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Factores de prognóstico para os resultados de insucesso da intervenção multimodal em fisioterapia, em utentes com dor lombar crónica

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Introdução: As elevadas taxas de insucesso, segundo o benefício clínico da intervenção da Fisioterapia, sugerem haver características dos utentes que influenciam o sucesso/insucesso da intervenção. No entanto, os estudos dos factores de prognóstico neste âmbito são escassos e inconsistentes. Objectivo: Este estudo pretende determinar se um modelo baseado em factores de prognóstico é capaz de prever os resultados de insucesso da Fisioterapia em utentes com Dor Lombar Crónica (DLC) a curto e médio prazo, para os outcomes incapacidade funcional, intensidade da dor e percepção global de melhoria. Metodologia: A amostra deste estudo de coorte prospectivo foi composta por 95 utentes referenciados para a Fisioterapia, avaliados antes da intervenção, 6 semanas após o seu inicio e 3 meses após o seu término. O insucesso foi determinado segundo a Diferença Mínima Clinicamente Importante para cada instrumento de medida: incapacidade da funcional pela Quebec Back Pain Disability Scale (QBPDS-PT), a intensidade da dor pela Escala Visual Análoga (EVA) e a percepção global de melhoria pela Patient Global Impression of Change Scale (PGIC-PT). Foram recolhidos dados sócio-demográficos, clínicos e medo do movimento. Resultados: Dos 95 participantes, 90 completaram o follow-up de 3 meses. Através dos modelos preditivos multivariados observam-se várias associações com os outcomes. Utentes com DLC com níveis de incapacidade na baseline mais elevados têm menor probabilidade de insucesso às 6 semanas (OR=0,936; 95% IC: 0,904-0,969). Aos 3 meses utentes com níveis de incapacidade na baseline mais elevados têm menor probabilidade de insucesso (OR=0,943; 95%IC: 0,911-0,977) enquanto utentes com irradiação da dor têm maior probabilidade de insucesso na incapacidade funcional (OR=3,237; 95%IC: 1,225-8,555). Para a intensidade da dor às 6 semanas, utentes com intensidade da dor mais elevada na baseline têm menos probabilidade de ter insucesso (OR=0,928; 95%IC: 0,899-0,959) mas utentes com excesso de peso (OR=2,866; 95%IC: 1,025- 8,013) têm mais probabilidade de insucesso. Aos 3 meses, utentes com intensidade da dor mais elevada na baseline (OR=0,940; 95%IC: 0,914-0,968) têm menos probabilidade de ter insucesso, mas utentes com dor irradiada para o membro inferior (OR=3,657; 95%IC: 1,277- 10,470) têm mais probabilidade de insucesso. Na percepção global de melhoria, utentes do género feminino (OR=3,225; 95%IC: 1,039-10,194) e com excesso de peso (OR=3,334; 95%IC: 1,113-9,806) têm mais probabilidade de insucesso às 6 semanas. Aos 3 meses de follow-up o modelo preditivo não reteve quaisquer variáveis associadas significativamente com o este outcome. Conclusões: Na generalidade os modelos preditivos têm capacidades classificativas, preditivas e discriminativas razoáveis. Este estudo pode ser um contributo para futuramente se conseguir agrupar utentes segundo as suas características associadas com o insucesso, oferecendo-lhes tratamentos mais específicos que melhorem a resposta à intervenção da Fisioterapia.
Autores principais:Costa, Daniela
Assunto:Prognóstico Fisioterapia Dor Lombar Crónica Insucesso Prognosis Physiotherapy Chronic Low Back Pain Poor Outcome
Ano:2014
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Instituto Politécnico de Setúbal
Idioma:português
Origem:Instituto Politécnico de Setúbal
Descrição
Resumo:Introdução: As elevadas taxas de insucesso, segundo o benefício clínico da intervenção da Fisioterapia, sugerem haver características dos utentes que influenciam o sucesso/insucesso da intervenção. No entanto, os estudos dos factores de prognóstico neste âmbito são escassos e inconsistentes. Objectivo: Este estudo pretende determinar se um modelo baseado em factores de prognóstico é capaz de prever os resultados de insucesso da Fisioterapia em utentes com Dor Lombar Crónica (DLC) a curto e médio prazo, para os outcomes incapacidade funcional, intensidade da dor e percepção global de melhoria. Metodologia: A amostra deste estudo de coorte prospectivo foi composta por 95 utentes referenciados para a Fisioterapia, avaliados antes da intervenção, 6 semanas após o seu inicio e 3 meses após o seu término. O insucesso foi determinado segundo a Diferença Mínima Clinicamente Importante para cada instrumento de medida: incapacidade da funcional pela Quebec Back Pain Disability Scale (QBPDS-PT), a intensidade da dor pela Escala Visual Análoga (EVA) e a percepção global de melhoria pela Patient Global Impression of Change Scale (PGIC-PT). Foram recolhidos dados sócio-demográficos, clínicos e medo do movimento. Resultados: Dos 95 participantes, 90 completaram o follow-up de 3 meses. Através dos modelos preditivos multivariados observam-se várias associações com os outcomes. Utentes com DLC com níveis de incapacidade na baseline mais elevados têm menor probabilidade de insucesso às 6 semanas (OR=0,936; 95% IC: 0,904-0,969). Aos 3 meses utentes com níveis de incapacidade na baseline mais elevados têm menor probabilidade de insucesso (OR=0,943; 95%IC: 0,911-0,977) enquanto utentes com irradiação da dor têm maior probabilidade de insucesso na incapacidade funcional (OR=3,237; 95%IC: 1,225-8,555). Para a intensidade da dor às 6 semanas, utentes com intensidade da dor mais elevada na baseline têm menos probabilidade de ter insucesso (OR=0,928; 95%IC: 0,899-0,959) mas utentes com excesso de peso (OR=2,866; 95%IC: 1,025- 8,013) têm mais probabilidade de insucesso. Aos 3 meses, utentes com intensidade da dor mais elevada na baseline (OR=0,940; 95%IC: 0,914-0,968) têm menos probabilidade de ter insucesso, mas utentes com dor irradiada para o membro inferior (OR=3,657; 95%IC: 1,277- 10,470) têm mais probabilidade de insucesso. Na percepção global de melhoria, utentes do género feminino (OR=3,225; 95%IC: 1,039-10,194) e com excesso de peso (OR=3,334; 95%IC: 1,113-9,806) têm mais probabilidade de insucesso às 6 semanas. Aos 3 meses de follow-up o modelo preditivo não reteve quaisquer variáveis associadas significativamente com o este outcome. Conclusões: Na generalidade os modelos preditivos têm capacidades classificativas, preditivas e discriminativas razoáveis. Este estudo pode ser um contributo para futuramente se conseguir agrupar utentes segundo as suas características associadas com o insucesso, oferecendo-lhes tratamentos mais específicos que melhorem a resposta à intervenção da Fisioterapia.