Publicação

Vivências e dinâmicas relacionais no bairro social: o Educador Social como agente de intervenção comunitária

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:A atribuição de casas em bairros de habitação social tende a priorizar apenas o alojamento, menosprezando a integração do indivíduo e a sua satisfação com o local, que podem ser determinadas por diversos fatores. Assim, identificando-se estes locais como tendencialmente estigmatizados e socialmente excluídos, é importante conhecer a perspetiva dos seus habitantes relativamente ao seu quotidiano no bairro e às relações interpessoais que estabelecem dentro e fora deste contexto. Deste modo, através do desenvolvimento de um estudo qualitativo, de tipo exploratório, foram aplicadas quinze entrevistas semiestruturadas na cidade de Bragança, cinco no Bairro Social da Previdência, cinco no Bairro Social da Coxa e cinco no Bairro Social da Mãe d´Água, tendo os participantes sido selecionados de forma aleatória, com o objetivo de dar resposta à questão problema estabelecida: “De que forma habitar num bairro social influência as vivências relacionais e comunitárias dos seus moradores?”. A análise de conteúdo das entrevistas permitiu constatar que, apesar da maioria verbalizar satisfação em residir no bairro, identificam como problemas emergentes a necessidade de reabilitação por parte da Câmara Municipal e a ligação superficial entre vizinhos, sendo a interação limitada a conversas. Pese embora existirem conflitos entre moradores, estes não são valorizados. Contrariamente ao comum identificado pela literatura, apenas foram relatados comportamentos criminais pelos moradores no Bairro Social da Mãe d´Água. De forma a lidar com estes problemas, os participantes descrevem algumas estratégias de coping, especificamente, estratégias de evitamento, reconstituição das diferenças e derivação do descrédito. Não obstante estas problemáticas negativas, os moradores mantêm uma ligação positiva com pessoas exteriores ao bairro e com outras entidades e instituições, não percecionando a estigmatização e a exclusão social. Perante os resultados encontrados, refletiu-se a intervenção do Educador Social no contexto do bairro de habitação social à luz das suas competências e funções, tendo sido identificadas como técnicas a dinâmica de grupos, ações de sensibilização, role playing, mediação socioeducativa e treino de competências sociais.
Autores principais:Fernandes, Márcia Rafaela Alves
Assunto:Bairros sociais Relações interpessoais Educador social
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Instituto Politécnico de Bragança
Idioma:português
Origem:Biblioteca Digital do IPB
Descrição
Resumo:A atribuição de casas em bairros de habitação social tende a priorizar apenas o alojamento, menosprezando a integração do indivíduo e a sua satisfação com o local, que podem ser determinadas por diversos fatores. Assim, identificando-se estes locais como tendencialmente estigmatizados e socialmente excluídos, é importante conhecer a perspetiva dos seus habitantes relativamente ao seu quotidiano no bairro e às relações interpessoais que estabelecem dentro e fora deste contexto. Deste modo, através do desenvolvimento de um estudo qualitativo, de tipo exploratório, foram aplicadas quinze entrevistas semiestruturadas na cidade de Bragança, cinco no Bairro Social da Previdência, cinco no Bairro Social da Coxa e cinco no Bairro Social da Mãe d´Água, tendo os participantes sido selecionados de forma aleatória, com o objetivo de dar resposta à questão problema estabelecida: “De que forma habitar num bairro social influência as vivências relacionais e comunitárias dos seus moradores?”. A análise de conteúdo das entrevistas permitiu constatar que, apesar da maioria verbalizar satisfação em residir no bairro, identificam como problemas emergentes a necessidade de reabilitação por parte da Câmara Municipal e a ligação superficial entre vizinhos, sendo a interação limitada a conversas. Pese embora existirem conflitos entre moradores, estes não são valorizados. Contrariamente ao comum identificado pela literatura, apenas foram relatados comportamentos criminais pelos moradores no Bairro Social da Mãe d´Água. De forma a lidar com estes problemas, os participantes descrevem algumas estratégias de coping, especificamente, estratégias de evitamento, reconstituição das diferenças e derivação do descrédito. Não obstante estas problemáticas negativas, os moradores mantêm uma ligação positiva com pessoas exteriores ao bairro e com outras entidades e instituições, não percecionando a estigmatização e a exclusão social. Perante os resultados encontrados, refletiu-se a intervenção do Educador Social no contexto do bairro de habitação social à luz das suas competências e funções, tendo sido identificadas como técnicas a dinâmica de grupos, ações de sensibilização, role playing, mediação socioeducativa e treino de competências sociais.