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Flow disposicional e o bem-estar espiritual em praticantes de actividades físicas de inspiração oriental

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O flow tem sido associado à espiritualidade na actividade física (e.g., Nesti, 2007). Mas comprovação empírica destas relações é quase inexistente (Dillon & Tait, 2000). O objectivo principal desta tese foi explorar e testar um modelo sobre as relações entre a frequência de experiência de flow no exercício (Flow disposicional; FD) e o bem-estar espiritual (BEE), averiguando em que medida estas relações variavam em função da natureza do exercício praticado: exercício de movimento meditativo (EMM), artes marciais (AM) e exercício habitual de ginásio (GIN). Após uma ampla revisão de literatura, onde se justifica a relevância da temática, realizaram-se 4 estudos empíricos. No primeiro, exploraram-se as representações do conceito de BEE através entrevistas exploratórias e semi-estruturadas a 11 professores especialistas Swásthya yôga (SY) e Tai Chi (TC). Os resultados da análise de conteúdo, baseada no modelo conceptual de Fisher (1999), revelaram que estes especialistas assentam maioritariamente a sua definição BEE na qualidade e profundidade das relações que estabelecem consigo mesmos (dimensão pessoal - visão personalista). Relações com outros e com a natureza são também importantes. Uma rejeição clara da religião ou da fé em Deus é marcada no SY. Nestes mestres TC a relação com o transcendente realiza-se através da ligação à natureza e fundamenta-se em princípios Taoistas e do Budismo Zen. Este estudo confirmou a adequação conceptual deste modelo para avaliar o BEE em população de praticantes de “actividades físicas de inspiração oriental” (AFO). O segundo e terceiro estudos fizeram a adatação para a língua portuguesa do Spiritual Well- Being Questionnaire (SWBQ; Gomez & Fisher, 2003) e da Dispositional Flow Scale-2 (DFS- 2; Jackson & Eklund, 2002). O SWBQ foi testado numa amostra de 439 adultos da população geral. Análises Factoriais Confirmatórias (AFCs) revelaram índices aceitáveis de ajustamento, quer para um modelo 4 factores correlacionados (1ª ordem) quer para um modelo hierárquico, congruentes com os originais e boa consistência interna. Comprovou-se também a invariância factorial em função sexo. A validade factorial e fiabilidade da versão portuguesa da DFS-2 foi testada em 1437 praticantes de exercício. As AFCs revelaram índices semelhantes de ajustamento para um modelo de 1ª e 2ª ordem. No entanto, a validade do modelo hierárquico original, com o flow como factor de 2ª ordem, é questionável dada a fraca contribuição de 2 dos 9 factores de flow (Alteração da noção de tempo e Perda de autoconsciência). Sugere-se a utilização dum modelo hirárquico com 7 factores. Níveis consistência interna foram adequados para todos factores. No último estudo testou-se o modelo estrutural sobre as relações entre o FD e o BEE, em 1403 praticantes de exercício físico. Analisou-se a invariância em função do tipo de exercício. Modelos de Equações Estruturais confirmaram que uma maior frequência de experiência de flow no exercício prediz moderadamente o BEE e de forma mais fraca a percepção saúde. Como esperado, a magnitude da relação com o BEE é maior no EMM e menor no GIN. A percepção de competência (PC) e o gosto (P/G) pelo exercício têm também um efeito significativo no modelo. Discutem-se implicações teóricas e práticas dos resultados, limitações metodológicas e apontam-se linhas de investigação futura.
Autores principais:Gouveia, Maria João Pinheiro Morais
Assunto:Psicologia da saúde Health psychology
Ano:2011
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Ispa-Instituto Universitário
Idioma:português
Origem:Repositório do Ispa - Instituto Universitário
Descrição
Resumo:O flow tem sido associado à espiritualidade na actividade física (e.g., Nesti, 2007). Mas comprovação empírica destas relações é quase inexistente (Dillon & Tait, 2000). O objectivo principal desta tese foi explorar e testar um modelo sobre as relações entre a frequência de experiência de flow no exercício (Flow disposicional; FD) e o bem-estar espiritual (BEE), averiguando em que medida estas relações variavam em função da natureza do exercício praticado: exercício de movimento meditativo (EMM), artes marciais (AM) e exercício habitual de ginásio (GIN). Após uma ampla revisão de literatura, onde se justifica a relevância da temática, realizaram-se 4 estudos empíricos. No primeiro, exploraram-se as representações do conceito de BEE através entrevistas exploratórias e semi-estruturadas a 11 professores especialistas Swásthya yôga (SY) e Tai Chi (TC). Os resultados da análise de conteúdo, baseada no modelo conceptual de Fisher (1999), revelaram que estes especialistas assentam maioritariamente a sua definição BEE na qualidade e profundidade das relações que estabelecem consigo mesmos (dimensão pessoal - visão personalista). Relações com outros e com a natureza são também importantes. Uma rejeição clara da religião ou da fé em Deus é marcada no SY. Nestes mestres TC a relação com o transcendente realiza-se através da ligação à natureza e fundamenta-se em princípios Taoistas e do Budismo Zen. Este estudo confirmou a adequação conceptual deste modelo para avaliar o BEE em população de praticantes de “actividades físicas de inspiração oriental” (AFO). O segundo e terceiro estudos fizeram a adatação para a língua portuguesa do Spiritual Well- Being Questionnaire (SWBQ; Gomez & Fisher, 2003) e da Dispositional Flow Scale-2 (DFS- 2; Jackson & Eklund, 2002). O SWBQ foi testado numa amostra de 439 adultos da população geral. Análises Factoriais Confirmatórias (AFCs) revelaram índices aceitáveis de ajustamento, quer para um modelo 4 factores correlacionados (1ª ordem) quer para um modelo hierárquico, congruentes com os originais e boa consistência interna. Comprovou-se também a invariância factorial em função sexo. A validade factorial e fiabilidade da versão portuguesa da DFS-2 foi testada em 1437 praticantes de exercício. As AFCs revelaram índices semelhantes de ajustamento para um modelo de 1ª e 2ª ordem. No entanto, a validade do modelo hierárquico original, com o flow como factor de 2ª ordem, é questionável dada a fraca contribuição de 2 dos 9 factores de flow (Alteração da noção de tempo e Perda de autoconsciência). Sugere-se a utilização dum modelo hirárquico com 7 factores. Níveis consistência interna foram adequados para todos factores. No último estudo testou-se o modelo estrutural sobre as relações entre o FD e o BEE, em 1403 praticantes de exercício físico. Analisou-se a invariância em função do tipo de exercício. Modelos de Equações Estruturais confirmaram que uma maior frequência de experiência de flow no exercício prediz moderadamente o BEE e de forma mais fraca a percepção saúde. Como esperado, a magnitude da relação com o BEE é maior no EMM e menor no GIN. A percepção de competência (PC) e o gosto (P/G) pelo exercício têm também um efeito significativo no modelo. Discutem-se implicações teóricas e práticas dos resultados, limitações metodológicas e apontam-se linhas de investigação futura.