Publicação
O Eu neuropsíquico : Ensaio sobre a consciência
| Resumo: | A complexa relação entre processos psíquicos conscientes e inconscientes constitui a base sobre a qual assenta o edifício teórico da psicanálise. Psicanálise que postula o inconsciente como o centro da nossa vida psíquica. As neurociências, apesar de também considerarem que a maior parte da nossa vida mental ocorre a um nível inconsciente, têm centrado as suas investigações nas relações entre o cérebro e a consciência. Como é que surge a consciência é uma das questões que o presente trabalho se propõe discutir, numa interface entre a psicanálise e as neurociências. E como é que as perturbações da consciência, postas em relevo pela investigação psicanalítica, podem ser compreendidas pelas neurociências? A articulação e a convergência entre os processos que são psíquicos, mas também neuronais, levaram-nos à formulação do conceito de Eu neuropsíquico e, porque há uma relação estreita entre os processos neuropsíquicos e o corpo, cunhámos também o conceito de Eu neuropsicossomático. É um Eu que, sob a influência da relação de/com objetos, emerge e, simultaneamente, determina a complexa inter-relação entre os processos mentais e neuronais organizados num reticulado pluridimensional feito de ligações espaçotemporais locais e, conjeturamos, não-locais. É este complexo inter-relacional que dá o sentimento de unidade ao Eu neuropsíquico, Eu que mostra a forma como o sujeito vive e se vive na relação consigo e com os outros, que revela o modo de ser e de estar no mundo, forma e modo que são expressões da consciência de si. Do presente estudo concluiu-se que a consciência tem uma ligação estreita com as experiências vividas e sentidas, com as experiências observadas e representadas, experiências guardadas nas memórias (conscientes e inconscientes). Concluiu-se também que, sob a influência de fatores psico-sócio-neurobiológicos, a consciência evolui por níveis, que coexistem ao longo do desenvolvimento, podendo, uma vez alcançado um nível superior, haver regressões a níveis anteriores. Destes níveis, emergem formas diferentes de pensamento (consciente e inconsciente). Consideramos, ainda, a possibilidade de os processos inconscientes e conscientes se desenrolarem em diferentes dimensões de espaço-tempo e que é o desenvolvimento de processos inscritos numa lógica fundada na tetradimensionalidade que faz emergir a consciência superior/reflexiva. |
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| Autores principais: | Aleixo, Pedro Jorge Morais |
| Assunto: | Cérebro Consciência Eu neuropsíquico Inconsciente Brain Consciousness Neuropsychic-Self Unconscious |
| Ano: | 2016 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Ispa-Instituto Universitário |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório do Ispa - Instituto Universitário |
| Resumo: | A complexa relação entre processos psíquicos conscientes e inconscientes constitui a base sobre a qual assenta o edifício teórico da psicanálise. Psicanálise que postula o inconsciente como o centro da nossa vida psíquica. As neurociências, apesar de também considerarem que a maior parte da nossa vida mental ocorre a um nível inconsciente, têm centrado as suas investigações nas relações entre o cérebro e a consciência. Como é que surge a consciência é uma das questões que o presente trabalho se propõe discutir, numa interface entre a psicanálise e as neurociências. E como é que as perturbações da consciência, postas em relevo pela investigação psicanalítica, podem ser compreendidas pelas neurociências? A articulação e a convergência entre os processos que são psíquicos, mas também neuronais, levaram-nos à formulação do conceito de Eu neuropsíquico e, porque há uma relação estreita entre os processos neuropsíquicos e o corpo, cunhámos também o conceito de Eu neuropsicossomático. É um Eu que, sob a influência da relação de/com objetos, emerge e, simultaneamente, determina a complexa inter-relação entre os processos mentais e neuronais organizados num reticulado pluridimensional feito de ligações espaçotemporais locais e, conjeturamos, não-locais. É este complexo inter-relacional que dá o sentimento de unidade ao Eu neuropsíquico, Eu que mostra a forma como o sujeito vive e se vive na relação consigo e com os outros, que revela o modo de ser e de estar no mundo, forma e modo que são expressões da consciência de si. Do presente estudo concluiu-se que a consciência tem uma ligação estreita com as experiências vividas e sentidas, com as experiências observadas e representadas, experiências guardadas nas memórias (conscientes e inconscientes). Concluiu-se também que, sob a influência de fatores psico-sócio-neurobiológicos, a consciência evolui por níveis, que coexistem ao longo do desenvolvimento, podendo, uma vez alcançado um nível superior, haver regressões a níveis anteriores. Destes níveis, emergem formas diferentes de pensamento (consciente e inconsciente). Consideramos, ainda, a possibilidade de os processos inconscientes e conscientes se desenrolarem em diferentes dimensões de espaço-tempo e que é o desenvolvimento de processos inscritos numa lógica fundada na tetradimensionalidade que faz emergir a consciência superior/reflexiva. |
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