Publicação

É como se nos víssemos ao espelho : As narrativas de auto-consciência dos psicoterapeutas antes e depois do confronto com o desempenho real

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:A investigação na área da psicoterapia tem enfatizado a relevância do papel do terapeuta, e nomeadamente os benefícios da auto-reflexão e auto-consciência em termos de eficácia clínica. Para além da resistência que os psicoterapeutas parecem fazer em adotar estratégias de desenvolvimento de auto-consciência, este processo pode ser dificultado pelo seu enviesamento que os leva a sobrestimar significativamente as suas capacidades. O presente estudo tem como objetivo explorar os processos da auto-consciência através das narrativas dos psicoterapeutas, e averiguar a existência de diferenças antes e depois de ouvirem uma gravação de uma das suas psicoterapias. Numa amostra de vinte psicoterapeutas em formação cognitivocomportamental e integrativa, foram realizadas a cada participante duas entrevistas semiestruturadas baseadas em cinco domínios concretos da auto-consciência: reconhecimento da experiência emocional, avaliação das próprias competências, reconhecimento dos preconceitos e enviesamentos implícitos, e consciência acerca dos valores pessoais. Os resultados mostram que tanto os domínios como os processos de AC parecem ser distintos e independentes entre si. Ao nível dos processos, as narrativas dos terapeutas vão no sentido de um elevado nível de AC, mas isto verifica-se quando associado a descrições dos aspetos mais positivos da sua prática. O presente estudo discute a fraca expressão das diferenças entre as narrativas anterior e posterior dos terapeutas, assim como a dificuldade em aceder aos aspetos mais negativos da sua prática. Embora o confronto com o desempenho real tenha promovido a auto-reflexão e o ganho subjetivo de consciência, será esta estratégia suficiente para o aumento geral da auto-consciência dos psicoterapeutas?
Autores principais:Pereira, Raquel Alexandra da Silva
Assunto:Picoterapeutas Auto consciência Auto reflexão Desempenho Gravação de sessões Psychotherapists Self-awareness Self-reflection Performance Session recording
Ano:2019
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Ispa-Instituto Universitário
Idioma:português
Origem:Repositório do Ispa - Instituto Universitário
Descrição
Resumo:A investigação na área da psicoterapia tem enfatizado a relevância do papel do terapeuta, e nomeadamente os benefícios da auto-reflexão e auto-consciência em termos de eficácia clínica. Para além da resistência que os psicoterapeutas parecem fazer em adotar estratégias de desenvolvimento de auto-consciência, este processo pode ser dificultado pelo seu enviesamento que os leva a sobrestimar significativamente as suas capacidades. O presente estudo tem como objetivo explorar os processos da auto-consciência através das narrativas dos psicoterapeutas, e averiguar a existência de diferenças antes e depois de ouvirem uma gravação de uma das suas psicoterapias. Numa amostra de vinte psicoterapeutas em formação cognitivocomportamental e integrativa, foram realizadas a cada participante duas entrevistas semiestruturadas baseadas em cinco domínios concretos da auto-consciência: reconhecimento da experiência emocional, avaliação das próprias competências, reconhecimento dos preconceitos e enviesamentos implícitos, e consciência acerca dos valores pessoais. Os resultados mostram que tanto os domínios como os processos de AC parecem ser distintos e independentes entre si. Ao nível dos processos, as narrativas dos terapeutas vão no sentido de um elevado nível de AC, mas isto verifica-se quando associado a descrições dos aspetos mais positivos da sua prática. O presente estudo discute a fraca expressão das diferenças entre as narrativas anterior e posterior dos terapeutas, assim como a dificuldade em aceder aos aspetos mais negativos da sua prática. Embora o confronto com o desempenho real tenha promovido a auto-reflexão e o ganho subjetivo de consciência, será esta estratégia suficiente para o aumento geral da auto-consciência dos psicoterapeutas?