Publicação
"Ter saúde" na última fase da vida: lógicas do saber leigo
| Resumo: | O mundo contemporâneo da saúde reúne características que permitem a produção de contextos sociais plurais, por vezes com elementos contraditórios entre si. Nestes, cada indivíduo constrói o seu espaço singular face à saúde, apropriando-se e recriando no seu quotidiano o material social que lhe é mais significativo. Esta acção criativa expressa um território de decisão e transformação importante, a que acresce ainda a diferença de expressão da saúde por associação a cada etapa do trajecto de vida. Cada tempo social de vida confere um pano de fundo único na compreensão das lógicas que movem as práticas e o pensar sobre a saúde individual. Na velhice, a leitura realizada sobre as mudanças fisiológicas ocorridas determina a progressiva alteração de necessidades, do tipo de problemas que podem surgir, assim como a percepção que cada indivíduo desenvolve sobre a sua condição, recursos necessários e estratégias de actuação adequadas. Nesta fase, ocorrem igualmente significativas mudanças ao nível da estrutura familiar, actividade económica e redes sociais,com potenciais efeitos na saúde, assim como no tipo de utilização dos recursos sociais disponíveis. O ter saúde é uma noção subjectiva em permanente mudança, construída no confronto dinâmico entre as disposições sociais dominantes ou mesmo residuais sobre o significado de ser saudável. Constitui assim um elemento micro de leitura das lógicas sociais que estabelecem a condição pessoal perante a saúde num certo tempo da vida, num determinado tempo sócio-histórico. Por outro lado, o progressivo aumento da esperança de vida tem vindo a permitir o apare cimento de uma última idade temporalmente mais longa, com a possibilidade de ser vivida com mais saúde. Esta expectativa social permite o desenvolvimento de novas lógicas em torno da noção de saúde pessoal, que importa analisar. Com base na realização de entrevistas junto de mulheres e homens em idade mais avançada, procurou-se apreender e explorar as lógicas que suportam à construção das suas noções pessoais de saúde no seu tempo actual de vida. |
|---|---|
| Autores principais: | Gomes, Inês |
| Outros Autores: | Marques, António Manuel; Fernandes, Ana |
| Assunto: | Percepção subjectiva de saúde Saber leigo Velhice Entrevista Self-perception of health Lay knowledge Elderly Interview |
| Ano: | 2012 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | documento de conferência |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Instituto Politécnico de Setúbal |
| Idioma: | português |
| Origem: | Instituto Politécnico de Setúbal |
| Resumo: | O mundo contemporâneo da saúde reúne características que permitem a produção de contextos sociais plurais, por vezes com elementos contraditórios entre si. Nestes, cada indivíduo constrói o seu espaço singular face à saúde, apropriando-se e recriando no seu quotidiano o material social que lhe é mais significativo. Esta acção criativa expressa um território de decisão e transformação importante, a que acresce ainda a diferença de expressão da saúde por associação a cada etapa do trajecto de vida. Cada tempo social de vida confere um pano de fundo único na compreensão das lógicas que movem as práticas e o pensar sobre a saúde individual. Na velhice, a leitura realizada sobre as mudanças fisiológicas ocorridas determina a progressiva alteração de necessidades, do tipo de problemas que podem surgir, assim como a percepção que cada indivíduo desenvolve sobre a sua condição, recursos necessários e estratégias de actuação adequadas. Nesta fase, ocorrem igualmente significativas mudanças ao nível da estrutura familiar, actividade económica e redes sociais,com potenciais efeitos na saúde, assim como no tipo de utilização dos recursos sociais disponíveis. O ter saúde é uma noção subjectiva em permanente mudança, construída no confronto dinâmico entre as disposições sociais dominantes ou mesmo residuais sobre o significado de ser saudável. Constitui assim um elemento micro de leitura das lógicas sociais que estabelecem a condição pessoal perante a saúde num certo tempo da vida, num determinado tempo sócio-histórico. Por outro lado, o progressivo aumento da esperança de vida tem vindo a permitir o apare cimento de uma última idade temporalmente mais longa, com a possibilidade de ser vivida com mais saúde. Esta expectativa social permite o desenvolvimento de novas lógicas em torno da noção de saúde pessoal, que importa analisar. Com base na realização de entrevistas junto de mulheres e homens em idade mais avançada, procurou-se apreender e explorar as lógicas que suportam à construção das suas noções pessoais de saúde no seu tempo actual de vida. |
|---|