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Virando o outro em Podence. Máscaras da pós-ruralidade

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Durante o Carnaval, os Caretos grupo de jovens mascarados do ciclo de inverno europeu fazem a sua aparição em Podence, uma comunidade rural no Nordeste de Portugal. No contexto das recentes transformações no mundo rural nas últimas décadas, os campos semânticos destas performances são amplamente alargados, agora resgatadas do seu anunciado declíneo. Elas estão claramente ligadas a realidades contemporâneas como o turismo e a mercadorização cultural. A visibilidade destas comunidades emerge lado a lado com uma crescente demanda de exotismo e autenticidade. Tal como as reivindicações folcloristas de autenticidade da cultura popular, estes recentes processos de turistificação revelam a procura de um passado nostálgico e genuine no contexto do consumo turístico global da pós-ruralidade. Assim, modalidades de canibalização realizadas pelo turismo crescem: turistas se vestindo com máscaras locais, (ab)uso de fotos por turistas misturados com mascarados locais, audiências turísticas (como agentes centrais na performance), tomando o lugar das audiências locais; tudo parece subverter os termos da autenticidade performativa. Os turistas procurando por uma experiência natural e não mediada do Outro, enquanto os locais procuram compreender os segredos dos seus próprios recursos performativos. Todavia, é muito provável que ambos entendam os seus mitos como mitos, e as suas performances como performances. Falso e autêntico, ficção e realidade num e no mesmo palco, onde imagens são bem mais do que aquilo que conseguimos ver.
Autores principais:Raposo, P.
Assunto:Performance Mascarados Turismo Pós-ruralidade Portugal
Ano:2011
País:Portugal
Tipo de documento:artigo
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:ISCTE
Idioma:português
Origem:Repositório ISCTE
Descrição
Resumo:Durante o Carnaval, os Caretos grupo de jovens mascarados do ciclo de inverno europeu fazem a sua aparição em Podence, uma comunidade rural no Nordeste de Portugal. No contexto das recentes transformações no mundo rural nas últimas décadas, os campos semânticos destas performances são amplamente alargados, agora resgatadas do seu anunciado declíneo. Elas estão claramente ligadas a realidades contemporâneas como o turismo e a mercadorização cultural. A visibilidade destas comunidades emerge lado a lado com uma crescente demanda de exotismo e autenticidade. Tal como as reivindicações folcloristas de autenticidade da cultura popular, estes recentes processos de turistificação revelam a procura de um passado nostálgico e genuine no contexto do consumo turístico global da pós-ruralidade. Assim, modalidades de canibalização realizadas pelo turismo crescem: turistas se vestindo com máscaras locais, (ab)uso de fotos por turistas misturados com mascarados locais, audiências turísticas (como agentes centrais na performance), tomando o lugar das audiências locais; tudo parece subverter os termos da autenticidade performativa. Os turistas procurando por uma experiência natural e não mediada do Outro, enquanto os locais procuram compreender os segredos dos seus próprios recursos performativos. Todavia, é muito provável que ambos entendam os seus mitos como mitos, e as suas performances como performances. Falso e autêntico, ficção e realidade num e no mesmo palco, onde imagens são bem mais do que aquilo que conseguimos ver.