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Empresariados angolanos no pós-guerra: modelos herdados, exigências do capitalismo e estratégias dos trabalhadores

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Resumo:As mudanças rápidas em Angola, nas últimas décadas, tiveram implicações directas sobre as actividades industriais e, cumulativamente, sobre a situação produtiva actual. O modelo empresarial capitalista de cariz colonial foi responsável pelo maior crescimento em termos industriais de Angola, ao ponto de grande parte dos esforços desenvolvidos pelo governo pós-independência ter como mote a recuperação dos níveis de produção "de 73". Depois de 1975, no entanto, o modelo centralizado de condução da economia introduziu dinâmicas radicalmente diferentes em termos das actividades produtivas cujos resultados foram muito desanimadores. Quando no início da década de 90 do século XX este modelo começa a ser abandonado, já são visíveis muitos dos efeitos que provocou não só em termos dos níveis de produção mas também no que diz respeito aos modos de organização e gestão das unidades de produção. Esta situação de mudança, conjugada com graves problemas relacionados com a pobreza, com a sobrepopulação das cidades - onde se concentra a indústria - com as carências aos mais diversos níveis que as famílias começaram a sentir mais agudamente, levaram a que, em grande parte das empresas, dominassem as estratégias de sobrevivência dos trabalhadores sobre os objectivos de produção ou de produtividade.
Autores principais:Rodrigues, Cristina Udelsmann
Assunto:Empresariado Pós-guerra Angola
Ano:2008
País:Portugal
Tipo de documento:capítulo de livro
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:ISCTE
Idioma:português
Origem:Repositório ISCTE
Descrição
Resumo:As mudanças rápidas em Angola, nas últimas décadas, tiveram implicações directas sobre as actividades industriais e, cumulativamente, sobre a situação produtiva actual. O modelo empresarial capitalista de cariz colonial foi responsável pelo maior crescimento em termos industriais de Angola, ao ponto de grande parte dos esforços desenvolvidos pelo governo pós-independência ter como mote a recuperação dos níveis de produção "de 73". Depois de 1975, no entanto, o modelo centralizado de condução da economia introduziu dinâmicas radicalmente diferentes em termos das actividades produtivas cujos resultados foram muito desanimadores. Quando no início da década de 90 do século XX este modelo começa a ser abandonado, já são visíveis muitos dos efeitos que provocou não só em termos dos níveis de produção mas também no que diz respeito aos modos de organização e gestão das unidades de produção. Esta situação de mudança, conjugada com graves problemas relacionados com a pobreza, com a sobrepopulação das cidades - onde se concentra a indústria - com as carências aos mais diversos níveis que as famílias começaram a sentir mais agudamente, levaram a que, em grande parte das empresas, dominassem as estratégias de sobrevivência dos trabalhadores sobre os objectivos de produção ou de produtividade.