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Gosto de pensar, logo acredito: Dois estudos correlacionais entre necessidade de cognição e suspensão da descrença

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A suspensão da descrença (SdB), entendida como a disposição para aceitar temporariamente premissas irreais de modo a manter uma experiência de entretenimento (Gerrig, 1993; Vorderer et al., 2003, 2004; Coleridge 1817, cit. por Tomko, 2007), tem sido amplamente discutida em contextos ficcionais, mas raramente explorada como traço disposicional e na sua relação com outras variáveis cognitivas. Esta investigação analisou a relação entre a SdB e a necessidade de cognição (NFC), examinando se níveis mais elevados de SdB se associam a uma maior disposição para apreciar e envolver-se em atividades cognitivamente exigentes (Cacioppo & Petty, 1982). Foram realizados dois estudos com medidas de autorrelato, utilizando a Escala de Necessidade de Cognição (Cacioppo et al., 1984) e a sua adaptação portuguesa (Silva & Garcia-Marques, 2006), bem como a Escala de Cronicidade da Suspensão da Descrença (Loureiro et al., 2025), nas versões portuguesa e inglesa. No estudo 1 participaram 326 estudantes universitários portugueses, enquanto que no estudo 2 participaram 218 norte-americanos da população geral. Os resultados de ambos os estudos indicaram uma correlação positiva e moderada entre NFC e SdB, com valores mais elevados na dimensão Social da SdB do que na dimensão Ficcional. Estes resultados sugerem que indivíduos com maior NFC, que gostam mais de pensar, tendem a suspender mais frequentemente a descrença, possivelmente devido à sua maior abertura cognitiva e motivação para explorar perspetivas alternativas. Esta investigação contribui assim para reforçar a SdB como um traço disposicional, aprofundando o seu enquadramento no domínio das diferenças individuais e expandindo a sua rede nomológica.
Autores principais:Ferreira, Inês Sofia Diogo
Assunto:Suspensão da descrença Necessidade de cognição Diferenças individuais Escala de cronicidade de suspensão da descrença Suspension of disbelief Need for cognition Individual differences Chronicity of suspension of disbelief scale
Ano:2025
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso embargado
Instituição associada:Ispa-Instituto Universitário
Idioma:português
Origem:Repositório do Ispa - Instituto Universitário
Descrição
Resumo:A suspensão da descrença (SdB), entendida como a disposição para aceitar temporariamente premissas irreais de modo a manter uma experiência de entretenimento (Gerrig, 1993; Vorderer et al., 2003, 2004; Coleridge 1817, cit. por Tomko, 2007), tem sido amplamente discutida em contextos ficcionais, mas raramente explorada como traço disposicional e na sua relação com outras variáveis cognitivas. Esta investigação analisou a relação entre a SdB e a necessidade de cognição (NFC), examinando se níveis mais elevados de SdB se associam a uma maior disposição para apreciar e envolver-se em atividades cognitivamente exigentes (Cacioppo & Petty, 1982). Foram realizados dois estudos com medidas de autorrelato, utilizando a Escala de Necessidade de Cognição (Cacioppo et al., 1984) e a sua adaptação portuguesa (Silva & Garcia-Marques, 2006), bem como a Escala de Cronicidade da Suspensão da Descrença (Loureiro et al., 2025), nas versões portuguesa e inglesa. No estudo 1 participaram 326 estudantes universitários portugueses, enquanto que no estudo 2 participaram 218 norte-americanos da população geral. Os resultados de ambos os estudos indicaram uma correlação positiva e moderada entre NFC e SdB, com valores mais elevados na dimensão Social da SdB do que na dimensão Ficcional. Estes resultados sugerem que indivíduos com maior NFC, que gostam mais de pensar, tendem a suspender mais frequentemente a descrença, possivelmente devido à sua maior abertura cognitiva e motivação para explorar perspetivas alternativas. Esta investigação contribui assim para reforçar a SdB como um traço disposicional, aprofundando o seu enquadramento no domínio das diferenças individuais e expandindo a sua rede nomológica.