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Jovens e política: o papel da socialização na participação política

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Resumo:Considerado um elemento fundamental da democracia representativa, o sufrágio universal é o meio que os cidadãos têm ao dispor para intervir directamente na escolha dos seus representantes nas instituições democráticas e, assim, expressar o seu apoio ou desacordo com as propostas políticas em «concurso». O decréscimo dos níveis de participação eleitoral observado nos últimos anos, independentemente da fase de consolidação democrática, é fonte de naturais preocupações para a própria legitimidade da democracia. Em particular, o tradicional e elevado abstencionismo observado entre os mais jovens suscita dois tipos de inquietações. Em primeiro lugar, a desmobilização geracional, um arrefecimento geral na participação eleitoral observado de geração em geração. Em segundo lugar, as especificidades próprias de uma fase de vida em que a política não parece ser particularmente entusiasmante. As explicações do efeito geracional e do efeito dos ciclos de vida respondem muito bem a uma e outra inquietação, serenando alguns temores de crise: de um lado, a adesão a formas alternativas de participação política e, de outro, a convicção de a integração social com a entrada numa nova fase de vida [e o pacote de responsabilidades que a acompanha] favorecer um maior envolvimento político. Porém, interessa também identificar as diferenças que existem entre elementos pertencentes a um mesmo segmento etário. Para isso foram entrevistados onze jovens com vários perfis de integração e relacionamento com a política, interessando em particular, mapear os respectivos trajectos de vida, tendo como grande referência os mecanismos de transmissão de referências políticas. Neste caso, privilegiou-se o enfoque a partir da socialização política, esperando compreender o impacto que a socialização política pode ter na configuração de uma cultura política de participação e envolvimento políticos. As diferenças observadas estão na base de tipos-ideais ou perfis de indivíduos construídos para dar expressão a diferenças fundamentais identificadas nos relacionamentos mantidos com a política. Desde logo, ao nível da participação política (convencional e não convencional) mas também ao nível do envolvimento e interesse pela política.
Autores principais:Varela, Alexandre Manuel Rosa
Assunto:Democracia Participação política Jovens Socialização política Tipos-ideais Democracy Political participation Young people Political socialization Ideal types
Ano:2009
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:ISCTE
Idioma:português
Origem:Repositório ISCTE
Descrição
Resumo:Considerado um elemento fundamental da democracia representativa, o sufrágio universal é o meio que os cidadãos têm ao dispor para intervir directamente na escolha dos seus representantes nas instituições democráticas e, assim, expressar o seu apoio ou desacordo com as propostas políticas em «concurso». O decréscimo dos níveis de participação eleitoral observado nos últimos anos, independentemente da fase de consolidação democrática, é fonte de naturais preocupações para a própria legitimidade da democracia. Em particular, o tradicional e elevado abstencionismo observado entre os mais jovens suscita dois tipos de inquietações. Em primeiro lugar, a desmobilização geracional, um arrefecimento geral na participação eleitoral observado de geração em geração. Em segundo lugar, as especificidades próprias de uma fase de vida em que a política não parece ser particularmente entusiasmante. As explicações do efeito geracional e do efeito dos ciclos de vida respondem muito bem a uma e outra inquietação, serenando alguns temores de crise: de um lado, a adesão a formas alternativas de participação política e, de outro, a convicção de a integração social com a entrada numa nova fase de vida [e o pacote de responsabilidades que a acompanha] favorecer um maior envolvimento político. Porém, interessa também identificar as diferenças que existem entre elementos pertencentes a um mesmo segmento etário. Para isso foram entrevistados onze jovens com vários perfis de integração e relacionamento com a política, interessando em particular, mapear os respectivos trajectos de vida, tendo como grande referência os mecanismos de transmissão de referências políticas. Neste caso, privilegiou-se o enfoque a partir da socialização política, esperando compreender o impacto que a socialização política pode ter na configuração de uma cultura política de participação e envolvimento políticos. As diferenças observadas estão na base de tipos-ideais ou perfis de indivíduos construídos para dar expressão a diferenças fundamentais identificadas nos relacionamentos mantidos com a política. Desde logo, ao nível da participação política (convencional e não convencional) mas também ao nível do envolvimento e interesse pela política.