Publicação
Desprescrição: perceções em farmácia comunitária
| Resumo: | Introdução: Em Portugal, a maioria dos doentes, especialmente a população mais idosa, apresenta mais do que uma doença crónica, algo conhecido como multimorbilidade. Para diminuir o impacto desta na qualidade de vida e na mortalidade, muitas vezes recorre-se à polifarmacoterapia, podem surgir prescrições inadequadas que incluem a sobreprescrição, subprescrição ou prescrição inadequada, respetivamente na dosagem, duração ou por estarem em desacordo com a necessidade do doente. Desta forma, é necessário considerar e avaliar em que medida são precisas estratégias para garantir que as pessoas estão medicadas de forma adequada, com o objetivo de reduzir os custos sociais do doente e aumentar os ganhos em saúde através da redução do risco de interações medicamentosas. A desprescrição é um processo planeado e supervisionado de interrupção do uso ou de redução da dose de um medicamento, com a intenção de melhorar a qualidade de vida do indivíduo e reduzir os riscos associados a efeitos adversos. A articulação e ação de todos os profissionais de saúde no sentido de identificar e capacitar os pacientes no acompanhamento da desprescrição é de extrema relevância. O papel dos farmacêuticos comunitários é essencial no acompanhamento regular e na ajuda à gestão da desprescrição, uma vez que são estes o elo de ligação entre diferentes informações. Objetivos: O objetivo deste estudo foi perceber o conhecimento, frequência, crenças e dificuldades dos farmacêuticos comunitários sobre a temática da desprescrição. Métodos: Com este intuito, foi elaborado um questionário para um estudo transversal de âmbito nacional, com distribuição online, sujeito depois a estatística descritiva. Resultados: Foram obtidas 188 respostas válidas de profissionais de saúde: 77,1% do sexo feminino e 22,9% do sexo masculino. A maioria dos inquiridos, concorda que a desprescrição traz grandes benefícios e as grandes barreiras passam pela resistência dos profissionais de saúde, por medo de efeitos adversos ou falta de diretrizes claras, reticência dos doentes, falta de tempo dos profissionais e a inexistência de guidelines ou modelos computacionais que auxiliem o processo de desprescrição. Discussão: Uma das principais limitações deste estudo reside na ausência de validação formal do questionário, na aplicação anónima sem controlo da unicidade das respostas e na pequena amostragem e por conveniência, potencialmente enviesada pela divulgação digital. Conclusão: Este estudo destaca a importância da colaboração interdisciplinar e a necessidade de ferramentas, protocolos e incentivos adequados para uma desprescrição segura, eficaz e centrada no doente. |
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| Autores principais: | Peres, Érica |
| Assunto: | Desprescrição Polifarmacoterapia Multimorbilidade Medicina Personalizada Profissionais de saúde Deprescribing Polypharmacotherapy Multimorbidity Personalized Medicine Health Professionals |
| Ano: | 2025 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Instituto Politécnico de Coimbra |
| Idioma: | português |
| Origem: | Instituto Politécnico de Coimbra |
| Resumo: | Introdução: Em Portugal, a maioria dos doentes, especialmente a população mais idosa, apresenta mais do que uma doença crónica, algo conhecido como multimorbilidade. Para diminuir o impacto desta na qualidade de vida e na mortalidade, muitas vezes recorre-se à polifarmacoterapia, podem surgir prescrições inadequadas que incluem a sobreprescrição, subprescrição ou prescrição inadequada, respetivamente na dosagem, duração ou por estarem em desacordo com a necessidade do doente. Desta forma, é necessário considerar e avaliar em que medida são precisas estratégias para garantir que as pessoas estão medicadas de forma adequada, com o objetivo de reduzir os custos sociais do doente e aumentar os ganhos em saúde através da redução do risco de interações medicamentosas. A desprescrição é um processo planeado e supervisionado de interrupção do uso ou de redução da dose de um medicamento, com a intenção de melhorar a qualidade de vida do indivíduo e reduzir os riscos associados a efeitos adversos. A articulação e ação de todos os profissionais de saúde no sentido de identificar e capacitar os pacientes no acompanhamento da desprescrição é de extrema relevância. O papel dos farmacêuticos comunitários é essencial no acompanhamento regular e na ajuda à gestão da desprescrição, uma vez que são estes o elo de ligação entre diferentes informações. Objetivos: O objetivo deste estudo foi perceber o conhecimento, frequência, crenças e dificuldades dos farmacêuticos comunitários sobre a temática da desprescrição. Métodos: Com este intuito, foi elaborado um questionário para um estudo transversal de âmbito nacional, com distribuição online, sujeito depois a estatística descritiva. Resultados: Foram obtidas 188 respostas válidas de profissionais de saúde: 77,1% do sexo feminino e 22,9% do sexo masculino. A maioria dos inquiridos, concorda que a desprescrição traz grandes benefícios e as grandes barreiras passam pela resistência dos profissionais de saúde, por medo de efeitos adversos ou falta de diretrizes claras, reticência dos doentes, falta de tempo dos profissionais e a inexistência de guidelines ou modelos computacionais que auxiliem o processo de desprescrição. Discussão: Uma das principais limitações deste estudo reside na ausência de validação formal do questionário, na aplicação anónima sem controlo da unicidade das respostas e na pequena amostragem e por conveniência, potencialmente enviesada pela divulgação digital. Conclusão: Este estudo destaca a importância da colaboração interdisciplinar e a necessidade de ferramentas, protocolos e incentivos adequados para uma desprescrição segura, eficaz e centrada no doente. |
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