Publicação
Expressão no rorschach dos fenómenos transitivos e do espaço potencial na personalidade borderline
| Resumo: | Pretendemos compreender, à luz do método Rorschach, as características dos fenómenos transitivos e do espaço potencial no sujeito borderline. O estudo destes conceitos é desenvolvido tendo por base as teorias de Winnicott e Ogden sobre a psicopatologia dos fenómenos transitivos e do espaço potencial, respectivamente. Reconhecida a importância dos cuidados primários no acesso a estas áreas intermediárias da experiência, procuramos articular o conceito de função materna com os conceitos em estudo. De igual forma, para uma melhor compreensão destes conceitos no caso borderline, procuramos relacioná-los com ao conceito de angústia branca de Green. O método Rorschach é perspectivado na sua dimensão intersubjectiva e dinâmica, em que o apelo a um duplo modo de funcionamento (perceptivo e projectivo) permite uma compreensão mais aprofundada da dinâmica relacional entre o interno e o externo, no espaço psíquico do sujeito borderline. É elaborada uma leitura dos conceitos de fenómenos transitivos e de espaço potencial, procurando integrar e articular a revisão de literatura e os elementos Rorschach. É neste contexto que se realiza a aplicação do Rorschach a um sujeito do sexo feminino com o diagnóstico de perturbação borderline da personalidade. Da análise do protocolo destacamos que, apesar da impossibilidade de estabelecer uma relação intersubjectiva entre o real e o imaginário, o interno e o externo, o sujeito é capaz de mobilizar estratégias arcaicas que lhe permitem um contacto mínimo com o outro. Estas estratégias caracterizam o fenómeno transitivo neste sujeito borderline. A procura de apoio, de amortecimento de vivências mais angustiantes dá conta da utilização do outro como um objecto de suporte (indicador da carência do holding), permitindo uma separação e comunicação ténue entre sujeito e objecto. A imagem Rorschach criada pelo sujeito é experimentada como um objecto real, adquirindo a função (de suporte) e as qualidades (reconfortantes) de um objecto transitivo. Os movimentos do sujeito dão conta de uma aproximação ao espaço potencial – espaço pré-potencial. |
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| Autores principais: | Godinho, Marta Filipa Basto de Oliveira Queiroz |
| Assunto: | Rorschach Fenómeno transitivo Espaço potencial Borderline Função materna Transitional phenomena Potential space Borderline Motherhood function |
| Ano: | 2008 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Ispa-Instituto Universitário |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório do Ispa - Instituto Universitário |
| Resumo: | Pretendemos compreender, à luz do método Rorschach, as características dos fenómenos transitivos e do espaço potencial no sujeito borderline. O estudo destes conceitos é desenvolvido tendo por base as teorias de Winnicott e Ogden sobre a psicopatologia dos fenómenos transitivos e do espaço potencial, respectivamente. Reconhecida a importância dos cuidados primários no acesso a estas áreas intermediárias da experiência, procuramos articular o conceito de função materna com os conceitos em estudo. De igual forma, para uma melhor compreensão destes conceitos no caso borderline, procuramos relacioná-los com ao conceito de angústia branca de Green. O método Rorschach é perspectivado na sua dimensão intersubjectiva e dinâmica, em que o apelo a um duplo modo de funcionamento (perceptivo e projectivo) permite uma compreensão mais aprofundada da dinâmica relacional entre o interno e o externo, no espaço psíquico do sujeito borderline. É elaborada uma leitura dos conceitos de fenómenos transitivos e de espaço potencial, procurando integrar e articular a revisão de literatura e os elementos Rorschach. É neste contexto que se realiza a aplicação do Rorschach a um sujeito do sexo feminino com o diagnóstico de perturbação borderline da personalidade. Da análise do protocolo destacamos que, apesar da impossibilidade de estabelecer uma relação intersubjectiva entre o real e o imaginário, o interno e o externo, o sujeito é capaz de mobilizar estratégias arcaicas que lhe permitem um contacto mínimo com o outro. Estas estratégias caracterizam o fenómeno transitivo neste sujeito borderline. A procura de apoio, de amortecimento de vivências mais angustiantes dá conta da utilização do outro como um objecto de suporte (indicador da carência do holding), permitindo uma separação e comunicação ténue entre sujeito e objecto. A imagem Rorschach criada pelo sujeito é experimentada como um objecto real, adquirindo a função (de suporte) e as qualidades (reconfortantes) de um objecto transitivo. Os movimentos do sujeito dão conta de uma aproximação ao espaço potencial – espaço pré-potencial. |
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