Publicação
A suscetibilidade da tendência deprimida: O caso do efeito de ancoragem
| Resumo: | Estados afetivos negativos induzem um processamento de informação mais extenso e detalhado, o que permite que os individuos neste estado estejam mais protegidos de vieses cognitivos em processos de decisão. No entanto, não se encontra evidência deste efeito em processos de ancoragem e ajustamento. Neste trabalho procura-se testar esta hipótese com os indivíduos que manifestem uma maior ou menor tendência depressiva. Pretende-se fornecer informação relativa à forma como os indivíduos com tendência depressiva, em contraste com indivíduos não-deprimidos, demonstram sensibilidade aos efeitos de ancoragem, nomeadamente, a âncoras elevadas e baixas em estimativas de frequência. Procura-se perceber se o tom afetivo do contexto modera este efeito, nomeadamente, como o efeito de ancoragem se manifesta quando lhes são apresentados conteúdos de tom afetivo neutro, negativo e depressivo. Para identificar a tendência depressiva, os participantes (N=245) completaram tarefas de ancoragem e preencheram a Escala de Depressão de Beck, sendo, posteriormente, divididos nos quartis extremos. Os resultados alcançados sugerem que, tanto os indivíduos com tendências depressivas como os individuos não-deprimidos, são mais suscetíveis à âncora nas frases neutras do que nas negativas. Os deprimidos são, no entanto, mais propensos a este efeito, sobrestimando e subestimando mais consoante as ancoras. Mais relevante ainda é o facto de que, quando expostos às frases de tom afetivo depressivo, os resultados sugerem uma diferença significativa entre os dois grupos. Enquanto os indivíduos não-deprimidos aparentam tratar estas frases de maneira muito idêntica às do tom afetivo negativo, os individuos com tendências depressivas aparentam tratá-las de maneira muito diferente, comparativamente às frases dos outros tons (negativas e neutras). Ainda neste tom afetivo, muito surpreendentemente, os participantes com tendências depressivas, aparentam não ancorar. Estes resultados são, posteriormente, discutidos à luz da literatura sobre ancoragem e estado afetivo negativo. Limitações do estudo são também discutidas, tal como futuras investigações são fornecidas. |
|---|---|
| Autores principais: | Rute Amaral Dias |
| Assunto: | Tendência depressiva Tom afetivo Tomada de decisão Ancoragem e ajustamento Depressive tendency Affective tone Decision making Anchoring and adjustment |
| Ano: | 2019 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso restrito |
| Instituição associada: | Ispa-Instituto Universitário |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório do Ispa - Instituto Universitário |
| Resumo: | Estados afetivos negativos induzem um processamento de informação mais extenso e detalhado, o que permite que os individuos neste estado estejam mais protegidos de vieses cognitivos em processos de decisão. No entanto, não se encontra evidência deste efeito em processos de ancoragem e ajustamento. Neste trabalho procura-se testar esta hipótese com os indivíduos que manifestem uma maior ou menor tendência depressiva. Pretende-se fornecer informação relativa à forma como os indivíduos com tendência depressiva, em contraste com indivíduos não-deprimidos, demonstram sensibilidade aos efeitos de ancoragem, nomeadamente, a âncoras elevadas e baixas em estimativas de frequência. Procura-se perceber se o tom afetivo do contexto modera este efeito, nomeadamente, como o efeito de ancoragem se manifesta quando lhes são apresentados conteúdos de tom afetivo neutro, negativo e depressivo. Para identificar a tendência depressiva, os participantes (N=245) completaram tarefas de ancoragem e preencheram a Escala de Depressão de Beck, sendo, posteriormente, divididos nos quartis extremos. Os resultados alcançados sugerem que, tanto os indivíduos com tendências depressivas como os individuos não-deprimidos, são mais suscetíveis à âncora nas frases neutras do que nas negativas. Os deprimidos são, no entanto, mais propensos a este efeito, sobrestimando e subestimando mais consoante as ancoras. Mais relevante ainda é o facto de que, quando expostos às frases de tom afetivo depressivo, os resultados sugerem uma diferença significativa entre os dois grupos. Enquanto os indivíduos não-deprimidos aparentam tratar estas frases de maneira muito idêntica às do tom afetivo negativo, os individuos com tendências depressivas aparentam tratá-las de maneira muito diferente, comparativamente às frases dos outros tons (negativas e neutras). Ainda neste tom afetivo, muito surpreendentemente, os participantes com tendências depressivas, aparentam não ancorar. Estes resultados são, posteriormente, discutidos à luz da literatura sobre ancoragem e estado afetivo negativo. Limitações do estudo são também discutidas, tal como futuras investigações são fornecidas. |
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