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O impacto da relação entre job crafting e autoeficácia sobre o bem-estar dos guardas prisionais portugueses.

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O presente estudo investigou de que forma a autoeficácia e o job crafting influenciam o bem-estar afetivo no trabalho dos guardas prisionais portugueses. A pertinência da investigação é extrema, visto que a categoria profissional de guarda prisional em Portugal é reconhecida mundialmente como uma das atividades ocupacionais mais exigências, apresentando um elevado risco para a saúde mental e física dos profissionais. O estudo propõe-se a identificar a autoeficácia e o job crafting como recursos pessoais que podem mitigar este impacto negativo. O estudo adotou uma abordagem quantitativa e exploratória para testar as hipóteses propostas, incluindo um modelo de mediação. A amostra utilizada foi não probabilística por conveniência e consistiu em 93 guardas prisionais portugueses de diversos estabelecimentos prisionais. As variáveis foram medidas por instrumentos validados: a Escala de Bem Afetivo no Trabalho para o bem-estar afetivo no trabalho, a Escala de Autoeficácia Geral (EAG) para a autoeficácia e o Job Crafting Questionnaire para o job crafting. As relações diretas foram testadas através de Correlações de Pearson, e o efeito mediador da autoeficácia foi examinado recorrendo ao Modelo 4 da macro PROCESS, utilizando 5000 reamostragens bootstrapping. Os guardas prisionais da amostra apresentaram níveis médios de autoeficácia, job crafting e bem-estar ocupacional, os testes de correlação foram estatisticamente significativos e positivos, sustentando as H1, H2 e H3. Verificou-se que a autoeficácia se correlaciona positivamente com o job crafting (r = .344, p = < .001), e que ambos predizem níveis superiores de bem-estar afetivo no trabalho. No caso da mediação, não se verificou um efeito da mediação da autoeficácia na relação entre o job crafting e o bem-estar, uma vez que o efeito indireto não foi estatisticamente diferente de 0. O estudo destaca a importância dos recursos pessoais e das práticas de redesenho do trabalho para promover o bem-estar num contexto profissional altamente exigente. A inexistência da mediação (H4) sugere que, no ambiente prisional, a força do contexto (exigências externas e conflito de papéis) pode ser tão dominante que o efeito mediado pela autoeficácia não se manifeste estatisticamente, deixando as relações diretas como os caminhos primários. Os resultados contribuirão para o desenvolvimento de estratégias de promoção da saúde mental no sistema prisional português.
Autores principais:Morais, Marta Vanessa Costa
Assunto:Autoeficácia Redesenho do trabalho Job crafting Bem-estar afetivo no trabalho bem-estar Job Crafting Self efficacy Wellbeing Affective wellbeing at work
Ano:2025
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Ispa-Instituto Universitário
Idioma:português
Origem:Repositório do Ispa - Instituto Universitário
Descrição
Resumo:O presente estudo investigou de que forma a autoeficácia e o job crafting influenciam o bem-estar afetivo no trabalho dos guardas prisionais portugueses. A pertinência da investigação é extrema, visto que a categoria profissional de guarda prisional em Portugal é reconhecida mundialmente como uma das atividades ocupacionais mais exigências, apresentando um elevado risco para a saúde mental e física dos profissionais. O estudo propõe-se a identificar a autoeficácia e o job crafting como recursos pessoais que podem mitigar este impacto negativo. O estudo adotou uma abordagem quantitativa e exploratória para testar as hipóteses propostas, incluindo um modelo de mediação. A amostra utilizada foi não probabilística por conveniência e consistiu em 93 guardas prisionais portugueses de diversos estabelecimentos prisionais. As variáveis foram medidas por instrumentos validados: a Escala de Bem Afetivo no Trabalho para o bem-estar afetivo no trabalho, a Escala de Autoeficácia Geral (EAG) para a autoeficácia e o Job Crafting Questionnaire para o job crafting. As relações diretas foram testadas através de Correlações de Pearson, e o efeito mediador da autoeficácia foi examinado recorrendo ao Modelo 4 da macro PROCESS, utilizando 5000 reamostragens bootstrapping. Os guardas prisionais da amostra apresentaram níveis médios de autoeficácia, job crafting e bem-estar ocupacional, os testes de correlação foram estatisticamente significativos e positivos, sustentando as H1, H2 e H3. Verificou-se que a autoeficácia se correlaciona positivamente com o job crafting (r = .344, p = < .001), e que ambos predizem níveis superiores de bem-estar afetivo no trabalho. No caso da mediação, não se verificou um efeito da mediação da autoeficácia na relação entre o job crafting e o bem-estar, uma vez que o efeito indireto não foi estatisticamente diferente de 0. O estudo destaca a importância dos recursos pessoais e das práticas de redesenho do trabalho para promover o bem-estar num contexto profissional altamente exigente. A inexistência da mediação (H4) sugere que, no ambiente prisional, a força do contexto (exigências externas e conflito de papéis) pode ser tão dominante que o efeito mediado pela autoeficácia não se manifeste estatisticamente, deixando as relações diretas como os caminhos primários. Os resultados contribuirão para o desenvolvimento de estratégias de promoção da saúde mental no sistema prisional português.