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A uberização e as novas formas das relações laborais: uma análise a partir da perspetiva dos trabalhadores

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Resumo:As transformações recentes no mundo do trabalho, impulsionadas pela globalização, pela revolução digital e pela expansão das plataformas tecnológicas, têm desafiado as formas tradicionais de emprego e as estruturas clássicas do direto laboral. A emergência da economia de plataforma e, particularmente da uberização, traduzem-se num novo paradigma na organização e mediação do trabalho, em que a tecnologia assume um papel central na gestão e controlo da atividade. Face esta rutura de ideais, torna-se importante compreender de que forma o trabalho mediado por plataformas digitais está a transformar as relações laborais e a redefinir o papel dos trabalhadores, as condições de exercício da atividade e as dinâmicas de autonomia e dependência que caracterizam este modelo. A reflexão incide não só sobre as condições objetivas do trabalho, mas também sobre o modo como os profissionais vivem e interpretam o seu quotidiano, procurando entender as implicações e perceções associadas a este modelo e o seu enquadramento na moldura jurídica e social do trabalho. O estudo seguiu uma abordagem qualitativa, com base em entrevistas semiestruturadas realizadas a motoristas TDVE e estafetas, analisadas segundo a técnica de análise de conteúdo. Através desta metodologia foi possível captar as experiências, vivências e perspetivas dos trabalhadores, revelando a diversidade de sentidos que atribuem à sua atividade. Os resultados apontam para uma realidade plural e profundamente ambígua, onde vivem discursos que oscilam entre a valorização da autonomia e o reconhecimento da vulnerabilidade. Para muitos, o trabalho uberizado representa a possibilidade de gerir o próprio tempo e conquistar alguma liberdade na construção do seu percurso profissional. Para outros, traduz um quotidiano instável, desprotegido e dependente de algoritmos que controlam o ritmo e os rendimentos. Destas experiências, surge uma zona cinzenta onde liberdade e subordinação se entrelaçam e onde o trabalho assume novos significados, revelando tanto o desejo de emancipação individual, como as fragilidades estruturais que caracterizam o emprego contemporâneo. Esta dualidade torna-se ainda mais evidente quando se observam as diferenças entre motoristas TVDE e estafetas – enquanto os primeiros beneficiam de algum enquadramento legal, os segundos continuam num cenário de maior desproteção e ausência de regulamentação. É neste espaço de contradições que o trabalho ganha novos contornos, entre a promessa de liberdade e a persistência de precariedade, exigindo um olhar atento sobre as condições que definem o que hoje significa trabalhar
Autores principais:Poeiras, Catarina Isabel Inácio
Assunto:Economia de plataformas Uberização Relações laborais Subordinação algorítmica Platform economy Uberization Labour relations Algorithmic subordination
Ano:2025
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Instituto Politécnico de Setúbal
Idioma:português
Origem:Instituto Politécnico de Setúbal
Descrição
Resumo:As transformações recentes no mundo do trabalho, impulsionadas pela globalização, pela revolução digital e pela expansão das plataformas tecnológicas, têm desafiado as formas tradicionais de emprego e as estruturas clássicas do direto laboral. A emergência da economia de plataforma e, particularmente da uberização, traduzem-se num novo paradigma na organização e mediação do trabalho, em que a tecnologia assume um papel central na gestão e controlo da atividade. Face esta rutura de ideais, torna-se importante compreender de que forma o trabalho mediado por plataformas digitais está a transformar as relações laborais e a redefinir o papel dos trabalhadores, as condições de exercício da atividade e as dinâmicas de autonomia e dependência que caracterizam este modelo. A reflexão incide não só sobre as condições objetivas do trabalho, mas também sobre o modo como os profissionais vivem e interpretam o seu quotidiano, procurando entender as implicações e perceções associadas a este modelo e o seu enquadramento na moldura jurídica e social do trabalho. O estudo seguiu uma abordagem qualitativa, com base em entrevistas semiestruturadas realizadas a motoristas TDVE e estafetas, analisadas segundo a técnica de análise de conteúdo. Através desta metodologia foi possível captar as experiências, vivências e perspetivas dos trabalhadores, revelando a diversidade de sentidos que atribuem à sua atividade. Os resultados apontam para uma realidade plural e profundamente ambígua, onde vivem discursos que oscilam entre a valorização da autonomia e o reconhecimento da vulnerabilidade. Para muitos, o trabalho uberizado representa a possibilidade de gerir o próprio tempo e conquistar alguma liberdade na construção do seu percurso profissional. Para outros, traduz um quotidiano instável, desprotegido e dependente de algoritmos que controlam o ritmo e os rendimentos. Destas experiências, surge uma zona cinzenta onde liberdade e subordinação se entrelaçam e onde o trabalho assume novos significados, revelando tanto o desejo de emancipação individual, como as fragilidades estruturais que caracterizam o emprego contemporâneo. Esta dualidade torna-se ainda mais evidente quando se observam as diferenças entre motoristas TVDE e estafetas – enquanto os primeiros beneficiam de algum enquadramento legal, os segundos continuam num cenário de maior desproteção e ausência de regulamentação. É neste espaço de contradições que o trabalho ganha novos contornos, entre a promessa de liberdade e a persistência de precariedade, exigindo um olhar atento sobre as condições que definem o que hoje significa trabalhar