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Falta : Luto desautorizado em tempos de pandemia

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O luto desautorizado, proposto por Kenneth Doka, caracteriza-se pela percepção da pessoa enlutada, da falta de reconhecimento ou legitimação, dos pares ou comunidade, pela perda e suas manifestações. Este estudo qualitativo procura compreender qual o impacto de perder um ente querido durante o Estado de Emergência em Portugal devido à pandemia Covid-19, e também tentar perceber a experiência à luz do conceito de luto desautorizado. Foram realizadas entrevistas semi-estruturadas com oito pessoas que tinham perdido entes queridos da sua família imediata. As entrevistas foram analisadas através de uma análise temática. Os resultados indicaram dois factores essenciais para o processo de luto dos participantes: a) o contacto impedido com os entes queridos quando estes se encontravam doentes e hospitalizados, e b) a falta de acesso ao corpo após o falecimento, que incluía proibição de exéquias. Tudo isto foi percebido como actos danosos e desrespeitosos, por parte do Estado. Esta falta de reconhecimento e legitimização do sofrimento enquadram-se no conceito de luto desautorizado e são importantes para compreender a ocorrência de luto complicado/persistente durante a pandemia. Estas experiências podem constituir-se como factores que atrasam e interferem num processo de luto saudável. Esta investigação aponta para a necessidade de reenquadrar as razões de um luto menos normativo como não sendo exclusivamente internas, dada a conjuntura restritiva em que as perdas ocorreram. Sobretudo, quando a pandemia Covid-19 é uma questão de saúde pública mundial.
Autores principais:Nascimento, Mário Nelson Paulino do
Assunto:Covid-19 Luto Luto desautorizado Pandemia Portugal Bereavement Disenfranchised grief Grief Mourning
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Ispa-Instituto Universitário
Idioma:português
Origem:Repositório do Ispa - Instituto Universitário
Descrição
Resumo:O luto desautorizado, proposto por Kenneth Doka, caracteriza-se pela percepção da pessoa enlutada, da falta de reconhecimento ou legitimação, dos pares ou comunidade, pela perda e suas manifestações. Este estudo qualitativo procura compreender qual o impacto de perder um ente querido durante o Estado de Emergência em Portugal devido à pandemia Covid-19, e também tentar perceber a experiência à luz do conceito de luto desautorizado. Foram realizadas entrevistas semi-estruturadas com oito pessoas que tinham perdido entes queridos da sua família imediata. As entrevistas foram analisadas através de uma análise temática. Os resultados indicaram dois factores essenciais para o processo de luto dos participantes: a) o contacto impedido com os entes queridos quando estes se encontravam doentes e hospitalizados, e b) a falta de acesso ao corpo após o falecimento, que incluía proibição de exéquias. Tudo isto foi percebido como actos danosos e desrespeitosos, por parte do Estado. Esta falta de reconhecimento e legitimização do sofrimento enquadram-se no conceito de luto desautorizado e são importantes para compreender a ocorrência de luto complicado/persistente durante a pandemia. Estas experiências podem constituir-se como factores que atrasam e interferem num processo de luto saudável. Esta investigação aponta para a necessidade de reenquadrar as razões de um luto menos normativo como não sendo exclusivamente internas, dada a conjuntura restritiva em que as perdas ocorreram. Sobretudo, quando a pandemia Covid-19 é uma questão de saúde pública mundial.