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Sindicatos Portugueses, Utilização da Internet e Culturas Digitais

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Resumo:A grande maioria dos movimentos sindicais dos países mais desenvolvidos passou a enfrentar uma crise a partir dos anos 70. Com vista a superar esses tempos difíceis (Chaison, 1996) desenvolveram um conjunto de estratégias diversificadas, entre as quais se conta a adopção das TIC – Tecnologias da Informação e da Comunicação e, em particular, a utilização da internet. Os sindicatos adoptaram estas tecnologias mais tardiamente do que as empresas ou outro tipo de organizações (Ad-Hoc Committee on Labor and the Web, 1999; Fiorito et al., 2000; Pinnock, 2005), mas as vantagens competitivas que elas oferecem e a sua flexibilidade encorajou-os a utilizarem-nas de uma forma crescente. Um pouco por todo o mundo, os sindicatos estão a fazer um investimento significativo no campo das TIC, utilizando-as em diversas áreas com determinados objetivos. Alguns estudos revelam que esse investimento tem tido um impacto relevante na organização mas um efeito mais mitigado na eficiência geral dos sindicatos (Fiorito et al, 2002). Contudo há autores que vão mais longe enfatizando que as TIC têm não apenas um grande impacto nos resultados da atividade sindical mas contribuem também para uma transformação qualitativa levando à emergência de novas formas de organização sindical. Os conceitos de e-union (Darlington, 2000) e cyberunion (Shostak, 1999, 2002) são disso exemplos. No entanto, o insuficiente ou baixo grau de literacia informática suscita a questão da mudança cultural na transição do uso de dispositivos e práticas analógicas para novos sistemas e práticas digitais. Esta transição problemática poderá explicar, pelo menos parcialmente, a lentidão na adopção das TIC por parte de sindicatos cujas lideranças tiveram determinadas trajetórias específicas. Com esta comunicação evidenciaremos que a difusão das TIC no movimento sindical português se tem vindo a fazer de forma diferenciada e demonstraremos a oportunidade perdida que os sítios dos sindicatos na Internet parecem constituir no sentido de uma sua contribuição para a revitalização do movimento sindical. Metodologicamente, aliou-se a análise extensiva (inquérito realizado junto dos sindicatos portugueses ativos em 2011 e análise da presença sindical na Internet), à análise intensiva (estudo de caso incidindo sobre a CGTP-IN).
Autores principais:Correia, Manuel
Outros Autores:Alves, Paulo Marques; Garrido, Ulisses; Gonçalves, Luis; Fidalgo, Fernando
Assunto:sindicalismo crise revitalização tecnologias da informação e da comunicação
Ano:2012
País:Portugal
Tipo de documento:documento de conferência
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:ISCTE
Idioma:português
Origem:Repositório ISCTE
Descrição
Resumo:A grande maioria dos movimentos sindicais dos países mais desenvolvidos passou a enfrentar uma crise a partir dos anos 70. Com vista a superar esses tempos difíceis (Chaison, 1996) desenvolveram um conjunto de estratégias diversificadas, entre as quais se conta a adopção das TIC – Tecnologias da Informação e da Comunicação e, em particular, a utilização da internet. Os sindicatos adoptaram estas tecnologias mais tardiamente do que as empresas ou outro tipo de organizações (Ad-Hoc Committee on Labor and the Web, 1999; Fiorito et al., 2000; Pinnock, 2005), mas as vantagens competitivas que elas oferecem e a sua flexibilidade encorajou-os a utilizarem-nas de uma forma crescente. Um pouco por todo o mundo, os sindicatos estão a fazer um investimento significativo no campo das TIC, utilizando-as em diversas áreas com determinados objetivos. Alguns estudos revelam que esse investimento tem tido um impacto relevante na organização mas um efeito mais mitigado na eficiência geral dos sindicatos (Fiorito et al, 2002). Contudo há autores que vão mais longe enfatizando que as TIC têm não apenas um grande impacto nos resultados da atividade sindical mas contribuem também para uma transformação qualitativa levando à emergência de novas formas de organização sindical. Os conceitos de e-union (Darlington, 2000) e cyberunion (Shostak, 1999, 2002) são disso exemplos. No entanto, o insuficiente ou baixo grau de literacia informática suscita a questão da mudança cultural na transição do uso de dispositivos e práticas analógicas para novos sistemas e práticas digitais. Esta transição problemática poderá explicar, pelo menos parcialmente, a lentidão na adopção das TIC por parte de sindicatos cujas lideranças tiveram determinadas trajetórias específicas. Com esta comunicação evidenciaremos que a difusão das TIC no movimento sindical português se tem vindo a fazer de forma diferenciada e demonstraremos a oportunidade perdida que os sítios dos sindicatos na Internet parecem constituir no sentido de uma sua contribuição para a revitalização do movimento sindical. Metodologicamente, aliou-se a análise extensiva (inquérito realizado junto dos sindicatos portugueses ativos em 2011 e análise da presença sindical na Internet), à análise intensiva (estudo de caso incidindo sobre a CGTP-IN).