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Determinantes da estrutura de capital do setor bancário angolano

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Resumo:A estrutura de capitais, é um assunto que tem sido muito estudado ao longo dos anos, tendo sido desenvolvidas várias teorias que tentam identificar os principais determinantes da decisão de financiamento das empresas. Contudo, os resultados de investigação ainda não são unânimes. Por outro lado, a maioria dos estudos tem-se centrado no estudo de empresas americanas ou europeias, havendo ainda poucas evidências empíricas sobre, por exemplo, a realidade empresarial africana. Sendo assim o objetivo principal deste trabalho é o estudo dos determinantes da estrutura de capitais do setor bancário angolano, incidindo, assim, sobre um país e um setor de atividade, ainda pouco explorados em termos académicos. Angola é um dos países que maior taxa de crescimento económico apresenta, tendo as instituições bancárias um papel fundamental na dinamização do meio empresarial. Por isso, este estudo é relevante, porque para além de analisar um dos setores que maior crescimento sofreu no país nos últimos anos, permite a criação de uma primeira imagem sobre os determinantes da decisão de financiamento dessas instituições e contribui para a identificação de caminhos para futuras investigações. Utilizou-se como metodologia a elaboração de estudos de caso de 9 entidades (40% do total de entidades bancárias presentes no país), no período de 2007 a 2011, perfazendo, portanto, 5 anos de análise. Para além das estatísticas descritivas da amostra, calcularam-se os coeficientes de correlação de Pearson entre os determinantes estudados e os níveis de endividamento e realizou-se a análise de clusters e testes de diferenças de médias, de modo a determinarem-se diferentes perfis de instituições financeiras. Quanto às relações encontradas entre os determinantes estudados e o nível de endividamento, verificou-se que os custos financeiros e a dimensão apresentavam uma correlação positiva com o peso do capital alheio, indo ao encontro dos princípios da teoria trade-off. Os ativos não correntes tangíveis, apresentavam uma relação negativa com o endividamento, o que significa que as empresas que possuem maior nível de ativos correntes (nomeadamente de créditos concedidos) recorrem mais ao financiamento através de capitais alheios. Já o passivo de médio e longo prazo era condicionado sobretudo pela taxa efetiva de imposto (relação negativa) e pelo risco do negócio (relação positiva), sugerindo que o endividamento com maior maturidade é importante para a obtenção de poupanças fiscais e para não existir tanta pressão sobre a tesouraria. Finalmente, o passivo de curto prazo, apresentou uma relação positiva com a taxa efetiva de imposto e relações negativas com o risco do negócio, com a rendibilidade e com o valor de empréstimo por cliente. Logo, os resultados sugerem que as empresas mais rentáveis e com acesso a clientes com maior capacidade financeira, recorrem menos a passivo de curto prazo, pressionando menos a tesouraria. A constituição de perfis de instituições financeiras através da análise de clusters identificou quatro tipologias de entidades bancárias, que se diferenciavam de acordo com o público-alvo da sua atividade, nível de rendibilidade, de crescimento e de endividamento.
Autores principais:Barros, Albertina Ieze Songo
Assunto:Determinantes da Estrutura de Capitais Sector Bancário Angola Determinants of Capital Structure Banking Sector
Ano:2014
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Instituto Politécnico de Setúbal
Idioma:português
Origem:Instituto Politécnico de Setúbal
Descrição
Resumo:A estrutura de capitais, é um assunto que tem sido muito estudado ao longo dos anos, tendo sido desenvolvidas várias teorias que tentam identificar os principais determinantes da decisão de financiamento das empresas. Contudo, os resultados de investigação ainda não são unânimes. Por outro lado, a maioria dos estudos tem-se centrado no estudo de empresas americanas ou europeias, havendo ainda poucas evidências empíricas sobre, por exemplo, a realidade empresarial africana. Sendo assim o objetivo principal deste trabalho é o estudo dos determinantes da estrutura de capitais do setor bancário angolano, incidindo, assim, sobre um país e um setor de atividade, ainda pouco explorados em termos académicos. Angola é um dos países que maior taxa de crescimento económico apresenta, tendo as instituições bancárias um papel fundamental na dinamização do meio empresarial. Por isso, este estudo é relevante, porque para além de analisar um dos setores que maior crescimento sofreu no país nos últimos anos, permite a criação de uma primeira imagem sobre os determinantes da decisão de financiamento dessas instituições e contribui para a identificação de caminhos para futuras investigações. Utilizou-se como metodologia a elaboração de estudos de caso de 9 entidades (40% do total de entidades bancárias presentes no país), no período de 2007 a 2011, perfazendo, portanto, 5 anos de análise. Para além das estatísticas descritivas da amostra, calcularam-se os coeficientes de correlação de Pearson entre os determinantes estudados e os níveis de endividamento e realizou-se a análise de clusters e testes de diferenças de médias, de modo a determinarem-se diferentes perfis de instituições financeiras. Quanto às relações encontradas entre os determinantes estudados e o nível de endividamento, verificou-se que os custos financeiros e a dimensão apresentavam uma correlação positiva com o peso do capital alheio, indo ao encontro dos princípios da teoria trade-off. Os ativos não correntes tangíveis, apresentavam uma relação negativa com o endividamento, o que significa que as empresas que possuem maior nível de ativos correntes (nomeadamente de créditos concedidos) recorrem mais ao financiamento através de capitais alheios. Já o passivo de médio e longo prazo era condicionado sobretudo pela taxa efetiva de imposto (relação negativa) e pelo risco do negócio (relação positiva), sugerindo que o endividamento com maior maturidade é importante para a obtenção de poupanças fiscais e para não existir tanta pressão sobre a tesouraria. Finalmente, o passivo de curto prazo, apresentou uma relação positiva com a taxa efetiva de imposto e relações negativas com o risco do negócio, com a rendibilidade e com o valor de empréstimo por cliente. Logo, os resultados sugerem que as empresas mais rentáveis e com acesso a clientes com maior capacidade financeira, recorrem menos a passivo de curto prazo, pressionando menos a tesouraria. A constituição de perfis de instituições financeiras através da análise de clusters identificou quatro tipologias de entidades bancárias, que se diferenciavam de acordo com o público-alvo da sua atividade, nível de rendibilidade, de crescimento e de endividamento.