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Percepções de justiça, legitimação da autoridade e exercício de cidadania no contexto escolar

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Resumo:Este trabalho debruçou-se sobre os efeitos da percepção de justiça no contexto escolar. Foram três os objectivos gerais de pesquisa do presente estudo: (a) analisar o impacto das percepções de justiça na legitimação da autoridade escolar (os professores); (b) analisar o impacto das percepções de justiça no exercício de cidadania escolar e (c) analisar o papel mediador da legitimação dos professores na relação entre as percepções de justiça e o exercício de cidadania. A amostra do estudo foi constituída por 293 estudantes dos 5o (94), 8o (105) e 11° (95) anos de escolaridade, com idades compreendidas entre os 10 e os 19 anos, rapazes e raparigas, de duas escolas públicas da região de Lisboa, uma Básica 2.3. e outra Secundária. Na recolha dos dados utilizámos um questionário composto por uma questão aberta, remetendo para a descrição de uma situação em que os alunos se sentiram injustiçados por um professor, e três escalas distintas: percepção de justiça (Gouveia-Pereira, 2004); legitimação do professor (Gouveia-Pereira, 2004) e exercício de cidadania escolar (construída no quadro da pesquisa). Ao analisarmos os nossos resultados verificámos que são, essencialmente, os aspectos relacionais de justiça que contribuem para os alunos legitimarem a autoridade dos seus professores; o mesmo não se verificando com a justiça distributiva. Relativamente à relação entre a percepção de justiça e o exercício de cidadania, verificámos que é também a dimensão relacional de justiça que mais fomenta o exercício de cidadania nas dimensões analisadas (participação, solidariedade/cooperação, assunção de responsabilidades). De igual modo, ao analisarmos a mediação da variável legitimação da autoridade escolar na relação entre as percepções de justiça e o exercício de cidadania verificámos que esta mediação é total. Os resultados referidos validam o Modelo Relacional de Autoridade (MRA) (Lind & Tyler, 1992), uma vez que são os aspectos relacionais de justiça que mais explicam a legitimação da autoridade escolar e, valida-se ainda, o Modelo do Envolvimento do Grupo (MEG) (Tyler & Blader, 2003), na medida em que a justiça relacional fomenta a valorização da cooperação e os comportamentos de obediência voluntária a directivas da autoridade. Este estudo contribui para a compreensão do que conduz os estudantes adolescentes a legitimarem a autoridade dos professores, bem como "abre caminho" para a compreensão do como os alunos se envolvem no exercício de cidadania escolar.
Autores principais:Marçal, Carla Maria Martins
Assunto:Psicologia educacional Justiça Cidadãos Autoridade Escolas Desenvolvimento Justiça social Desenvolvimento moral Instrumentos Educational psychology Justice Citizenship Autority Schools Development Social justice Moral development Instruments
Ano:2005
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Ispa-Instituto Universitário
Idioma:português
Origem:Repositório do Ispa - Instituto Universitário
Descrição
Resumo:Este trabalho debruçou-se sobre os efeitos da percepção de justiça no contexto escolar. Foram três os objectivos gerais de pesquisa do presente estudo: (a) analisar o impacto das percepções de justiça na legitimação da autoridade escolar (os professores); (b) analisar o impacto das percepções de justiça no exercício de cidadania escolar e (c) analisar o papel mediador da legitimação dos professores na relação entre as percepções de justiça e o exercício de cidadania. A amostra do estudo foi constituída por 293 estudantes dos 5o (94), 8o (105) e 11° (95) anos de escolaridade, com idades compreendidas entre os 10 e os 19 anos, rapazes e raparigas, de duas escolas públicas da região de Lisboa, uma Básica 2.3. e outra Secundária. Na recolha dos dados utilizámos um questionário composto por uma questão aberta, remetendo para a descrição de uma situação em que os alunos se sentiram injustiçados por um professor, e três escalas distintas: percepção de justiça (Gouveia-Pereira, 2004); legitimação do professor (Gouveia-Pereira, 2004) e exercício de cidadania escolar (construída no quadro da pesquisa). Ao analisarmos os nossos resultados verificámos que são, essencialmente, os aspectos relacionais de justiça que contribuem para os alunos legitimarem a autoridade dos seus professores; o mesmo não se verificando com a justiça distributiva. Relativamente à relação entre a percepção de justiça e o exercício de cidadania, verificámos que é também a dimensão relacional de justiça que mais fomenta o exercício de cidadania nas dimensões analisadas (participação, solidariedade/cooperação, assunção de responsabilidades). De igual modo, ao analisarmos a mediação da variável legitimação da autoridade escolar na relação entre as percepções de justiça e o exercício de cidadania verificámos que esta mediação é total. Os resultados referidos validam o Modelo Relacional de Autoridade (MRA) (Lind & Tyler, 1992), uma vez que são os aspectos relacionais de justiça que mais explicam a legitimação da autoridade escolar e, valida-se ainda, o Modelo do Envolvimento do Grupo (MEG) (Tyler & Blader, 2003), na medida em que a justiça relacional fomenta a valorização da cooperação e os comportamentos de obediência voluntária a directivas da autoridade. Este estudo contribui para a compreensão do que conduz os estudantes adolescentes a legitimarem a autoridade dos professores, bem como "abre caminho" para a compreensão do como os alunos se envolvem no exercício de cidadania escolar.