linhagem C e 4 pertencem à linhagem M. Em relação à força da colônia, observou-se que, no verão, o número de quadros cobertos com abelhas adultas atingiu uma média de 15 por colônia, e no inverno esse número diminuiu para 7. O mesmo padrão foi observado para as variáveis número de quadros com criação e compactação da criação. Os pesos mostraram um aumento considerável de abril a agosto (estação ativa), com uma média de 37 kg de mel por colmeia. A monitoração interna das colônias mostrou um padrão de estabilidade maior para a temperatura e umidade, de abril a agosto, que coincide com a estação ativa. Em relação às doenças, não foi observado nenhum padrão de infestação de V. destructor. Porém, altas taxas de varroose ocorreram mesmo após o tratamento para algumas colônias (6 de 12). A taxa de infeção da Nosemose tipo C apresentou um padrão sazonal, com pico no início da primavera (80%) e outro menor no outono (52%). Os resultados da análise de trilha explicaram apenas 19% da taxa de infeção por N. ceranae. As variáveis da força da colônia, assim como a varroose, não demonstraram alta associação com a taxa de infeção por N. ceranae. Este estudo foi útil para compreender e determinar os níveis de infeção de N. ceranae nas colônias do nordeste de Portugal, contribuindo para um melhor conhecimento do comportamento deste microsporídio ao longo de um ano.