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O controlo político da execução do Orçamento do Estado: O processo de apreciação e votação da Conta Geral do Estado

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A obrigação dos decisores políticos prestarem contas das decisões que tomam, responsabilizando-se pelos seus efeitos e resultados (accountability), constitui uma das principais dimensões qualitativas dos regimes democráticos. Nesta perspetiva, a Conta Geral do Estado (CGE) constitui um instrumento privilegiado, ao dispor do Parlamento, para fiscalizar, a posteriori, a atuação do Governo. A relevância que a CGE assume no contexto jurídico-político, a inexistência de literatura específica sobre esta temática, a que se alia uma certa evidência de que Parlamento não lhe vem conferindo a devida atenção, conduziu-nos à nossa pergunta de partida, que vai no sentido de saber como efetivamente evoluiu o processo de apreciação e votação da CGE nos últimos 50 anos e quais os fatores que determinaram ou condicionaram essa evolução. Indo ao encontro do que vem sendo o entendimento da literatura institucionalista, no centro da nossa reflexão está a comissão parlamentar de finanças – por se entender que o controlo político orçamental depende da existência de uma comissão parlamentar forte e bem estruturada. Para além da essencialidade de um conjunto de pré-requisitos institucionais, a eficácia real deste controlo depende da vontade política dos parlamentares. A nossa investigação teve por base os textos legais e os documentos que reproduzem os processos de análise e votação da CGE, em Plenário e em Comissão, e os pareceres do Tribunal de Contas. Se nos primeiros anos de democracia as fragilidades identificadas ao nível da capacidade parlamentar explicam a ausência e a irregularidade verificadas na fiscalização das contas do Estado, a inexistência de vontade política justificam o défice de accountability que continua a verificar-se.
Autores principais:Pessanha, Alexandra Paula Monteiro
Assunto:Prestação de contas -- Accountability Conta Geral do Estado Controlo político orçamental Parlamento -- Parliament General state account Political budgetary oversight
Ano:2025
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:ISCTE
Idioma:português
Origem:Repositório ISCTE
Descrição
Resumo:A obrigação dos decisores políticos prestarem contas das decisões que tomam, responsabilizando-se pelos seus efeitos e resultados (accountability), constitui uma das principais dimensões qualitativas dos regimes democráticos. Nesta perspetiva, a Conta Geral do Estado (CGE) constitui um instrumento privilegiado, ao dispor do Parlamento, para fiscalizar, a posteriori, a atuação do Governo. A relevância que a CGE assume no contexto jurídico-político, a inexistência de literatura específica sobre esta temática, a que se alia uma certa evidência de que Parlamento não lhe vem conferindo a devida atenção, conduziu-nos à nossa pergunta de partida, que vai no sentido de saber como efetivamente evoluiu o processo de apreciação e votação da CGE nos últimos 50 anos e quais os fatores que determinaram ou condicionaram essa evolução. Indo ao encontro do que vem sendo o entendimento da literatura institucionalista, no centro da nossa reflexão está a comissão parlamentar de finanças – por se entender que o controlo político orçamental depende da existência de uma comissão parlamentar forte e bem estruturada. Para além da essencialidade de um conjunto de pré-requisitos institucionais, a eficácia real deste controlo depende da vontade política dos parlamentares. A nossa investigação teve por base os textos legais e os documentos que reproduzem os processos de análise e votação da CGE, em Plenário e em Comissão, e os pareceres do Tribunal de Contas. Se nos primeiros anos de democracia as fragilidades identificadas ao nível da capacidade parlamentar explicam a ausência e a irregularidade verificadas na fiscalização das contas do Estado, a inexistência de vontade política justificam o défice de accountability que continua a verificar-se.