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Da terra ao tribunal: Antropologia forense, reparação e memória coletiva em contextos de violência em massa

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Resumo:Esta dissertação pretende analisar o papel da antropologia forense na produção de verdade e de justiça em contextos de violência política e conflitos armados. Partindo de uma perspetiva antropológica aplicada, o estudo examina de que modo as práticas de exumação, análise e identificação de restos mortais em valas comuns se transformam em instrumentos de reparação simbólica e reconstrução social. A investigação estrutura-se em torno de dois estudos de caso — o Patio 29, no Chile, e Srebrenica, na Bósnia-Herzegovina — onde a intervenção forense evidenciou o potencial e as tensões éticas, políticas e institucionais que atravessam esse campo. Através da análise de relatórios técnicos, documentos judiciais e entrevistas com peritos, familiares e sobreviventes, demonstra-se que o trabalho forense ultrapassa o domínio científico, atuando como mediador entre memória e prova, entre o silêncio e a visibilidade, entre a perda e o reconhecimento. Argumenta-se que a exumação converte o solo — outrora espaço de negação — num território de verdade, e o tribunal num espaço de validação pública da dor. Assim, a antropologia forense surge não apenas como disciplina técnico-científica, mas como prática social e moral que restitui identidades, reabre narrativas interrompidas e contribui para a reconstrução ética das sociedades pós-violência.
Autores principais:Giglio, Tainá
Assunto:Antropologia forense Justiça de transição Reparação simbólica Memória coletiva -- Collective memory Forensic anthropology Transitional justice Symbolic reparation
Ano:2025
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:ISCTE
Idioma:português
Origem:Repositório ISCTE
Descrição
Resumo:Esta dissertação pretende analisar o papel da antropologia forense na produção de verdade e de justiça em contextos de violência política e conflitos armados. Partindo de uma perspetiva antropológica aplicada, o estudo examina de que modo as práticas de exumação, análise e identificação de restos mortais em valas comuns se transformam em instrumentos de reparação simbólica e reconstrução social. A investigação estrutura-se em torno de dois estudos de caso — o Patio 29, no Chile, e Srebrenica, na Bósnia-Herzegovina — onde a intervenção forense evidenciou o potencial e as tensões éticas, políticas e institucionais que atravessam esse campo. Através da análise de relatórios técnicos, documentos judiciais e entrevistas com peritos, familiares e sobreviventes, demonstra-se que o trabalho forense ultrapassa o domínio científico, atuando como mediador entre memória e prova, entre o silêncio e a visibilidade, entre a perda e o reconhecimento. Argumenta-se que a exumação converte o solo — outrora espaço de negação — num território de verdade, e o tribunal num espaço de validação pública da dor. Assim, a antropologia forense surge não apenas como disciplina técnico-científica, mas como prática social e moral que restitui identidades, reabre narrativas interrompidas e contribui para a reconstrução ética das sociedades pós-violência.