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A violência interparental na vida das crianças “uma epidemia silenciosa” : práticas educativas de mães vítimas de violência conjugal e consequências no comportamento das crianças

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Resumo:O presente estudo pretende analisar o impacto da violência conjugal exercida sobre as mulheres nas práticas educativas parentais com os seus filhos, nomeadamente a crença no uso da punição física enquanto estratégia disciplinar, bem como o impacto da exposição à violência no comportamento dos filhos, segundo a perspetiva das próprias mães. A investigação baseou-se em dois momentos essenciais, num primeiro momento numa abordagem quantitativa, em que participaram 68 mulheres vítimas de violência conjugal com pelo menos um filho com idades compreendidas entre os 6 e os 18 anos, de uma região do Alentejo. Para o efeito aplicou-se a Escala de Crenças sobre a Punição Física (E.C.P.F.), a parte B do Inventário de Práticas Educativas (I.P.E.) e o Questionário do Comportamento da Criança (C.B.C.L.) de Achenbach. Em seguida, no estudo qualitativo, de caráter exploratório, realizou-se duas entrevistas a mães vítimas, escolhidas intencionalmente do primeiro grupo. Os resultados do primeiro estudo indicam que as mães vítimas de violência conjugal creem mais na utilização da punição física e consideram adequado o abuso emocional na educação dos seus filhos do que as mães que não são vítimas. Por sua vez, quanto às práticas adequadas estas são utilizadas por ambos os grupos. Relativamente ao comportamento dos filhos verificou-se que estes apresentam mais problemas de comportamento do que as crianças que não estão expostas à violência, afetando-as a vários níveis. Tanto as raparigas como os rapazes, contrariamente aos teóricos, apresentam mais problemas de comportamento tipo internalizante, no entanto, os rapazes manifestam significativamente mais comportamentos do tipo externalizante. Os pais com maior grau de tolerância, relativamente ao uso da punição física, tendem a identificar um maior número de problemas no comportamento dos filhos. Perante as entrevistas efetuadas, podemos ainda verificar que as mães vítimas reconhecem a influência negativa da violência nas suas práticas educativas, legitimando a utilização da punição física, mas têm opiniões divergentes quanto à existência de problemas de comportamento nos filhos por causa da violência assistida.
Autores principais:Baptista, Carla Marina Guerra
Assunto:violência conjugal mulheres práticas educativas punição física problemas de comportamento nas crianças domestic violence women educational practices physical punishment behavior problems in children
Ano:2014
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Instituto Politécnico de Portalegre
Idioma:português
Origem:Instituto Politécnico de Portalegre
Descrição
Resumo:O presente estudo pretende analisar o impacto da violência conjugal exercida sobre as mulheres nas práticas educativas parentais com os seus filhos, nomeadamente a crença no uso da punição física enquanto estratégia disciplinar, bem como o impacto da exposição à violência no comportamento dos filhos, segundo a perspetiva das próprias mães. A investigação baseou-se em dois momentos essenciais, num primeiro momento numa abordagem quantitativa, em que participaram 68 mulheres vítimas de violência conjugal com pelo menos um filho com idades compreendidas entre os 6 e os 18 anos, de uma região do Alentejo. Para o efeito aplicou-se a Escala de Crenças sobre a Punição Física (E.C.P.F.), a parte B do Inventário de Práticas Educativas (I.P.E.) e o Questionário do Comportamento da Criança (C.B.C.L.) de Achenbach. Em seguida, no estudo qualitativo, de caráter exploratório, realizou-se duas entrevistas a mães vítimas, escolhidas intencionalmente do primeiro grupo. Os resultados do primeiro estudo indicam que as mães vítimas de violência conjugal creem mais na utilização da punição física e consideram adequado o abuso emocional na educação dos seus filhos do que as mães que não são vítimas. Por sua vez, quanto às práticas adequadas estas são utilizadas por ambos os grupos. Relativamente ao comportamento dos filhos verificou-se que estes apresentam mais problemas de comportamento do que as crianças que não estão expostas à violência, afetando-as a vários níveis. Tanto as raparigas como os rapazes, contrariamente aos teóricos, apresentam mais problemas de comportamento tipo internalizante, no entanto, os rapazes manifestam significativamente mais comportamentos do tipo externalizante. Os pais com maior grau de tolerância, relativamente ao uso da punição física, tendem a identificar um maior número de problemas no comportamento dos filhos. Perante as entrevistas efetuadas, podemos ainda verificar que as mães vítimas reconhecem a influência negativa da violência nas suas práticas educativas, legitimando a utilização da punição física, mas têm opiniões divergentes quanto à existência de problemas de comportamento nos filhos por causa da violência assistida.