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Processamento emocional numa língua nativa e numa segunda língua

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A investigação tem repetidamente demonstrado que existem diferenças na forma como processamos situações de carga emocional significativa numa língua nativa (L1) e numa segunda língua (L2). Estas diferenças assentam nos diferentes contextos de aquisição e utilização das duas línguas: um contexto mais naturalista com maiores oportunidades de experiência afetiva e sensório-motora (L1), e um contexto mais formal onde tais oportunidades são mais limitadas (L2). No presente trabalho pretendemos averiguar experimentalmente esta questão através da análise da produção linguística de eventos emocionais nas duas línguas. Colocou-se como hipótese que em L1 tais produções seriam gramaticalmente mais concretas (e.g., maior utilização de verbos) e em L2 mais abstratas (e.g., menor utilização de verbos). Para tal, foi pedido aos participantes (N=54), que reportassem eventos de carga emocional significativa quer em L1 (Português Europeu) quer em L2 (Inglês). Os resultados mostraram em ambas as línguas (L1 e L2), uma maior prevalência do recurso a nomes, comparativamente a verbos e adjetivos. Especificamente, a diferença entre nomes e verbos foi significativa em L1, mas tal não se observou em L2, sugerindo que, ao contrário do esperado, o recurso a categorias gramaticais abstratas foi mais elevado em L1 do que em L2. As limitações do estudo são discutidas, sugerindo hipóteses alternativas e futuras direções de investigação.
Autores principais:Flávio, Pedro Henrique Fernandes
Assunto:Linguagem Processamento da linguagem Native language Second language Embodiment Affective grounding Sensorimotor grounding
Ano:2018
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:ISCTE
Idioma:português
Origem:Repositório ISCTE
Descrição
Resumo:A investigação tem repetidamente demonstrado que existem diferenças na forma como processamos situações de carga emocional significativa numa língua nativa (L1) e numa segunda língua (L2). Estas diferenças assentam nos diferentes contextos de aquisição e utilização das duas línguas: um contexto mais naturalista com maiores oportunidades de experiência afetiva e sensório-motora (L1), e um contexto mais formal onde tais oportunidades são mais limitadas (L2). No presente trabalho pretendemos averiguar experimentalmente esta questão através da análise da produção linguística de eventos emocionais nas duas línguas. Colocou-se como hipótese que em L1 tais produções seriam gramaticalmente mais concretas (e.g., maior utilização de verbos) e em L2 mais abstratas (e.g., menor utilização de verbos). Para tal, foi pedido aos participantes (N=54), que reportassem eventos de carga emocional significativa quer em L1 (Português Europeu) quer em L2 (Inglês). Os resultados mostraram em ambas as línguas (L1 e L2), uma maior prevalência do recurso a nomes, comparativamente a verbos e adjetivos. Especificamente, a diferença entre nomes e verbos foi significativa em L1, mas tal não se observou em L2, sugerindo que, ao contrário do esperado, o recurso a categorias gramaticais abstratas foi mais elevado em L1 do que em L2. As limitações do estudo são discutidas, sugerindo hipóteses alternativas e futuras direções de investigação.