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Não monogamias consensuais e infidelidade: desafios para os profissionais de saúde mental

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Nas últimas décadas, o modelo de relação da não monogamia consensual (NMC) tem ganho mais visibilidade na investigação e na intervenção. Existem evidências de mononormatividade, em que pessoas que adotam este modelo de relação experienciam estigma por parte da população geral e de psicólogos. No mesmo sentido, casais com experiências de infidelidade encontram, muitas vezes, preconceito e discriminação. Neste estudo experimental manipulou-se, com recurso a vinhetas clínicas, pedidos de terapia de casal de casais monogâmicos vs. monogamish, onde tinha havido, ou não tinha havido, um evento prévio de infidelidade. Incluiu-se ainda no design um fator medido, relacionado com a situação profissional dos participantes: profissionais de saúde mental vs. estudantes de psicologia. Neste estudo misto, mediu-se a aliança terapêutica imaginada perante cada vinheta e questionou-se, em perguntas abertas, sobre possíveis temáticas e ressonâncias. A amostra final foi constituída por 129 participantes (69.3% profissionais). Nos resultados, não emergem padrões claramente distintos face a casais monogâmicos ou monogamish, apesar de indicações da existência de um viés positivo para a monogamia e uma falta de preparação identificada pelos participantes para o trabalho clínico com NMC. Por outro lado, face à infidelidade verificam-se dados contraditórios, com posições ora mais favoráveis, ora mais desfavoráveis. Não se verificou uma diferença entre os estudantes e os profissionais de saúde mental, apesar dos primeiros terem imaginado uma aliança terapêutica mais elevada e respondido em menor proporção às questões qualitativas. Discutem-se as implicações clínicas para a formação psicológica e psicoterapêutica.
Autores principais:Saraiva, Inês Margarida Constantino Amaro
Assunto:Monogamia Não Monogamia Consensual (NMC) Infidelidade Psicólogos Aliança Terapêutica Monogamy Consensual Nonmonogamy (CNM) Infidelity Psychologists Therapeutic Alliance
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Ispa-Instituto Universitário
Idioma:português
Origem:Repositório do Ispa - Instituto Universitário
Descrição
Resumo:Nas últimas décadas, o modelo de relação da não monogamia consensual (NMC) tem ganho mais visibilidade na investigação e na intervenção. Existem evidências de mononormatividade, em que pessoas que adotam este modelo de relação experienciam estigma por parte da população geral e de psicólogos. No mesmo sentido, casais com experiências de infidelidade encontram, muitas vezes, preconceito e discriminação. Neste estudo experimental manipulou-se, com recurso a vinhetas clínicas, pedidos de terapia de casal de casais monogâmicos vs. monogamish, onde tinha havido, ou não tinha havido, um evento prévio de infidelidade. Incluiu-se ainda no design um fator medido, relacionado com a situação profissional dos participantes: profissionais de saúde mental vs. estudantes de psicologia. Neste estudo misto, mediu-se a aliança terapêutica imaginada perante cada vinheta e questionou-se, em perguntas abertas, sobre possíveis temáticas e ressonâncias. A amostra final foi constituída por 129 participantes (69.3% profissionais). Nos resultados, não emergem padrões claramente distintos face a casais monogâmicos ou monogamish, apesar de indicações da existência de um viés positivo para a monogamia e uma falta de preparação identificada pelos participantes para o trabalho clínico com NMC. Por outro lado, face à infidelidade verificam-se dados contraditórios, com posições ora mais favoráveis, ora mais desfavoráveis. Não se verificou uma diferença entre os estudantes e os profissionais de saúde mental, apesar dos primeiros terem imaginado uma aliança terapêutica mais elevada e respondido em menor proporção às questões qualitativas. Discutem-se as implicações clínicas para a formação psicológica e psicoterapêutica.