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Fado tropical: O luso-tropicalismo na cultura de massas (1960-1974)

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Summary:Baseado num conjunto de pressupostos históricos, lugares comuns sobre o carácter dos portugueses e apriorismos sobre o seu modo de ser, o luso-tropicalismo moldou-se à história de Portugal e foi indispensável para a sobrevivência da «comunidade lusíada» nas últimas décadas do regime autoritário. Este modo particular de reinterpretar a história da colonização portuguesa ganhou consistência na década de 1960, quando uma série de rituais e práticas prosaicas contribuiu para promover a ideia de que Portugal era um país multirracial, geograficamente diverso, e uma unidade politicamente homogénea. O objectivo desta investigação é descrever e analisar um conjunto de acontecimentos comuns que generalizaram o luso-tropicalismo na vida diária. Vou procurar demonstrar como uma série de acontecimentos da cultura de massas – desde ícones do futebol, como Eusébio, passando por celebridades da música popular portuguesa, como João Maria Tudella e Eduardo Nascimento, entre outros, até aos concursos de beleza realizados na década de 1970 – dialogaram com os temas associados ao luso-tropicalismo, contribuindo em muitos casos para naturalizar as suas representações. Além do objectivo puramente historiográfico, que passa por recensear as formas que banalizaram o luso-tropicalismo fora do campo institucional, este trabalho pretende igualmente assinalar a contingência das representações luso-tropicalistas, que acabaram por soçobrar pouco tempo após a queda do regime autoritário.
Main Authors:Cardão, Marcos Henrique Ramos de Sousa
Subject:Luso-tropicalismo Nacionalismo -- Nationalism Ideologia colonial Cultura de massas -- Mass culture Colonial ideology Popular culture
Year:2012
Country:Portugal
Document type:doctoral thesis
Access type:restricted access
Associated institution:ISCTE
Language:Portuguese
Origin:Repositório ISCTE
Description
Summary:Baseado num conjunto de pressupostos históricos, lugares comuns sobre o carácter dos portugueses e apriorismos sobre o seu modo de ser, o luso-tropicalismo moldou-se à história de Portugal e foi indispensável para a sobrevivência da «comunidade lusíada» nas últimas décadas do regime autoritário. Este modo particular de reinterpretar a história da colonização portuguesa ganhou consistência na década de 1960, quando uma série de rituais e práticas prosaicas contribuiu para promover a ideia de que Portugal era um país multirracial, geograficamente diverso, e uma unidade politicamente homogénea. O objectivo desta investigação é descrever e analisar um conjunto de acontecimentos comuns que generalizaram o luso-tropicalismo na vida diária. Vou procurar demonstrar como uma série de acontecimentos da cultura de massas – desde ícones do futebol, como Eusébio, passando por celebridades da música popular portuguesa, como João Maria Tudella e Eduardo Nascimento, entre outros, até aos concursos de beleza realizados na década de 1970 – dialogaram com os temas associados ao luso-tropicalismo, contribuindo em muitos casos para naturalizar as suas representações. Além do objectivo puramente historiográfico, que passa por recensear as formas que banalizaram o luso-tropicalismo fora do campo institucional, este trabalho pretende igualmente assinalar a contingência das representações luso-tropicalistas, que acabaram por soçobrar pouco tempo após a queda do regime autoritário.