Publicação
Estudo dose-resposta da intervenção da fisioterapia em utentes com lombalgia
| Resumo: | Introdução: A lombalgia é a principal causa de incapacidade, exigindo cuidados de saúde de elevado valor. No entanto, a prática em fisioterapia mantém-se heterogénea e muitas vezes não alinhada com a evidência. Em Portugal, coexistem dois modelos de acesso (convencionado-SNS e privado), cuja efetividade comparativa e padrões de dose-resposta são desconhecidos. Objetivos: (1) comparar o padrão de dose (frequência, tempo, tipo) da fisioterapia na lombalgia entre o contexto convencionado e privado; e (2) examinar a relação destas variáveis de dose com os resultados clínicos. Metodologia: Foi realizado um estudo observacional de coorte prospetivo com 56 utentes (30 convencionado; 26 privado) com lombalgia. Os utentes foram avaliados no baseline (T0) e às 6 semanas (T3) com a Escala Numérica da Dor (END), Roland-Morris Disability Questionnaire (RMDQ) e EQ-5D-3L. A dose e as modalidades foram registadas pelos fisioterapeutas. Foram usados testes não-paramétricos (Mann-Whitney U, Qui-Quadrado). Resultados: O contexto privado obteve resultados clínicos significativamente superiores na incapacidade (Dif.RMDQ, p=0,003) e uma maior proporção de utentes atingiu a Diferença Mínima Clinicamente Importante (DMCI) na dor (p=0,009) e incapacidade (p=0,003). Este resultado foi alcançado com menos sessões totais (Mediana 4 vs. 12, p<0,001) mas sessões significativamente mais longas (Mediana 60 vs. 40 min, p<0,001). A Duração da Sessão foi a única variável de dose associada à DMCI (p<0,05). O privado utilizou significativamente mais Educação (100% vs. 63,3%) e menos modalidades passivas (Eletroterapia, p<0,001). Os grupos não eram comparáveis na baseline, com o grupo convencionado a apresentar maior severidade (Dor Contínua, p<0,001). Conclusão: O contexto de prática influencia a dose e os resultados. A superioridade clínica do privado associou-se a um modelo alinhado com a evidência (sessões longas, foco na educação e intervenção ativa), em contraste com o modelo de alto volume e passivo do convencionado. Os resultados devem ser ponderados pelo viés de seleção (severidade inicial) entre grupos. |
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| Autores principais: | Santos, José Mafaldo dos |
| Assunto: | Lombalgia Fisioterapia Dose-Resposta Contexto de Prática Low Back Pain Physiotherapy Dose-Response Practice Setting |
| Ano: | 2025 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Instituto Politécnico de Setúbal |
| Idioma: | português |
| Origem: | Instituto Politécnico de Setúbal |
| Resumo: | Introdução: A lombalgia é a principal causa de incapacidade, exigindo cuidados de saúde de elevado valor. No entanto, a prática em fisioterapia mantém-se heterogénea e muitas vezes não alinhada com a evidência. Em Portugal, coexistem dois modelos de acesso (convencionado-SNS e privado), cuja efetividade comparativa e padrões de dose-resposta são desconhecidos. Objetivos: (1) comparar o padrão de dose (frequência, tempo, tipo) da fisioterapia na lombalgia entre o contexto convencionado e privado; e (2) examinar a relação destas variáveis de dose com os resultados clínicos. Metodologia: Foi realizado um estudo observacional de coorte prospetivo com 56 utentes (30 convencionado; 26 privado) com lombalgia. Os utentes foram avaliados no baseline (T0) e às 6 semanas (T3) com a Escala Numérica da Dor (END), Roland-Morris Disability Questionnaire (RMDQ) e EQ-5D-3L. A dose e as modalidades foram registadas pelos fisioterapeutas. Foram usados testes não-paramétricos (Mann-Whitney U, Qui-Quadrado). Resultados: O contexto privado obteve resultados clínicos significativamente superiores na incapacidade (Dif.RMDQ, p=0,003) e uma maior proporção de utentes atingiu a Diferença Mínima Clinicamente Importante (DMCI) na dor (p=0,009) e incapacidade (p=0,003). Este resultado foi alcançado com menos sessões totais (Mediana 4 vs. 12, p<0,001) mas sessões significativamente mais longas (Mediana 60 vs. 40 min, p<0,001). A Duração da Sessão foi a única variável de dose associada à DMCI (p<0,05). O privado utilizou significativamente mais Educação (100% vs. 63,3%) e menos modalidades passivas (Eletroterapia, p<0,001). Os grupos não eram comparáveis na baseline, com o grupo convencionado a apresentar maior severidade (Dor Contínua, p<0,001). Conclusão: O contexto de prática influencia a dose e os resultados. A superioridade clínica do privado associou-se a um modelo alinhado com a evidência (sessões longas, foco na educação e intervenção ativa), em contraste com o modelo de alto volume e passivo do convencionado. Os resultados devem ser ponderados pelo viés de seleção (severidade inicial) entre grupos. |
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