| Resumo: | Introdução: A lombalgia (LG) é a condição músculo-esquelética mais comum a nível mundial, e é também a principal causa de anos vividos com incapacidade. É uma condição episódica, mas recorrente, recomendando-se o exercício e educação para o tratamento, e prevenção de recorrência. A longo prazo (>1ano) a eficácia destas intervenções perde-se, provavelmente devido à heterogeneidade dos programas testados, ao incumprimento das recomendações de prescrição de exercício, e uma inadequada avaliação na baseline que não contempla as alterações motoras que ocorrem durante um episódio de LG e que persistem em remissão de sintomas. As alterações motoras podem ser avaliadas através de testes de aptidão física (AF) nos domínios da saúde músculo-esquelética: capacidade cardiorrespiratória (CCR), controlo motor (CM), força de resistência (FR) do tronco e dos membros inferiores, e flexibilidade. A literatura apresenta inúmeros testes para avaliação da AF em diversas populações, mas a informação acerca das suas propriedades psicométricas quando aplicados a indivíduos que recuperaram de LG é escassa ou inexistente. Objetivo: Determinar a fiabilidade intra-avaliador de uma bateria de testes que avaliam a aptidão física em indivíduos que recuperaram de LG. Metodologia: Este estudo utilizou uma amostra de 22 indivíduos que recuperaram de LG. Cada indivíduo participou em dois momentos de avaliação, separados por uma média de 5.27±1.83 dias. A avaliação consistiu na realização de uma bateria testes de AF: 6-Minute Walk Test (6MWT), Aberrant Movement Pattern (AMP), Prone Instability Test (PIT), Trunk flexor test (TFT), Side bridge (SB) (direita e esquerda), Biering- Sørensen test (BS), 60-s Sit to stand (60s STS), Sit-and-Reach Test (SRT), Schober Test (ST) em flexão e extensão, e o Modified Thomas Test (MTT). Para aferir acerca da fiabilidade intra- avaliador foram calculados os valores de Coeficiente de Correlação Intra-classe (CCI) para os testes com varíáveis numéricas, e o k de Cohen para os testes com variáveis categóricas, e os 95% IC para todos os testes. O cálculo do erro de medição para os testes com variáveis numéricas foi feito através dos valores absolutos de Erro Padrão de Medida (EPM) e EPM%, assim como da Diferença Mínima Detetável (DMD) e DMD% e dos limites de concordância (LDC95) e Coeficiente de Repetibilidade (CR), para os testes com variáveis categóricas foi calculada a Percentagem de Condordância. Resultados: Para os testes cujos resultados correspondem a variáveis numéricas obtiveram-se valores elevados de fiabilidade intra-avaliador (CCI>0.87), valores de EPM% a variar entre 4.47% para o 6MWT e 19.43% para o TFT, e valores de DMD% a variar entre 12.38% para o 6MWT e 53.87% para o TFT. Os diagramas de Bland & Altman revelaram LDC95 amplos e CR elevados. Para os testes cujos resultados correspondem a variáveis categóricas obtiveram-se também elevados valores de fiabilidade, com k de Cohen a variar entre 0.71e 1.00 e uma elevada percentagem de concordância (PC), >86%. Discussão e Conclusão: Verificou-se uma elevada fiabilidade intra-avaliador para a bateria de testes para avaliação da AF (CCR, CM, FR do tronco e dos membros inferiores, e flexibilidade) em indivíduos que recuperaram de LG, suportando a sua utilização tanto em contexto de investigação como de prática clínica. Contudo, este estudo demonstrou a relevância de avaliar o Erro de Medição (EdM), uma vez que o elevado EdM associado a alguns dos testes poderá condicionar a sua utilização na prática clínica para avaliar o efeito de uma dada intervenção. Apesar disso, os resultados deste estudo possibilitam indicar que testes permitem avaliar adequadamente a AF de indivíduos que recuperaram de LG contribuindo para a disponibilização de mais ferramentas de avaliação em contexto de investigação e prática clínica nesta população. |