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Agentes fictícios: Inferência espontânea de traço e suspensão da descrença

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Quando interagimos e percecionamos outros, inferimos de forma automática e inconsciente traços de personalidade; um processo conhecido como inferência espontânea de traços. Os estudos documentam a ocorrência de inferências espontâneas de traço sobre atores humanos mas não sobre personagens de livros, filmes de fantasia e ficção científica com os quais nos envolvemos, ou figuras mitológicas. Neste trabalho colmatamos este facto contrastando o processo de inferência de traços de personalidade em relação a humanos com a sua ocorrência face a agentes fictícios. Para o efeito, utilizou-se o paradigma da recordação com pistas para ambos os atores, junto de uma amostra de 92 participantes recrutados em contexto laboratorial e online. Os participantes leram um conjunto de frases implicativas de traços, que podiam ter uma contextualização real (e.g., “A Mariana acertou em todas as respostas do teste de matemática”) ou fictícia (e.g., “A medusa acertou em todas as respostas do teste de alquimia”) e foram solicitados a recordarem-se das frases. A recordação foi apoiada por uma pista disposicional (“inteligente”) ou semântica (“testagem”). Os resultados sugerem a ausência de diferenças entre humanos e agentes fictícios. Porém, quando se controlou para a capacidade dos participantes suspenderem a sua descrença, que é fundamental para o nosso envolvimento com mundos fictícios, os dados sugerem que a frequência desta suspensão não modera a ocorrência de inferências para agentes presentes nestes contextos, mas provoca uma melhor memorização das frases. Os dados são discutidos à luz de processos de perceção social enquanto interagimos com narrativas e da antropomorfização de personagens
Autores principais:Almeida, Diogo Alberto Dinis
Assunto:inferência espontânea de traços suspensão da descrença ficção memória spontaneous trait inference suspension of disbelief fiction memory
Ano:2025
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso embargado
Instituição associada:Ispa-Instituto Universitário
Idioma:português
Origem:Repositório do Ispa - Instituto Universitário
Descrição
Resumo:Quando interagimos e percecionamos outros, inferimos de forma automática e inconsciente traços de personalidade; um processo conhecido como inferência espontânea de traços. Os estudos documentam a ocorrência de inferências espontâneas de traço sobre atores humanos mas não sobre personagens de livros, filmes de fantasia e ficção científica com os quais nos envolvemos, ou figuras mitológicas. Neste trabalho colmatamos este facto contrastando o processo de inferência de traços de personalidade em relação a humanos com a sua ocorrência face a agentes fictícios. Para o efeito, utilizou-se o paradigma da recordação com pistas para ambos os atores, junto de uma amostra de 92 participantes recrutados em contexto laboratorial e online. Os participantes leram um conjunto de frases implicativas de traços, que podiam ter uma contextualização real (e.g., “A Mariana acertou em todas as respostas do teste de matemática”) ou fictícia (e.g., “A medusa acertou em todas as respostas do teste de alquimia”) e foram solicitados a recordarem-se das frases. A recordação foi apoiada por uma pista disposicional (“inteligente”) ou semântica (“testagem”). Os resultados sugerem a ausência de diferenças entre humanos e agentes fictícios. Porém, quando se controlou para a capacidade dos participantes suspenderem a sua descrença, que é fundamental para o nosso envolvimento com mundos fictícios, os dados sugerem que a frequência desta suspensão não modera a ocorrência de inferências para agentes presentes nestes contextos, mas provoca uma melhor memorização das frases. Os dados são discutidos à luz de processos de perceção social enquanto interagimos com narrativas e da antropomorfização de personagens