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Sobre a monografia rural

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Resumo:A forma de pesquisa que se designa por monografia circunscreve um método que se pode reconduzir à designação de «estudo de caso» ou «análise intensiva», na classificação proposta por Ernest Greenwood. Uma busca dos primeiros usos da monografia encontraria uma tripla origem principal: a geografia humana (em especial a escola de Vidal de la Blache), a etnologia (fundamentalmente a escola estruturo-funcionalista clássica) e a ciência social (sociologia) de Le Play e das «sociedades rurais». Ora, todos esses usos da monografia revelam limites de visibilidade teórica impostos pela articulação do método com as teorias que o comandam. Na 1ª parte deste artigo, examinam-se precisamente alguns desses limites, primeiro na geografia humana (problemas do espaço e da relação entre variáveis «naturais» e «sociais»), depois na antropologia (problemas do fechamento do campo analítico e do anti-historicismo) e por fim na chamada sociologia rural (marcada até certo ponto pela dicotomia entre o evolucionismo e o anti-historicismo). Na 2ª parte, procura-se enunciar as condições de legitimidade teórica da utilização da monografia rural. Aí se afirma, por um lado, que, contra as tentações do dedutivismo teórico, é necessário reafirmar que a produção de conhecimento supõe o trabalho no terreno, a investigação empírica frequentemente o uso do método monográfico. Por outro lado, contra o hiperfactualismo empirista (conduzindo ao somatório de totalidades fechadas, à ignorância dos processos sociais contraditórios de conjunto, à reprodução elaborada das noções de «senso-comum»), há que procurar percursos teóricos alternativos e explícitos que dispam o método monográfico de certos pressupostos habituais do seu uso e que contribuam efectivamente para a inteligibilidade das situações concretas.
Autores principais:Almeida, João Ferreira de
Assunto:Monografia rural Interdisciplinidade
Ano:1977
País:Portugal
Tipo de documento:artigo
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:ISCTE
Idioma:português
Origem:Repositório ISCTE
Descrição
Resumo:A forma de pesquisa que se designa por monografia circunscreve um método que se pode reconduzir à designação de «estudo de caso» ou «análise intensiva», na classificação proposta por Ernest Greenwood. Uma busca dos primeiros usos da monografia encontraria uma tripla origem principal: a geografia humana (em especial a escola de Vidal de la Blache), a etnologia (fundamentalmente a escola estruturo-funcionalista clássica) e a ciência social (sociologia) de Le Play e das «sociedades rurais». Ora, todos esses usos da monografia revelam limites de visibilidade teórica impostos pela articulação do método com as teorias que o comandam. Na 1ª parte deste artigo, examinam-se precisamente alguns desses limites, primeiro na geografia humana (problemas do espaço e da relação entre variáveis «naturais» e «sociais»), depois na antropologia (problemas do fechamento do campo analítico e do anti-historicismo) e por fim na chamada sociologia rural (marcada até certo ponto pela dicotomia entre o evolucionismo e o anti-historicismo). Na 2ª parte, procura-se enunciar as condições de legitimidade teórica da utilização da monografia rural. Aí se afirma, por um lado, que, contra as tentações do dedutivismo teórico, é necessário reafirmar que a produção de conhecimento supõe o trabalho no terreno, a investigação empírica frequentemente o uso do método monográfico. Por outro lado, contra o hiperfactualismo empirista (conduzindo ao somatório de totalidades fechadas, à ignorância dos processos sociais contraditórios de conjunto, à reprodução elaborada das noções de «senso-comum»), há que procurar percursos teóricos alternativos e explícitos que dispam o método monográfico de certos pressupostos habituais do seu uso e que contribuam efectivamente para a inteligibilidade das situações concretas.