Publicação
Transferência e contra-transferência numa psicoterapia
| Resumo: | O presente trabalho é um estudo de um caso clínico de uma jovem de dezanove anos, a Ana. Tivemos o primeiro contacto com Ana num hospital psiquiátrico de Lisboa onde estava internada. Chegou ao Hospital pela mão de dois polícias que a tinham ido buscar a casa por alegados comportamentos agressivos. Foi-lhe atribuída uma psiquiatra que nos pediu uma avaliação psicológica. Dois meses mais tarde Ana procura-nos para tratamento. Empreendemos uma psicoterapia de orientação psicanalítica de duas sessões semanais nos primeiros seis meses passando depois para três sessões semanais. A paciente tinha dificuldades na expressão verbal. A utilização da comunicação não verbal predominou em certa fase do tratamento e tivemos dificuldade em compreender o sentido dessas suas comunicações. Inicia uma serie de comportamentos que não entendemos. Um deles durou sensivelmente três semanas: Ana fazia questão de entrar e sair repetidamente da sala durante o período de consulta. Certo dia opusemo-nos directamente a essa atitude observando-lhe que se voltasse a entrar e a sair daquela consulta repetidamente então seria melhor interromper aquela sessão e continuaríamos a trabalhar na sessão seguinte. Através da supervisão de casos foi-nos possível entrar em contacto de uma forma mais consciente com alguns processos mentais, nomeadamente os repetitivos, que poderiam estar a ocorrer na relação terapêutica. Essa análise despoletou uma modificação substantiva do curso da psicoterapia no que diz respeito à natureza da aliança terapêutica, sintonia afectiva e Interpretação (trata-se da análise de alguns aspectos transfero-contra-transferências, mais especificamente, trata-se da análise de alguns movimentos de Identificação Projectiva e contra-Identificação Projectiva. Assim e em primeiro lugar faremos uma breve revisão teórica do conceito de Identificação com especial incidência sobre o sub-conceito de Identificação Projectiva. Ainda no corpo teórico abordamos os temas da transferência e contra-transferência. Especifica-se algumas modalidades de transferência nomeadamente a chamada Transferência Psicótica e Border-line. No que toca à contra-transferência, abordamos alguns problemas que esta pode levantar. De seguida traçaremos uma breve história clínica da paciente (Anamnese) e apresentaremos vinte sessões. Algumas das sessões são muito breves como veremos. Por fim propomo-nos discutir algumas generalidades sobre a situação em análise e desenvolver pontos específicos como é o caso do fenómeno da Repetição no acting-it-out como mecanismo de Identificação Projectiva. O que estaria a paciente a querer dizer com o seu acting? Tentamos perceber especificamente: como se organizam os sentimentos de medo, desespero e impotência dentro do paciente; como este comunica esses sentimentos ao terapeuta (transferência); como o terapeuta recebe e organiza dentro de si o seu medo, os sentimentos de impotência e desespero; como o terapeuta responde ao paciente (contra-transferência); como essa resposta prejudica ou beneficia o paciente. |
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| Autores principais: | Almeida, Manuel |
| Assunto: | Transferência Contratransferência Repetição Transference Countertransference Repetition |
| Ano: | 2012 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Ispa-Instituto Universitário |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório do Ispa - Instituto Universitário |
| Resumo: | O presente trabalho é um estudo de um caso clínico de uma jovem de dezanove anos, a Ana. Tivemos o primeiro contacto com Ana num hospital psiquiátrico de Lisboa onde estava internada. Chegou ao Hospital pela mão de dois polícias que a tinham ido buscar a casa por alegados comportamentos agressivos. Foi-lhe atribuída uma psiquiatra que nos pediu uma avaliação psicológica. Dois meses mais tarde Ana procura-nos para tratamento. Empreendemos uma psicoterapia de orientação psicanalítica de duas sessões semanais nos primeiros seis meses passando depois para três sessões semanais. A paciente tinha dificuldades na expressão verbal. A utilização da comunicação não verbal predominou em certa fase do tratamento e tivemos dificuldade em compreender o sentido dessas suas comunicações. Inicia uma serie de comportamentos que não entendemos. Um deles durou sensivelmente três semanas: Ana fazia questão de entrar e sair repetidamente da sala durante o período de consulta. Certo dia opusemo-nos directamente a essa atitude observando-lhe que se voltasse a entrar e a sair daquela consulta repetidamente então seria melhor interromper aquela sessão e continuaríamos a trabalhar na sessão seguinte. Através da supervisão de casos foi-nos possível entrar em contacto de uma forma mais consciente com alguns processos mentais, nomeadamente os repetitivos, que poderiam estar a ocorrer na relação terapêutica. Essa análise despoletou uma modificação substantiva do curso da psicoterapia no que diz respeito à natureza da aliança terapêutica, sintonia afectiva e Interpretação (trata-se da análise de alguns aspectos transfero-contra-transferências, mais especificamente, trata-se da análise de alguns movimentos de Identificação Projectiva e contra-Identificação Projectiva. Assim e em primeiro lugar faremos uma breve revisão teórica do conceito de Identificação com especial incidência sobre o sub-conceito de Identificação Projectiva. Ainda no corpo teórico abordamos os temas da transferência e contra-transferência. Especifica-se algumas modalidades de transferência nomeadamente a chamada Transferência Psicótica e Border-line. No que toca à contra-transferência, abordamos alguns problemas que esta pode levantar. De seguida traçaremos uma breve história clínica da paciente (Anamnese) e apresentaremos vinte sessões. Algumas das sessões são muito breves como veremos. Por fim propomo-nos discutir algumas generalidades sobre a situação em análise e desenvolver pontos específicos como é o caso do fenómeno da Repetição no acting-it-out como mecanismo de Identificação Projectiva. O que estaria a paciente a querer dizer com o seu acting? Tentamos perceber especificamente: como se organizam os sentimentos de medo, desespero e impotência dentro do paciente; como este comunica esses sentimentos ao terapeuta (transferência); como o terapeuta recebe e organiza dentro de si o seu medo, os sentimentos de impotência e desespero; como o terapeuta responde ao paciente (contra-transferência); como essa resposta prejudica ou beneficia o paciente. |
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