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Os bairros sociais vistos por si mesmos: actores, imagens públicas e identidades

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Resumo:Este artigo resulta de uma pesquisa realizada no âmbito do Observatório da Habitação (6ª fase), por encomenda da Câmara Municipal de Lisboa ao CET, desde 1992 e desenvolvido de forma faseada no tempo. Esta fase foi realizada entre Outubro de 1998 e Janeiro de 20011 e tinha como objectivo genérico aprofundar o conhecimento dos processos de estruturação de identidades e imagens públicas negativas em bairros sociais, já objecto de estudo do Observatório em fases anteriores. Através de uma pesquisa exploratória e uma abordagem qualitativa em três dos bairros em estudo, pretendia-se identificar os actores reconhecidos pela comunidade local como produtores das imagens públicas negativas dos bairros, bem como avaliar os efeitos das suas práticas sobre as dinâmicas sociais de cada um dos bairros. O presente artigo pretende ilustrar alguns dos elementos que a pesquisa tornou perceptível: a droga, as conflitualidades e os bandos de jovens são categorias centrais de discursos heterogéneos de actores residentes que, de formas diversas, apreendem, (re)constroem e representam, para si, as imagens públicas que reconhecem negativas dos seus bairros para, de seguida, as exteriorizarem e a elas reagirem, imagens profundamente enraizadas que os realojamentos não souberam ou não puderam apagar. Estes bairros actuam como verdadeiros contextos de estigmatização e os entrevistados, responsáveis activos pela produção dessas imagens, são actores cujas oportunidades, projectos e identidades se encontram irremediavelmente ligadas às imagens públicas negativas dos seus contextos residenciais.
Autores principais:Gonçalves, Alda
Outros Autores:Pinto, Teresa Costa
Assunto:imagens públicas identidades estigma estratégias identitárias droga/toxicodependência
Ano:2001
País:Portugal
Tipo de documento:artigo
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:ISCTE
Idioma:português
Origem:Repositório ISCTE
Descrição
Resumo:Este artigo resulta de uma pesquisa realizada no âmbito do Observatório da Habitação (6ª fase), por encomenda da Câmara Municipal de Lisboa ao CET, desde 1992 e desenvolvido de forma faseada no tempo. Esta fase foi realizada entre Outubro de 1998 e Janeiro de 20011 e tinha como objectivo genérico aprofundar o conhecimento dos processos de estruturação de identidades e imagens públicas negativas em bairros sociais, já objecto de estudo do Observatório em fases anteriores. Através de uma pesquisa exploratória e uma abordagem qualitativa em três dos bairros em estudo, pretendia-se identificar os actores reconhecidos pela comunidade local como produtores das imagens públicas negativas dos bairros, bem como avaliar os efeitos das suas práticas sobre as dinâmicas sociais de cada um dos bairros. O presente artigo pretende ilustrar alguns dos elementos que a pesquisa tornou perceptível: a droga, as conflitualidades e os bandos de jovens são categorias centrais de discursos heterogéneos de actores residentes que, de formas diversas, apreendem, (re)constroem e representam, para si, as imagens públicas que reconhecem negativas dos seus bairros para, de seguida, as exteriorizarem e a elas reagirem, imagens profundamente enraizadas que os realojamentos não souberam ou não puderam apagar. Estes bairros actuam como verdadeiros contextos de estigmatização e os entrevistados, responsáveis activos pela produção dessas imagens, são actores cujas oportunidades, projectos e identidades se encontram irremediavelmente ligadas às imagens públicas negativas dos seus contextos residenciais.