Publicação
Recovery e medicação: Perspectivas e percepções de indivíduos com experiência de doença mental
| Resumo: | Sendo notória a pertinência das questões relacionadas com a saúde mental dada a sua elevada incidência à escala mundial, surgem novos debates em torno do conceito emergente de recovery. A relação entre a medicação psiquiátrica e o recovery é um tema complexo e controverso, estando a área da saúde mental repleta de relatos que salientam o valor dos medicamentos no recovery e, em simultâneo, de opiniões que testemunham uma posição contrária à medicação, realçando os seus efeitos secundários severos e debilitantes. Abandonando uma focalização excessiva na doença e nos seus sintomas, o objectivo deste trabalho é compreender quais as percepções e perspectivas de indivíduos com experiência de doença mental acerca da utilização da medicação no recovery. Utilizando uma metodologia qualitativa, realizaram-se 35 entrevistas semi-estruturadas a indivíduos com experiência de doença mental, pertencentes a uma organização comunitária - Associação para o Estudo e Integração Psicossocial. As entrevistas foram analisadas através da técnica de análise de conteúdo, com a utilização do software Nvivo 7. Os resultados indicam que os participantes consideram que a utilização da medicação é 'uma solução de recurso' e que apesar dos efeitos secundários, constitui uma ajuda para a realização das actividades diárias, conferindo sensações de 'tranquilidade e segurança'. Dos discursos ressalta a ideia de que a medicação não é tida como a única opção racional para reduzir os sintomas da doença. A medicação é apenas uma de entre muitas opções e escolhas no recovery, sendo evidente o desejo dos participantes serem considerados pessoas com uma vida para além dos sintomas e da medicação. Esta visão do papel da medicação permite concluir acerca de uma necessária transição paradigmática dos modelos médicos para que contemplem formas holísticas de abordagem da doença mental, continuando a existir necessidade de explorar, em colaboração com pessoas com experiência de doença mental, diferentes formas de orientar práticas e serviços que possam constituir ajudas potenciais do recovery. |
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| Autores principais: | Mendes, Carla Sofia Almeida e |
| Assunto: | Psicologia comunitária Doença mental Empowerment Medicação Recovery Entrevista Community psychology Mental ilness Medication Interview |
| Ano: | 2008 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Ispa-Instituto Universitário |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório do Ispa - Instituto Universitário |
| Resumo: | Sendo notória a pertinência das questões relacionadas com a saúde mental dada a sua elevada incidência à escala mundial, surgem novos debates em torno do conceito emergente de recovery. A relação entre a medicação psiquiátrica e o recovery é um tema complexo e controverso, estando a área da saúde mental repleta de relatos que salientam o valor dos medicamentos no recovery e, em simultâneo, de opiniões que testemunham uma posição contrária à medicação, realçando os seus efeitos secundários severos e debilitantes. Abandonando uma focalização excessiva na doença e nos seus sintomas, o objectivo deste trabalho é compreender quais as percepções e perspectivas de indivíduos com experiência de doença mental acerca da utilização da medicação no recovery. Utilizando uma metodologia qualitativa, realizaram-se 35 entrevistas semi-estruturadas a indivíduos com experiência de doença mental, pertencentes a uma organização comunitária - Associação para o Estudo e Integração Psicossocial. As entrevistas foram analisadas através da técnica de análise de conteúdo, com a utilização do software Nvivo 7. Os resultados indicam que os participantes consideram que a utilização da medicação é 'uma solução de recurso' e que apesar dos efeitos secundários, constitui uma ajuda para a realização das actividades diárias, conferindo sensações de 'tranquilidade e segurança'. Dos discursos ressalta a ideia de que a medicação não é tida como a única opção racional para reduzir os sintomas da doença. A medicação é apenas uma de entre muitas opções e escolhas no recovery, sendo evidente o desejo dos participantes serem considerados pessoas com uma vida para além dos sintomas e da medicação. Esta visão do papel da medicação permite concluir acerca de uma necessária transição paradigmática dos modelos médicos para que contemplem formas holísticas de abordagem da doença mental, continuando a existir necessidade de explorar, em colaboração com pessoas com experiência de doença mental, diferentes formas de orientar práticas e serviços que possam constituir ajudas potenciais do recovery. |
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