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A vivência migrante de duas mulheres nascidas em São Tomé: O entranhamento de um passado colonial

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Resumo:Através do universo que constitui a clínica etnopsicanalítica, procuramos compreender as vicissitudes do processo migratório, com foco nas migrações económicas, especificamente, a vivência dos sujeitos que se deslocam de um país colonizado para o país do colonizador, cuja representação (do Eu e do Outro) emerge marcada por uma hierarquia racial interiorizada no perído colonial e que perdura. Deste modo, procuramos entender a (re)construção da identidade (migrante) do nosso objeto de estudo, como sendo uma construção psicossocial, estando numa constante transformação, tendo em conta não apenas o psíquico mas também o ambiente social, histórico e político no qual o sujeito se constrói. Para aceder ao mundo interno das participantes, recorremos ao Método das Narrativas de Associação Livre (FANI – Free Association Narrative Interview), desenvolvido por Hollway e Jefferson (2000). Foram realizadas duas entrevistas com duas mulheres santomenses, Helena (44 anos) e Diana (64 anos) e, posteriormente analisadas de acordo com o método proposto. Dos grandes temas que emergem, destaca-se a identidade, os vestígios de uma colonização entranhada e as soluções encontradas por cada uma para as questões apresentadas. De modo geral, encontrou-se em ambas, uma dinâmica interna que traduz a lógica do dominador-dominado e que ultrapassa o princípio da realidade externa (atual), levando-nos ao campo da subjetividade, que revela os resquícios de uma colonização entranhada. Uma lógica que, na incapacidade de encontrar um (novo) lugar, apoia-se ao lugar conhecido e, deste modo, preserva a manutenção de uma identidade (de subalternidade) que perdurou por séculos.
Autores principais:Costa, Casandra María Solé
Assunto:Etnopsicanálise Identidade Migração Ethno psychoanalysis Identity Migration
Ano:2018
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Ispa-Instituto Universitário
Idioma:português
Origem:Repositório do Ispa - Instituto Universitário
Descrição
Resumo:Através do universo que constitui a clínica etnopsicanalítica, procuramos compreender as vicissitudes do processo migratório, com foco nas migrações económicas, especificamente, a vivência dos sujeitos que se deslocam de um país colonizado para o país do colonizador, cuja representação (do Eu e do Outro) emerge marcada por uma hierarquia racial interiorizada no perído colonial e que perdura. Deste modo, procuramos entender a (re)construção da identidade (migrante) do nosso objeto de estudo, como sendo uma construção psicossocial, estando numa constante transformação, tendo em conta não apenas o psíquico mas também o ambiente social, histórico e político no qual o sujeito se constrói. Para aceder ao mundo interno das participantes, recorremos ao Método das Narrativas de Associação Livre (FANI – Free Association Narrative Interview), desenvolvido por Hollway e Jefferson (2000). Foram realizadas duas entrevistas com duas mulheres santomenses, Helena (44 anos) e Diana (64 anos) e, posteriormente analisadas de acordo com o método proposto. Dos grandes temas que emergem, destaca-se a identidade, os vestígios de uma colonização entranhada e as soluções encontradas por cada uma para as questões apresentadas. De modo geral, encontrou-se em ambas, uma dinâmica interna que traduz a lógica do dominador-dominado e que ultrapassa o princípio da realidade externa (atual), levando-nos ao campo da subjetividade, que revela os resquícios de uma colonização entranhada. Uma lógica que, na incapacidade de encontrar um (novo) lugar, apoia-se ao lugar conhecido e, deste modo, preserva a manutenção de uma identidade (de subalternidade) que perdurou por séculos.